Cerimônia de encerramento marca fim de convênio entre ECA e Seja Digital

Um convênio, firmado entre a USP e a Seja Digital, chegou ao fim esta semana. Com o intuito de apoiar as campanhas de mobilização social da instituição acerca da migração entre o sinal analógico e o digital de televisão, o projeto iniciou-se em janeiro, sob coordenação do professor Almir Almas, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), em parceria com o Grupo de Pesquisa Laboratório de Arte, Mídia e Tecnologias Digitais (LabArteMídia), o Observatório Brasileiro de Televisão Digital e Convergência Tecnológica (Obted) e o Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, e finalizou-se com uma cerimônia celebrada no dia 26 de junho, no Auditório Lupe Cotrim.

O convênio

Após uma década da inserção do sinal digital nas operações de transmissão televisiva, em março de 2017 a cidade de São Paulo teve o sinal analógico de televisão totalmente desligado, passando ainda por uma transição quase completa para a tecnologia digital. O processo, iniciado em 2015, foi denominado switch off e, de acordo com Almas, trará “maior qualidade de áudio e vídeo”, além de “melhorar o sinal de telefonia 4G”, já que este ocupará o espaço deixado pelo sinal analógico.

De modo a operacionalizar a migração entre os dois sinais, foi criada a Seja Digital, uma instituição não-governamental e sem fins lucrativos cujo trabalho consiste em garantir que a TV digital seja acessível a toda a população e que todos os processos necessários para a transição sejam atingidos. Assim, a organização atuou distribuindo kits de TV digital à famílias de baixa renda e realizando campanhas de divulgação e conscientização acerca da mudança.

Pensando em otimizar as campanhas de divulgação, a Seja Digital mantém diversos convênios com universidades de todo o Brasil. No caso da USP, a instituição procurou o LabArteMídia e o Obted, ambos coordenados por Almas, referência nos estudos da televisão digital, para pensar em ações de apoio à Campanha de Mobilização Social. A parceria, que durou seis meses, foi completamente planejada pelo laboratório e pelo observatório e contou, ainda, com a contribuição de 17 alunos da graduação e da pós-graduação, “que passaram por processos de aprendizagem e pesquisa durante a execução do convênio”.

Na USP, o convênio atuou em três linhas de ações: a primeira, através da elaboração e realização de um programa ao vivo por mês sobre o switch off, com debates e entrevistas, transmitidos via streaming pelo IPTV-USP; a segunda, com a criação de pílulas jornalísticas, vlogs e videocasting curtos sobre a temática, disponibilizados semanalmente pelo IPTV-USP e pelo canal São Paulo Digital, no YouTube e, por fim, a terceira, com a exibição de material de divulgação nas salas de espera do Hospital Universitário, Faculdade de Odontologia e Instituto de Psicologia, locais de atendimento social da Universidade, transmitidos sempre em situações em que os alunos estavam presentes para tirar quaisquer dúvidas que viessem a surgir.

Segundo Almas, o mais interessante do convênio foi a possibilidade de ter participado das campanhas de divulgação da Seja Digital E as ações da USP conseguiram atingir bons resultados: em São Paulo, de acordo com o docente, o fim do switch off mostrou um índice “de mais de 95% dos lares com o sinal analógico desligado”.

Cerimônia de Encerramento

Almas abriu o evento comentando acerca do processo de transição entre o sinal analógico e o digital, denominado de switch off. Na sequência, explicou todo o convênio, de seus intuitos aos modos de organização, passando ainda pelas principais atividades elaboradas e praticadas pela parceria, a saber, a produção e exibição de vídeos elucidativos em diferentes plataformas, bem como a visita e subsequentes conversas com os moradores de diferentes bairros de São Paulo. O professor, passou, então, um pequeno vídeo de resumo sobre o projeto, com declarações sobre sua importância e depoimentos de pessoas que haviam passado pelo processo de transição em seus lares, entre outros assuntos. 

"A ECA participou desde o começo das pesquisas sobre a televisão digital. Estar presente neste final é de importância fundamental para a Universidade de São Paulo e especialmente para nós, do CTR", pontuou Almir Almas.

Em seguida, Almas chamou para participar do evento o Eduardo dos Santos Mendes, chefe do CTR; Cecília Zanotti, gerente de mobilização social da Seja Digital, e Eduardo Monteiro, diretor da ECA. Mendes disse se sentir honrado pelo departamento ter sido escolhido para fazer parte desse processo e agradeceu a Seja Digital por “todo o projeto de pesquisa, produção e cultura e extensão que se envolveu nesse projeto”. Cecília Zanotti, por sua vez, agradeceu a Escola pela oportunidade de unir a prática e pesquisa e de vivenciar a energia dos alunos, aspectos que, para ela, foram alguns dos mais interessantes de todo o processo. 

Cecília Zanotti: "Trabalhamos com mais de 700 organizações e o convênio com vocês foi uma dessas parcerias que nos ajudou a comunicar para muita gente e engajar toda a população nesse processo". 

Eduardo Monteiro revelou, então, que ver  "uma iniciativa dessa natureza, com resultados práticos e o envolvimento dos alunos, é fundamental", já que, na sua opinião, a área da ECA que mais precisa crescer é a extensão, ainda pouco explorada em relação ao potencial da Escola. O professor comentou, assim, que está aberto à novas parcerias, desejando que a ECA "saiba cada vez mais abrir os olhos da Universidade para a sociedade". 

Para finalizar o evento, Cecília pediu para que os alunos envolvidos no convênio dividissem suas experiências sobre a participação no projeto. Segundo o grupo de estudantes que foi à mesa, um dos maiores pontos positivos foi a oportunidade de terem sido da USP e conhecido pessoas de histórias diferentes, em espaços distintos. Também, revelaram que a parceria propiciou-lhes aprendizados práticos muito importantes, com os quais vários deles não tinham tido contato até então.  

Como uma última nota, Almas ressaltou que o projeto foi "uma oportunidade única e que abriu muitas possibilidades para que o LabArteMídia possa continuar atuando dentro dos três pilares da Universidade".

Texto: Victória Martins
Fotos: Verônica Cristo