Aula inaugural do PROLAM debate a importância da integração entre países

A abertura do semestre letivo do Programa de Pós-graduação de Integração da América Latina (PROLAM) foi marcada pela presença de autoridades de países como Equador, China, México e Peru. Foram duas palestras: Relações atuais entre China-Brasil e China-América Latina, com participação da cônsul-geral da China Chen Peijie e, logo depois, foi a vez do cônsul-adjunto do México, L.G. Hernandez Madrigal, com a palestra México em São Paulo: cultura e cooperação.

China: um país muito próximo do Brasil

“Este ano há o marco do 45º aniversário do estabelecimento de nossas relações, e com certeza, faremos comemorações em grande escala deste marco, já que a troca entre países de grande potência e desenvolvimento proporciona com que ambos, apesar de distantes, se apoiem nos mesmos objetivos”, lembrou a cônsul da China, Chen Peijie. 

República Popular da China e Brasil estabeleceram relações oficiais no dia 15 de agosto de 1974. Antes disso, em 1960, Cuba foi o primeiro país latino-americano a firmar relações diplomáticas com o país oriental, que havia sido fundado em 1949, o que acabou incentivando outros países da América Latina a seguir o mesmo caminho.

Além das metas de ampliação de canais de crédito da China para a América Latina de um modo geral, um dos objetivos do consulado é o incentivo à educação e o intercâmbio cultural entre os dois países. Durante a palestra, a cônsul geral destacou o número das salas de aula confúcio no Brasil: em 2018, eram 40, além de quatro Institutos Confúcio, que possuem o intuito de ensinar mandarim, filosofia e cultura chinesa no país. Por sua vez, a China possui atualmente mais de 20 centros de línguas de português e espanhol.


Cônsul da China, Chen Peijie participa de aula inaugural do PROLAM

Segundo a cônsul, turistas chineses estão vindo cada vez mais ao Brasil e América Latina com o intuito de fortalecer o intercâmbio cultural, conhecer nossas manifestações e costumes e visitar cidades de países vizinhos, como Machu Picchu e Tierra del Fuego. Chen Peijie também enfatizou o reconhecimento dos chineses em relação à USP, considerada a melhor universidade do nosso país para pesquisa e difusão cultural.

Outro ponto de destaque foi em relação ao incentivo artístico oferecido pelo governo chinês: a cada dois anos são destinados recursos para subsidiar a vinda de grupos, músicos e bailarinos para se apresentarem no Brasil durante as cerimônias e festividades do Ano Novo Chinês e também no Festival da Lua.

Para Vitor Gabriel Rodrigues, docente do PROLAM e mediador da mesa, “o que é mais marcante é que a China há anos não mede esforços para ter uma aproximação com o nosso país”.

Brasil e México: parceria histórica

Com uma reflexão sobre a importância da identidade cultural da América Latina, o cônsul adjunto do México, Luis Gerardo Hernandéz Madrigal, levantou a seguinte questão: “como nós latino-americanos enxergamos a nós mesmos? E aonde queremos chegar?” Em seguida, apresentou alguns dados históricos do México, referentes ao período colonial, enfatizando que “os intercâmbios culturais entre os países acontecem desde sempre.” Salientou ainda a importância do governo pós-revolucionário, que segundo ele, “fez muito pela educação do país”.

Ainda sobre o intercâmbio entre países, falou sobre empresas mundialmente conhecidas, como a Coca Cola Femsa, originária do México, mas que está presente no mundo de forma abrangente. Outro dado curioso é que o pai de Alfonso Reyes Coronado, atual presidente da Coca Cola Femsa, foi embaixador do México no Brasil entre os anos de 1930 e 1938, sendo um grande divulgador da cultura brasileira em terras mexicanas, escrevendo mais de 50 ensaios, artigos e informes sobre o Brasil. Foi também precursor em nosso país de mídias que difundiram a cultura do México, como o Correo Literário Monterey, forma de se comunicar com escritores de ambos países.


Cônsul-adjunto do México, Luis G. H.Madrigal falou sobre as parcerias entre México e Brasil

Madrigal também apresentou o projeto Escolas México, fundado em 1996 com o intuito de promover a educação na América Latina e impulsionar a amizade entre seus povos com o povo mexicano. Hoje o programa inclui 147 escolas, três das quais estão no Brasil: uma em Brasília, outra em São Paulo e mais uma no Rio de Janeiro. O projeto é organizado pela Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AMEXCID) pelas embaixadas mexicanas. 

Por fim, o cônsul fez um pedido: “eu ficaria muito feliz se vocês, em seus estudos da pós graduação, incluíssem alguma coisa sobre o México.”

 

Texto e fotos: Samantha Nascimento