Carlos Moreira, o "Cartier-Bresson paulistano", é homenageado em artigo do Jornal da USP; fotógrafo foi professor da ECA

Texto foi escrito pelo professor Ismail Xavier, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR)

 

Falecido aos 83 anos no dia 11 de junho, Carlos Moreira dedicou sua vida à prática e ao ensino da fotografia. Inicialmente influenciado pelo francês Henri Cartier-Bresson e outros fotógrafos da Agência Magnum, Moreira desenvolve, sobretudo a partir dos anos 60, um estilo mais pessoal, marcado pela atenção ao outro e pela percepção aguda das transformações da vida urbana na segunda metade do século XX. O rigor na composição da imagem permanece, no entanto, como um dos principais traços de sua obra. 

Ismail Xavier, professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), comenta em artigo do Jornal da USP essa e outras características do trabalho fotográfico de Moreira: “foi um mestre do instantâneo como poucos, sempre dentro de um apuro formal na composição e de uma captura de expressividades capaz de revelar, pela textura de gestos e expressões, um estado de espírito, um lance do acaso ou a solidão de figuras que fotografou com muita sensibilidade pelas ruas e praças de São Paulo e outras grandes cidades que visitou.”

 

fotografia preto e branco de Carlos Moreira mostra multidão em ponto de ônibus

Fotografia de Carlos Moreira que integrou a mostra São Paulo dos Olhos para Dentro, exibida na Pinacoteca em 2004. Foto: Carlos Moreira / Divulgação

O docente classifica ainda como “inesquecível” a passagem de Moreira pelo laboratório de fotografia do então curso de Cinema da ECA, onde lecionou entre as décadas de 70 e 90, “trazendo uma excelente formação a seus alunos e enriquecendo a cultura visual de tantos jovens que seguiram as variadas carreiras próprias ao campo do audiovisual." Após sair da ECA, o fotógrafo continuou a dedicar-se ao ensino, fundando sua própria escola de fotografia, a M2. 

Ao longo de sua carreira, o artista e professor teve o trabalho exposto em diversas instituições, incluindo o Masp e a Pinacoteca. Os responsáveis pelo seu imenso arquivo – 80 mil fotogramas em preto e branco e 150 mil coloridos, além de outros milhares de fotografias digitais –  pretendem criar uma fundação para preservar e divulgar sua obra e pesquisa fotográfica.

Em breve, a obra e as reflexões do fotógrafo poderão ser conferidas nas telas de cinema. Encontra-se em fase de edição um documentário sobre Moreira, resultado de três anos de encontros semanais com o documentarista e também fotógrafo Fábio Furtado. 

Para ler na íntegra o artigo de Ismail Xavier sobre Carlos Moreira, clique aqui.