Alunos do CTR criam jogo de computador

Sabrina é a protagonista do jogo Infinito Transparente. Ela mora em uma cidade feita de vidro e tem como missão salvar Liliana, sua irmã, que está presa em uma torre para controlar o sol artificial da cidade. Em 2016, o jogo foi recusado como trabalho de conclusão de curso prático de Pedro Marques, Alice Hirata, Flávia Lucena, Fernando Cabral, Glaucia Tiemi e Andrey Moritz, do curso de Audiovisual, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR).

Pedro Marques conta que o grupo já imaginava que o projeto pudesse ser recusado, pois era diferente do que costuma ser realizado no departamento. “Então a gente saiu procurando uma forma de ter recursos e poder fazer o projeto”, afirma. Eles conseguiram verba por meio de um edital de jogos do Spcine no fim de 2016 e deram prosseguimento ao projeto com apoio do Pequi, grupo de estudos em animação do CTR.

A ideia surgiu como uma maneira de usar animação para além do cinema. “A gente tem um grupo de estudos em animação – o Pequi – e sempre quisemos expandir os usos dos processos audiovisuais, mas para outras áreas que normalmente o curso não explora”, pois é focado em cinema. “Começamos com um projeto em que fosse necessário programar o menos possível. Então procuramos fazer um jogo narrativo”, explica Pedro, “com mais trabalho de roteiro”.


No jogo Infinito transparente, o objetivo de Sabrina é libertar sua irmã, Liliana, sem que ninguém veja

A pintura dos cenários e dos personagens não ajudam o jogador: eles são em aquarela para que a pessoa não tenha certeza dos elementos que já estavam ou não no cenário. “A gente pode tirar coisa, colocar em outro lugar, esfumaçar o cenário e deixar ele um pouco mais nítido depois”, conta Pedro Marques, “além de ser bonito!”

Uma versão de demonstração está prevista para ser lançada ainda neste mês.

Pequi

O aluno ainda diz que, quando o Pequi foi fundado pelos alunos, a intenção é que ele fosse para projetos práticos. “Mas percebemos que não sabíamos muito sobre animação. Então a gente divergiu um pouco o foco para nos tornarmos um grupo de estudos”, conta. “Fomos notando que as pessoas têm interesse, mas o curso não permite estudar muito animação”. Só existe uma disciplina a respeito dessa linguagem na grade curricular. Por isso, o Pequi também tenta estimular a produção de animação por meio de eventos de divulgação.

O Pequi é uma das linhas do Zootropo, Grupo de Estudos em Animação e Motion Graphics do CTR, criado há dois anos e coordenado pelo professor João Paulo Amaral Schlittler Silva. Os objetivos do grupo são pesquisar teoria e história de filmes de animação, vinhetas animadas e aberturas de filmes e linguagem de vídeo para a televisão, além de produzir esses materiais. Eles também organizam atividades como mostras de filmes, workshops, seminários, simpósios e oficinas.

Oceano foi eleito o melhor filme de animação da América Latina, em 2017, pela International Association of Film and Television Schools

Outras linhas de pesquisa do Zootropo são o Anima e o Motion Lab. Eles foram fundados pelo professor João Paulo Schlittler depois do nascimento do Pequi. “Comecei a participar de bastante congressos, eventos e festivais para aprender mais sobre a área”, afirma o professor. E, com isso, oficializou o Pequi como grupo de estudos e criou o Anima: "começou de eu juntar as pessoas de pós-graduação e a gente compartilhar as pesquisas em animação”.

Segundo Schlittler, esses grupos têm mais pesquisas teóricas e históricas, diferentemente da proposta do Motion Lab: a proposta “é abrigar pesquisas na área de design, de interatividade, das fronteiras da animação”, diz o docente. “Ele promete ter projetos experimentais mesmo”.

 

Texto: Mirella Coelho