CJE recebe ex-ministro da Agricultura no simpósio sobre jornalismo e agronegócio

No dia 2 de abril, quarta-feira, o Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) recebeu o I Simpósio O Agronegócio no Brasil e no Mundo e suas relações com o Jornalismo. O evento foi organizado pelo professor André Chaves de Melo Silva, responsável pela disciplina Jornalismo em Agrobusiness e Meio Ambiente no Brasil, juntamente com a Associação Brasileira de Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (ABAG/RP).

A abertura do Simpósio foi feita pelos professores Eduardo Monteiro, vice-diretor da Escola,  André Chaves Silva, (CJE),  e Mayra Rodrigues, chefe de departamento do CJE, que deram as boas-vindas aos convidados: os jornalistas Humberto Pereira e Gustavo Porto, e Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura do governo Lula entre 2003 e 2006.

Roberto Rodrigues, que é professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e engenheiro agrônomo, começou sua fala apresentando a visão negativa que o povo brasileiro, que é majoritariamente urbano, tem em relação ao agronegócio. Em suas palavras, desde Pero Vaz de Caminha essa imagem vem sendo formada já que em sua carta sobre o Brasil, ele escreveu “Aqui tudo que se planta, dá”.

A partir disso, cria-se uma ilusão de que o Brasil tem terras férteis, o que é mentira. Apesar de ser líder de produção e exportação agropecuária, o principal motivo do sucesso da agricultura brasileira é a grande inovação tecnológica sustentável que é utilizada pelos produtores daqui, e esse fato é muito pouco assimilado pela população. Além disso, ele menciona personagens da literatura, como Jeca Tatu, que também pintam uma imagem pejorativa de que morar e trabalhar em fazendas é coisa de gente preguiçosa, que não estuda e não tem como ser bem-sucedido nas cidades.

Essa visão, na opinião de Roberto Rodrigues e de todos os outros presentes, tem que mudar. Como exemplo dessa mudança, ele citou Chico Bento, personagem famoso de Maurício de Sousa: quando criança, nos gibis da Turma da Mônica, Chico Bento era um caipira que não se dava bem na escola, falava errado e que gostava de ficar à toa comendo goiabas. Na versão nova, Turma da Mônica Jovens, Chico se tornou estudante de agronomia na Escola Superior de Agricultura Luiz de Querioz, no campus Piracicaba da USP, com a intenção de mostrar que o agronegócio deve ser mais valorizado. Para ele, a comunicação e o jornalismo têm o poder de transmitir à população uma nova visão real e positiva do trabalho rural.

Em seguida, Humberto Pereira, diretor do Globo Rural (TV Globo), contou um pouco da história do programa. Ele explicou que em 1979, quando a televisão deixou de ser exclusividade das áreas urbanas, surgiu a necessidade de criar um programa televisivo direcionado para o público rural. Foi escolhido o formato jornalístico, para que agricultores tivessem espaço para falar e mostrar seu trabalho, e não de passarem por uma tentativa da televisão de ensiná-los a realizar suas próprias atividades. Apesar de dificuldades no início, quando outros jornalistas caçoavam da produção do programa chamando-o de Mandioca News (notícias sobre a mandioca), atualmente o Globo Rural é vencedor de inúmeros prêmios de jornalismo.

Gustavo Porto, jornalista da Agência Estado, foi o último a falar. Ele mostrou a ferramenta Broadcast, utilizada pelos clientes da Agência para receber notícias em tempo real e, no caso, sobre o agronegócio. Além disso, contou um pouco sobre sua carreira como jornalista da Agência, explicando que um dos principais desafios é transmitir as notícias o mais rápido e sinteticamente possível para que os clientes possam fazer suas decisões em um período curto de tempo.

Foi dado espaço para dúvidas do público, e uma das perguntas foi em relação ao espaço no mercado para jornalistas que queiram trabalhar cobrindo o agronegócio. Humberto Pereira respondeu que não só há espaço como é preciso que haja espaço sempre. Os jornais diários não destinam  grandes espaços de suas páginas para a agricultura, mas cada vez mais surgem revistas e publicações online especializadas que precisam de bons profissionais.

por Letícia Miti Koizumi Sakata