A arte entre cores, pinturas e filosofia

Versatilidade é um conceito que se aplica a Marco Garaude Giannotti.  Desde muito cedo, o professor do Departamento de Artes Plásticas (CAP) construiu uma carreira de modo interdisciplinar e plural. Misturando conhecimentos refinados, estudos filosóficos e experiências internacionais, o docente ganhou notoriedade tanto no campo acadêmico quanto no experimental e acabou por se estabelecer como um grande nome do cenário artístico e cultural brasileiro.

Giannotti nasceu na cidade de São Paulo em 1966 e logo cedo começou a se envolver com as artes plásticas. Aos 14 anos de idade, passou a frequentar o curso de desenho e gravura em metal no ateliê do artista Sérgio Fingermann. Entre 1982 e 1984, o docente viveu na cidade de Nova Iorque, onde teve um contato direto com a produção contemporânea e assistiu a aulas no Metropolitan Museum of Art. E o trajeto internacional estava apenas começando: em 1986 ele fez um curso de seis meses sobre História da Arte na Escola do Louvre, em Paris, e em 1988 passou quatro meses em Berlim estudando alemão.

O docente reconhece a enorme importância de sua experiência em outros países. “Nos Estados Unidos e na Europa tive a oportunidade de conviver com os melhores museus do mundo, bem como assistir a filmes, concertos, peças de teatros e dança. As viagens foram fundamentais na minha formação”, comenta. Nesse meio tempo, Giannotti já iniciou sua produção artística, tendo participado de sua primeira exposição no Salão Nacional, promovido pela FUNARTE.

Ao mesmo tempo em que buscava sua formação artística por meio de atividades mais práticas e dinâmicas, Marco Giannotti também mergulhou no estudo acadêmico das ciências humanas. Em 1988, se formou em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) – mesmo ano em que realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Paulo Figueiredo – e, em 1993, completou o  mestrado em Filosofia, também pela FFLCH-USP.


A imagem mostra uma das obras de "Fachadas", exposição de Giannotti que esteve em cartaz no ano de 1993

“Sempre busquei uma formação acadêmica ampla na Universidade. Neste sentido, o bacharelado em Ciências Sociais e o mestrado em Filosofia foram muito importantes”, afirma Giannotti. O docente também valoriza o aprendizado e a influência do contato com excepcionais mestres do cenário nacional: “Tive também a oportunidade de conviver desde jovem com grandes artistas como Mira Schendel, Haroldo de Campos, Paulo Figueiredo, Nelson Brissac Peixoto, Nuno Ramos, Rodrigo Andrade, Fábio Miguez, Carlito Carvalhosa, Paulo Pasta, Cássio Vasconcellos, Eder Santos, José Spaniol, Alberto Tassinari, Lorenzo Mammi, Rodrigo Naves, Paulo Sergio Duarte, Ronaldo Brito entre outros”.

Marco Giannotti ingressou na Escola de Comunicações e Artes em 1994, quando iniciou os estudos no programa de pós-graduação em Poéticas Visuais, do CAP. Quatro anos mais tarde, apresentou seu doutorado no Paço das Artes com uma exposição e uma reflexão crítica sobre o fenômeno cromático na arte moderna. Desde então, o artista tem desenvolvido suas atividades e pesquisas no CAP, departamento em que  obteve Livre-Docência em Artes em 2005.

Em suas aulas para alunos de graduação e pós-graduação, o professor expõe seus conhecimentos em pintura, estética, filosofia da arte e poéticas visuais. Para Giannotti, sua formação plural e a interação entre as ciências humanas e as artes plásticas são de fundamental importância na sua atividade como docente. “As minhas aulas na universidade sempre englobam questões ligadas a História da Arte, Sociologia, Antropologia e Filosofia da Arte”, declara.

Apesar da diversidade em seu trabalho, Giannotti não hesita em definir qual a principal linha de construção da sua atividade acadêmica e artística: “O cerne da minha pesquisa está centrado na questão cromática desde meu Mestrado, no qual realizei uma tradução parcial de Doutrina das Cores, de Goethe. Há cerca de oito anos, coordeno um grupo de estudos cromáticos no Departamento de Artes Plásticas”.


Segundo Giannotti, as experiências internacionais foram fundamentais tanto para sua formação como artista quanto para sua carreira como docente

Assim como em sua formação artística inicial, a trajetória de Marco Giannotti como docente é marcada por  grande experiência internacional. Entre março de 2011 e março de 2014, atuou como professor visitante na Kyoto University, onde ministrou cursos e conferências. “Lá pude ver como a cultura oriental é praticamente ignorada no Ocidente”, declara o docente.

Em toda sua carreira, Giannotti também consolidou sua importância no cenário artístico por meio de diversas exposições nacionais e internacionais. Entre as mais relevantes, ele destaca sua primeira mostra individual, em 1988, as duas Bienais do Mercosul curadas por Fábio Magalhães, em 1999 e 2001, e as duas exposições que fez com Nelson Brissac Peixoto, no projeto Arte Cidade. Sobre o papel das exposições, o professor comenta: “A exposição é o momento onde o artista pode ver seu percurso com uma certa distância. É parte fundamental da minha atividade artística”. Além das mostras já citadas, Giannotti afirma que “as exposições individuais nas Galerias Paulo Figueiredo, São Paulo, Camargo Vilaça e Raquel Arnaud também foram bastante significativas”.

A ligação de Marco Giannotti com a arte, o desenho, a pintura e até mesmo a crítica é tão forte que nem em seus momentos de lazer ele se consegue se desligar totalmente do mundo artístico. Como atividades “alternativas”, o professor do Departamento de Artes Plásticas diz que gosta muito de “cozinhar, visitar exposições, ler, ir à praia, assistir filmes e ouvir música – na maioria das vezes clássica”.

 

Texto: Gustavo Pessutti
Imagens: Arquivo Pessoal