Bernardo Kucinski recebe Prêmio Jabuti com o livro “Cartas a Lula"

Bernardo Kucinski, jornalista, escritor, cientista político e professor da ECA, recebeu o terceiro lugar na categoria Comunicação no 57º Prêmio Jabuti com o livro Cartas a Lula – o Jornal Particular do Presidente e sua influência no Governo do Brasil. “Eu suspeitava que venceria porque em geral as obras nesse campo são extremamente tediosas e às vezes ultrapassadas frente à rapidez da atual revolução na área, ao passo que Cartas a Lula é um trabalho de conteúdo mais político e mais permanente”, analisa Kucinski. 

O livro é uma seleção de textos produzidos entre 2003 e 2006, momento em que Kucinski atuou como assessor especial de comunicação da Presidência da República em um dos governos mais importantes da história do país, o primeiro mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva. “A oportunidade surgiu por eu ter participado da campanha que elegeu Lula. A experiência foi rica e me introduziu num campo novo, o da comunicação pública de governo, que fomos estudar na Inglaterra e Estados Unidos e sobre o qual ministrei um curso pioneiro, logo  depois, na ECA”, conta o professor da Escola. “Também me ensinou muito sobre o exercício do poder e a natureza do aparelho de Estado brasileiro. Entretanto houve também muita frustração frente ao estado primitivo e precário da comunicação de governo no Brasil”.

                                                                                                                                 Capa do livro premiado no Jabuti

 

PT: avanços sociais, mimetismo político

Kucinski, quando questionado sobre os desdobramentos do Partido dos Trabalhadores após à ascensão ao poder no governo Lula (do qual fez parte na comunicação), destaca os enormes avanços, modificando a cara do povo brasileiro e reduzindo drasticamente a miséria e mortalidade infantil. “Sob o ponto de vista dos interesses econômicos e sociais  dos trabalhadores e mesmo de grupos específicos oprimidos, como quilombolas, mães solteiras, os sem-terra, os sem moradia, os sem escola, e os indígenas, as gestões do PT promoveram grandes progessos, mérito que se deve em grande parte à perseverança do presidente Lula, hoje injustamente vilipendiado. Os programas sociais, nas áreas do atendimento à saúde, da defesa dos direitos humanos, como Bolsa Família, o Prouni, o Minha Casa minha Vida e grande número de outras políticas públicas menos conhecidas beneficiaram muito as camadas menos favorecidas”.

No entanto, sob o ponto de vista da prática política, o partido perdeu a oportunidade de repetir o avanço e não reproduzir práticas ilícitas tão batidas em nosso cenário. “O PT acabou por trazer decepção profunda ao povo brasileiro e  a seus militantes de base, ao mimetizar a prática política dominante em vez de tentar subvertê-la”.
 

Recordações e projetos da ECA 

Quando questionado sobre as importâncias da ECA em sua formação, Kucinski lembrou com nostalgia de projetos que participou e ajudou a criar, ressaltando a importância da Escola em sua formação. “O principal foi sem dúvida o projeto do Jornal do Campus, que desnudou os privilégios da cúpula universitária, levando-a até a produzir um veículo próprio para se contrapor  a ele, o atual Jornal da USP. Houve outros projetos importantes como o "Nossa América Latina", que levava estudantes a realizarem reportagem internacional em tempo real. Também criei nesse tempo a disciplina "Jornalismo Econômico", que depois se disseminou por outras escolas de jornalismo e a disciplina 'Jornalismo Internacional'”, finalizou.

                                 
                      Bernardo Kucinski participou da criação de projetos que inovaram o curso de jornalismo da ECA

 

Texto: Felipe Ruiz
Fotos: Carolina Ribeiro e Vacatussa