Comissão apresenta relatório com as principais ações de promoção dos direitos humanos na ECA

Em tempos em que o debate sobre os Direitos Humanos levanta uma série de questões na sociedade, a ECA viu a necessidade de reformular a sua Comissão de Direitos Humanos (CDH) e traçar estratégias para ter um impacto maior na unidade. Em 2018, preparou uma campanha e uma série de atividades e materiais com o intuito de atender denúncias e combater a discriminação racial, as violências de gênero, o machismo, a lgbtfobia, a xenofobia, preconceitos e assédios na ECA.

A comissão é presidida por Claudia Lago, professora do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) e é formada por funcionários e funcionárias, docentes e estudantes dos mais variados perfis, com representantes de todos os departamentos. O objetivo é, entre outros, desenvolver ações educativas para a promoção dos Direitos Humanos na ECA e acolher e atuar nas necessidades das pessoas que foram atingidas por algum tipo de violência ou discriminação, oferecendo apoio e acompanhamento em denúncias.

No último dia 20 de março, a CDH apresentou à Congregação da ECA um relatório com detalhes das ações realizadas ao longo de todo o ano passado e que serão ampliadas em 2019.


Outdoor veiculado na ECA no ano passado para divulgação da Comissão de Direitos Humanos. Foto: Susana Narimatsu Sato

A Comissão de Direitos Humanos da ECA em 2018

Uma das iniciativas da CDH em 2018 foi a veiculação de um outdoor e também folders, distribuídos em toda a unidade, para dar visibilidade ao trabalho da comissão. Além disso, houve o estímulo e melhoria para o acesso do site da CDH.

Outra ação de destaque foi a indicação de concessão do título de honoris causa à Luis Gama, em função da importância de sua atuação pública pela causa abolicionista. Segundo o relatório, o reconhecimento à Luis Gama visa "promover um reconhecimento na universidade da necessidade de valorizar o esforço na luta pelo avanço da temática étnico-racial". A Congregação da ECA acolheu por unanimidade a solicitação, reconhecendo o histórico de atuação do abolicionista.

As atividades de educação e promoção dos Direitos Humanos foram muito presentes na unidade ao longo de todo ano. Em março do ano passado, foi realizada a mesa Discriminações Nossas de Cada Dia. Vamos desenhar? que reuniu três mulheres da Comissão: Andrea Guerra, Claudia lago, e Thaise Desirree, além de Mayara Paixão, pelo CALC, Anna Guedes, pelo Coletivo Feminista e Malu, pelo Opá Negra. O evento teve como objetivo compartilhar com professoras, alunas e funcionárias experiências que procuram despertar a discriminação que as mulheres, alunas, servidoras e professoras, sofrem no ambiente universitário.

Um evento que também teve grande repercussão foi a realização do segundo Encontro Fazendo e Desfazendo o Gênero na ECA, que ocorreu em agosto de 2018, reunindo estudos de gênero e sexualidade. O encontro procurou mais uma vez fortalecer as discussões sobre gênero, relacionando-as às duas grandes áreas de atuação da ECA, Comunicações e Artes. O objetivo foi dar continuidade ao diálogo e tratar sobre identidades, políticas, desigualdades e diferenças que acompanham os corpos. Na segunda edição o evento recebeu setenta trabalhos, quarenta a mais que na primeira edição, de  professores e estudantes de graduação e pós-graduação. Entre as temáticas abordadas estão: as implicações das representações de gênero e construções das feminilidades, masculinidades e sexualidades na sociedade, dentro do jornalismo, da publicidade, das novelas, dos quadrinhos, da cultura popular, da música, do audiovisual e de diversas outras áreas.


Da esquerda para a direita: Claudia Lago, Thaise Desirree e Andrea Guerra, integrantes da CDH, durante a mesa: Discriminações Nossas de Cada Dia. Vamos desenhar?. Foto: Mirella Coelho

Um tema que tem sido discutido na Universidade é a questão da saúde mental. O dia 10 de outubro foi escolhido como combate à doença psíquica, que tem aumentado em nossa sociedade como um todo, inclusive em ambientes acadêmicos. Para tratar do assunto, a CDH, realizou nesta data um encontro com a participação da professora Katia Rubio, da Escola de Educação Física e Esporte da USP, com o intuito de contribuir de forma preventiva e discutir os problemas que afetam o bem-estar de estudantes, servidores-técnico administrativos e docentes da ECA. Em novembro, a Licenciatura em Educomunicação promoveu o debate Interseccionalidade: uma perspectiva urgente, para discutir como sistemas de opressão social marcadores de diferenças como raça, gênero, sexualidade, classe e outros que se combinam para reproduzir desigualdades sociais e, consequentemente, gerar problemas psíquicos nas vítimas.

Na apresentação do relatório à Congregação, o secretário da CDH, Omair Guilherme Tizzot Filho, representando a presidente da comissão, ressaltou a relevância do envolvimento dos departamentos da ECA para a promoção dos direitos humanos dentro da Escola. "É muito importante a participação dos departamentos dentro da comissão, cuja finalidade é promoção e respeito aos direitos humanos na unidade e, paralelamente a isso, tem aquele trabalho muito delicado e difícil de recebimento das denúncias", concluiu. 


Mesa do evento Fazendo e Desfazendo Gênero na ECA, ocorrida em agosto de 2018. Foto: LAC-ECA

Texto: Samantha Nascimento