Livros, documentários, sites e multimídia: TCCs em jornalismo possuem ampla variedade de formatos

Neste segundo semestre de 2018, 37 alunos de jornalismo defenderam seus trabalhos de conclusão de curso (TCCs). Foram 20 livros (entre livros-reportagens e livros), sete monografias, cinco documentários, dois sites, um especial de áudio com um site, um plano editorial e um manual.

Em comparação com esse semestre, o mesmo período de 2017 teve os formatos de trabalhos mais equilibrados: dentre os 33 trabalhos de conclusão de curso apresentados, havia dez monografias, nove livros, nove documentários, três sites, um projeto multimídia (com podcast, vídeos e site) e um programa de rádio. Essa variedade é garantida nas normas para o trabalho de conclusão de curso do CJE: os trabalhos finais devem consistir em monografia aprofundada, que pode ser acompanhada de um produto ou um projeto como ensaio fotográfico ou fonográfico, projeto ou análise crítica de jornal, revista, livro ou outro produto editorial, programa de rádio, televisão ou vídeo e produto jornalístico.

Documentário

Nairim Liz Bernardo fez o documentário Quero Voltar Sempre Preta sobre a relação das mulheres negras com seus corpos e com a estética. Seu trabalho, que é todo feito por mulheres, é dividido em cinco blocos: Família e Infância, Cabelo, Cor e Maquiagem e, por último, Moda e Corpo. E, “apesar de ser um documentário jornalístico, também é em primeira pessoa. Então eu falo bastante sobre mim e sobre a minha família também”, conta.


Nairim Liz Bernardo apresentou o documentário Quero Voltar Sempre Preta na última quarta, dia 5 de dezembro. Foto: Liz Dórea

O interesse pela tema surgiu porque Nairim acredita que questões estéticas são vistas como fúteis, “é sempre mais importante falar de outras coisas e a gente não tira um tempo pra se olhar, a gente esquece que a nossa imagem reflete muita coisa e que a relação com a imagem do outro também diz muito sobre a gente”. Isso acontece principalmente no caso de mulheres negras, acredita a estudante, devido a falta de representatividade, pelo histórico de violência e por sempre serem colocadas à margem do que é considerado bonito.

Por abordar o assunto de maneira não convencional na mídia tradicional brasileira, Mônica Rodrigues Nunes, sua orientadora, afirma que o trabalho de Nairim possui grande relevância jornalística.

Os pontos centrais do documentário são o quanto isso afeta o psicológico das mulheres entrevistadas e o racismo estrutural, presente em cores de maquiagem, por exemplo, pois o mercado não atende as mulheres negras como público consumidor. “Então, além da questão emocional, acho que a questão da economia e da representatividade é uma coisa muito forte”, segundo a jornalista.

Além do próprio tema ser muito imagético, Nairim diz que também sempre gostou de vídeo e assistiu a televisão. “E eu não fiz um livro, por exemplo, de fotos, porque eu queria entrevistar as mulheres e queria que elas contassem as suas histórias e as suas opiniões pela voz delas mesmo”, afirma.

Plano editorial

Sentindo falta de um veículo na imprensa que aborde a música nacional de maneira mais aprofundada, Gabriela Sarmento criou o plano editorial de um novo veículo como trabalho final: um site de notícias e serviços. “Nele (no plano editorial) tem a estrutura em que eu defino a cultura corporativa da empresa, a forma editorial, quais são os perfis de público e a estratégia de rede social”, conta. Ela ainda fez uma matriz SWOT para servir como base de um futuro plano de negócios da empresa.

O site seria composto por quatro editorias: Notícias, Bastidores, Academia da Música e Encontre seu Show. O primeiro tem como diferencial a utilização de reportagens em vídeo com artistas e a capilaridade de cobertura. “Então, se eu to falando da Gaby Amarantos, que eu vá até a cidade dela filmar ela lá”, explica.

Outra característica marcante está na editoria Bastidores, em que ela propõe a catalogação de fichas técnicas de discos, singles, clipes e DVDs. “Porque essa informação se perdeu com a digitalização da música. O plano é resgatar essas informações porque as pessoas dirigem clipes, produzem roteiros e acabam ficando no escuro”. A parte Academia da Música é um buscador de pesquisas acadêmicas da área de música e, em Encontre seu Show, teria uma agenda de shows.

Uma dificuldade enfrentada no TCC foi a falta de referências, “não teve um trabalho anterior que eu olhei e pensei ‘dá para ir por esse caminho’”, diz Gabriela. Foi de conversas e da experiência do orientador, Eugênio Bucci, na área, que foi produzida a estrutura do trabalho da estudante.

Livro-reportagem

Dentre os 20 livros feitos pelos alunos de jornalismo, está o trabalho de Cesar Carnevale Isoldi, que escreveu Curai-nos do mal: quando fé, ética e saúde se cruzam. “Meu livro é sobre pessoas que tiveram uma situação limite, principalmente de saúde. E elas buscam a fé como suporte para os tratamentos tradicionais”, conta.

São quatro histórias de pessoas que sofreram com luto, endometriose na tentativa de ter filho, depressão e câncer. Todos fizeram tratamento médico, mas também tiveram o apoio da fé. Esses relatos ainda se misturam a histórias pessoais de Cesar e dados científicos: “por exemplo, a oração, para muitas pessoas, funciona como uma meditação. Então abaixa os batimentos cardíacos, muda algumas coisas no cérebro e acaba reduzindo as chances de doenças cardiovasculares”, explica o aluno.

Apesar de ter trabalhado em TV durante bastante tempo, Cesar não cogitou fazer o trabalho final no formato audiovisual; ele preferiu usar a oportunidade para fazer o primeiro livro.


Cesar Carnevale Isoldi durante a defesa do trabalho de conclusão de curso: Curai-nos do mal: quando fé, ética e saúde se cruzam. Foto: Susana Sato

 

Texto: Mirella Coelho
Foto de capa: Susana Sato