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Os cursos da ECA atingiram as notas 4 e 5 na mais recente avaliação divulgada pelo Guia do Estudante, sendo a nota 4 classificada como muito bom e a nota 5, excelente. Os avaliados com nota 4 são: publicidade e propaganda, turismo e audiovisual. Já os cursos de artes cênicas, artes visuais, biblioteconomia, educomunicação, jornalismo, música, relações públicas e editoração foram avaliados com nota 5 – tanto as licenciaturas quanto as habilitações. Todos os cursos receberam o selo de qualidade do Guia do Estudante. 

Os cursos de graduação oferecidos pela ECA têm duração de 8 a 12 semestres, de acordo com a habilitação escolhida. O ingresso é feito pelo vestibular organizado pela FUVEST e pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU).

O coordenador do curso de Publicidade e Propaganda e professor do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismi (CRP), Hugo Fortes, acredita que o principal motivo que levou o curso a receber o selo de qualidade foi corpo docente altamente qualificado, exclusivamente formado por professores doutores. Ele ressalta também a qualidade do aluno da USP e o fato de o curso estar inserido na estrutura da Universidade, que possibilita que o estudante "tenha acesso a uma grande oferta de disciplinas optativas de outras unidades, a atividades de cultura e extensão, a uma imensa coleção bibliográfica e a um significativo parque tecnológico". 


Alunos de Publicidade e Propaganda, curso avaliado com nota 4 pelo Guia do Estudante. Foto: Mariana Chama

Outro exemplo é o curso de artes visuais, avaliado com nota 5. Luiz Cláudio Mubarac, chefe do Departamento de Artes Plásticas (CAP), ressalta que mesmo com a redução do corpo docente, de 22 para 14 professores, houve um grande esforço para manter a qualidade do ensino. Além disso, “o curso não se guia por padrões estabelecidos, e sim por princípios (...) que seriam ideias gerais e amplas de artes plásticas, mas sobretudo, fazer com que tenha um atendimento individual, encontrando o interesse particular de cada um”, explica o docente.

“Fico muito alegre, porque sou formado por esse curso, fiz vestibular em 1977, e depois de tantos anos tenho esse papel de coordenador em um curso tão renomado. Ainda honra a implantação original, que enfatizava um curso vivo, pensando em uma arte contemporânea.”


Aula do curso de graduação em artes visuais. Foto: Mariana Chama

A avaliação do Guia do Estudante é composta por uma pesquisa que inclui a atualização dos dados das instituições e a definição de quais cursos serão avaliados. Além disso, os coordenadores preenchem um formulário com informações gerais do curso. Por fim, avaliadores parceiros atribuem as notas, gerando uma média final que classifica os cursos em bons (três estrelas), muito bons (quatro estrelas) e excelentes (cinco estrelas). A avaliação inclui cursos de bacharelado ou licenciatura, presenciais, com turmas já formadas e em andamento, e processo seletivo próximo.

 
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Pesquisadora analisou história de artistas mulheres que contribuíram esteticamente à vanguarda paulistana. Fotografia retrata Ná Ozzetti, Suzana Salles, Eliete Negreiros e Vãnia Bastos em 1987. Foto: Mário Luiz Thompson.

Não só nas artes é comum a omissão das histórias de mulheres que contribuíram para existência de um determinado movimento. Tendo ciência disso, sendo feminista e engajada nessas pautas, além do interesse em analisar a produção musical dos anos de 1980, Luísa Nemésio Toller Motta desenvolveu sua dissertação de mestrado. Intitulada Se a obra é a soma das penas: um estudo feminista sobre as cantoras da Vanguarda Paulista, a pesquisa foi apresentada para a ECA e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Música.

Foram analisadas seis canções interpretadas por Tetê Espíndola, Vânia Bastos, Ná Ozzetti, Alzira Espíndola, Suzana Salles e Virgínia Rosa, a fim de dar visibilidade às obras e ampliar a discussão sobre as subjetividades da voz. Essa seleção se deu após a pesquisadora contemplar os discos solos de cada uma dessas cantoras e encontrar materiais que pudessem contribuir para análise de elementos musicais, textuais e temáticos.

Entre os anos de 1979 e 1985, surgiu uma “movimentação” cultural na cidade de São Paulo que ficou conhecida por Vanguarda Paulista. Embora seja caracterizado como um movimento, muitos artistas pertencentes a ele preferem não utilizar esse termo pelo fato dele não ter sido premeditado, como aconteceu com a Tropicália, em que artistas se reuniram para romper esteticamente a música. Na verdade, esse período foi composto por grupos independentes que contribuíram cada um à sua maneira, mas que possuem pontos de convergência.

