Alunos da ECA se apresentam na fase internacional do SIICUSP

Nos dias 24 e 25 de outubro, os discentes Camila Montefusco, Guilherme da Cunha, Lucas do Nascimento, Mariana Crivelente, Mayara Aranha, Thiago Brisolla e Vinicius Biscaro apresentaram seus projetos de iniciação científica na segunda fase do 25º Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP (SIICUSP), evento anual da Pró-Reitoria de Pesquisa. Estes alunos foram selecionados segundo critérios de clareza em seus objetivos e na exposição de seus trabalhos, conforme explica o professor Silvio Mello Filho, presidente da Comissão de Pesquisa, durante a etapa inicial do simpósio, que ocorreu na ECA nos dias 13 e 14 de setembro.

Guilherme Cunha, aluno do Departamento de Música (CMU), apresentou-se pela segunda vez no SIICUSP, agora com Guero: música concreta instrumental e direcionalidade na peça-estudo para piano de Helmut Lachenmann, que “trata quase exclusivamente da divulgação de um dos resultados obtidos na minha IC”. Se, em sua primeira apresentação, Guilherme tratava de seu projeto de iniciação científica, A técnica estendida enquanto matéria-prima da criação musical, nesta, o trabalho “investiga a relação entre sons gerados pela expansão do instrumento musical (técnicas estendidas) e a composição contemporânea”, a partir da peça Guero. “Enquanto compositor, eu já fazia uso das técnicas estendidas em minhas composições. Assim, me senti instigado a pesquisar sobre essa temática, ainda recente e não muito difundida em nosso meio”, explica.


Guilherme Ribeiro, do CMU, apresentou pesquisa sobre a peça Guero, de Helmut Lachenmann

Lucas do Nascimento, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), apresentou o projeto Educomunicação Corporativa: transformando a cultura organizacional, no qual buscou “validar o conceito de Educomunicação Corporativa, que pretende melhorar a cultura organizacional, de forma ética, social e cidadã, com ênfase no protagonismo juvenil e desenvolvimento de uma consciência social crítica”. “Sempre tive curiosidade pela iniciação científica e isso ganhou força quando comecei a estagiar na Cummins, uma multinacional que investe fielmente em responsabilidade corporativa,” comenta.

Mariana Crivelente, do Departamento de Informação e Cultura (CBD), apresentou o trabalho Sítios de memória e direitos humanos: arquivos, bibliotecas, museus e centros de documentação da América Latina. Nele, identificou, mapeou e disponibilizou “informações sobre as instituições de memória e resistência da América Latina”, arquivos que guardam fatos “sobre o processo de militarização do Estado e da política, do final da década de 60 até 1980”. Para a estudante, é “imprescindível, na construção de uma sociedade latino-americana democrática, a recuperação de sua história. E o acesso aos documentos e testemunhos produzidos durante e após os regimes militares é uma ação fundamental que permite que a sociedade latino-americana se aproprie de seu passado e prossiga no processo de democratização”.


Estudante de Biblioteconomia, Mayara Aranha analisou os critérios de raridade de biblioteca da USP

Mayara Aranha, também aluna do CBD, olhou para os “métodos e referenciais teóricos que orientam a definição dos critérios de raridade bibliográfica no contexto das bibliotecas universitárias brasileiras”, partindo principalmente da Biblioteca Digital de Obras Raras, Especiais e Documentação Histórica da Universidade de São Paulo, cujos resultados apresentou no projeto denominado Métodos e referenciais teóricos nos critérios de raridade bibliográfica da Biblioteca Digital de Obras Raras, Especiais e Documentação Histórica da Universidade de São Paulo.

Vinicius Biscaro, do Departamento de Relações Públicas, Publicidade e Turismo (CRP), por sua vez, buscou “identificar como é a atuação das agências de viagem que possuem frota própria de ônibus e comercializam pacotes rodoviários”, questionando “como se organizam e quais as principais características de fluxo e público”, o que resultou na apresentação do trabalho O ônibus, a viagem e o turismo: dimensão e dinâmica das viagens rodoviárias.


Vinicius Biscaro, do curso de Turismo, apresentou estudo sobre agências de viagem que possuem frota própria de ônibus

Thiago Brisolla, do CMU, apresentou o trabalho Método para Violino de Gaylord Yost: uma análise da aprendizagem motora por meio da repetição e memorização, cujo objetivo era propor um guia para os estudos de mudança de posição do violino a partir do método Exercises for Change of Position (1928), de Gaylord Yost, por meio de estudos de aprendizagem motora, memória e cognição. Em Estudos sobre a didática de Paul Rolland no Ensino de Violino para Crianças, Camila Montefusco, também do CMU, apresentou uma análise do material didático desenvolvido por Paul Rolland (1911-1978) a fim de conhecer a metodologia de ensino de violino do professor e verificar sua forma de introdução de habilidades técnicas e consciência corporal em crianças.

De acordo com Silvio Mello Filho, “a qualidade dos trabalhos já demonstra uma grande maturidade da ECA em relação a essa área de pesquisa”, ainda que, pensando no número de alunos da Escola, a quantidade esteja aquém do esperado. “Precisamos investir mais em iniciação científica. Com ela, o aluno de graduação deixa de compreender a universidade como uma escola onde ele vai ter aula, para entendê-la como um lugar de pesquisa, cujo processo principal é o de produzir conhecimento novo, muito mais do que aprender,” afirma.

Neste sentido, para ele, o SIICUSP se mostra um processo importante na divulgação da iniciação científica e na preparação do aluno de graduação para a vida acadêmica, por integrá-lo ao mundo da pesquisa, colocá-lo em contato com as descobertas de outros países e entregar a ele o feedback acerca de seu projeto.


Educomunicação corporativa é o tema de pesquisa de Lucas Nascimento, do CCA

Além destas, outras competências, como “pensamento lógico, organização, habilidade de falar em público e melhoria na redação” podem ser desenvolvidas com a pesquisa e a participação em congressos como o SIICUSP, conforme afirma Mayara Aranha. Vinicius Biscaro acrescenta que a experiência auxilia na criação de um “senso de responsabilidade e habilidade de análise crítica e apresentação do seu trabalho, coisas que todos enfrentarão, seja na vida acadêmica ou no mercado de trabalho”.

Texto: Victória Martins
Fotos: Bruna Caetano