Arte e Filosofia se misturam? Descubra nessa nova publicação

Livro recém-lançado conta com artigos de professores do CMU e aborda a convergência entre os dois campos do saber

 

A Filosofia, considerada a mãe das ciências, é caracterizada pela linearidade e a predominância do pensamento racional. A Arte, por sua vez, é vista por muitos como transgressora e heterogênea. Desse ponto de vista, ambas parecem antagônicas, modos distintos de enxergar a realidade a ponto de não convergirem. Entretanto, autores como Friedrich Schlegel e Friedrich Nietzsche contestaram tal noção mostrando que estes campos possuem afinidade entre si.  

Nesse contexto, artigos escritos pelos professores da ECA Mário Videira e Mônica Lucas, do Departamento de Música (CMU), se unem a textos de outros autores no livro Arte e Filosofia, lançado em outubro pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e que agora é disponibilizado gratuitamente na internet. A fim de levantar hipóteses e discussões acerca da comunhão entre Filosofia e Arte, a publicação traz uma série de trabalhos apresentados no evento IV Simpósio Diálogos: Arte e Filosofia, organizado por Ubirajara Rancan de Azevedo Marques, professor de Filosofia na Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Marília. 

Intitulado Arte e Filosofia, o livro reúne as contribuições de dezesseis pesquisadores presentes no evento, somando-as ao pensamento dos autores que antes contestaram a norma, como os citados no início. Desse modo, o objetivo do livro é reconhecer a união desses campos, compreendendo-os como troncos de uma mesma árvore que se entrelaçam. 

 Foto: capa do livro Arte e Filosofia

 

O capítulo da professora Mônica Lucas

A professora Mônica Lucas escreveu o segundo capítulo do livro, intitulado O conceito de invenção musical em Johann Mattheson (1739). A partir de um levantamento histórico, ela investiga como o período da Reforma Luterana produziu fortes reflexões sobre a música e a linguagem, tomando como base terminologias derivadas da retórica e poética clássicas para descrever fenômenos musicais. Baseando-se no escrito Der vollkommene Capellmeister (O mestre-de-capela perfeito, 1739), de Johann Mattheson, ela aprofunda sua análise fundamentada no conceito de invenção melódica do autor, sob a ótica de retórica musical.

O capítulo do professor Mário Videira

O professor Mário Videira escreveu o quarto capítulo do livro, com o título Schiller, Körner e a questão da estética musical, cujo objetivo é “examinar as concepções estéticas referentes à música em textos selecionados de Schiller e Körner”. Para isso, Mário se baseia na obra de Kant, Crítica da Faculdade do Juízo (1790), com o propósito de restabelecer seus principais pontos, bem como a influência no projeto estético de Schiller para, em seguida, fazer a correlação entre Schiller e Körner. Em seguida, o professor busca demonstrar a ideia de que o conceito de “caráter”, estabelecido por Körner, é tributário do pensamento retórico-musical de Mattheson.

O livro completo está disponível para download e pode ser acessado clicando aqui.