A princípio, Luísa analisaria Os Mulheres Negras, dupla de Mauricio Pereira e André Abujamra, a fim de compreender como os recursos eletrônicos eram utilizados por eles em plena década de 1980. No entanto, após perceber que analisar dois homens se afastava do seu posicionamento político, foi sugerida a mudança na linha de pesquisa.

Assim, ao pensar como poderia fazer algo em relação à gênero sem se afastar completamente da música paulistana daquela época, Luísa cogitou a Vanguarda Paulista, consolidada como um período importante da MPB. Como a maioria das pesquisas mostravam os homens como protagonistas, foi preferido analisar as cantoras que contribuíram e construíram a estética deste movimento. “Existe na história da pesquisa das artes um apagamento das mulheres sendo participantes e criadoras da própria arte”, comentou.

Na pesquisa, foram analisados os espaços físicos do trabalho das mulheres e a difícil tarefa de conciliar carreira, casamento e família, além de precisar do aval masculino para poder permanecer no mercado. Dessa forma, a pesquisadora selecionou exemplos de como era antes da vanguarda para enfatizar a realidade dos fatos. De acordo com ela, a figura feminina caía em uma binaridade de “santa ou vadia”, levando em conta que as mulheres na vanguarda atuavam em vários meios, desde produtoras a jornalistas.

As cantoras, no entanto, até hoje possuem um símbolo construído. A voz feminina vem desde a figura da mãe, a primeira voz que todo mundo escuta, até a voz da sedução, que vem do imaginário das sereias e depois das prostitutas. Para Luísa, existe um imaginário na arte que constrói esse estereótipo do que é ser cantora.

No decorrer de sua análise, Luísa Toller se surpreendeu com o fato de muitas mulheres terem produzido pesquisas semelhantes à dela, mas que são pouco conhecidas e que deveriam estar em uma bibliografia básica de ensino: “Existe uma extensa bibliografia feitas por mulheres e que não chegam até nós”. Na pesquisa, é mencionada a pianista Ciça Tuccori, mas poucos dados foram achados sobre ela, o que enfatiza ainda mais o difícil acesso e o processo de apagamento das histórias de mulheres.

A pesquisadora critica o fato deste movimento ser, frequentemente, esquecido: “É estranho como muitas vezes a Vanguarda Paulista não é colocada na linha do tempo”. Ela acredita que ainda falta assimilar a ruptura estética que houve na época para, assim, divulgá-la. Mas lembra que há músicas analisadas que foram lançadas após essa época, o que demonstra como esse movimento contribuiu esteticamente para a música brasileira.

Texto originalmente publicado pela Agência Universitária de Notícias (AUN), de autoria do repórter Jonas Santana, estudante do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE)

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A Direção da ECA divulgou na tarde de hoje, dia 14, o resultado das eleições que elegeram os representantes dos ex-alunos e dos funcionários na Congregação da ECA.

Foram eleitos:

Representante dos ex-alunos:
Jennifer Monteiro (titular) e Ana Luiza da Silva Guímaro (suplente)

Representantes dos funcionários
Vilma Ohata de Almeida, do CJE (titular) e Ivone Vantini, do CTR (suplente)
Bruno Alexandre Ribeiro, do Serviço de Pós-Graduação (titular) e Rafael Cesar Leite Silva, do Serviço de Pós-Graduação (suplente)

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Os programas de pós-graduação da ECA divulgaram na última semana a lista de aprovados para os cursos de mestrado e doutorado, com ínicio em 2019. Ao todo, 186 novos alunos irão ingressar nos seis programas da Escola, nas seguintes áreas do conhecimento: Artes Cênicas, Artes Visuais, Ciências da Informação, Ciências da Comunicação, Meios e Processos Audiovisuais e Música. 

A pós-graduação em Artes Cênicas é dividida em duas áreas de concentração: Pedagogia do Teatro e Teoria e Prática do Teatro com linhas de pesquisa de Formação do Artista Teatral, Texto e Cena, História do Teatro e Teatro e Educação. Confira o resultado aqui.

Em Ciência da Informação, a proposta é desenvolver suporte técnico-metodológico nas linhas de pesquisa em Organização da Informação e do Conhecimento, Apropriação Social da Informação e Gestão de Dispositivos de Informação. Confira o resultado aqui.

O mestrado ou doutorado em Artes Visuais é organizado nas seguintes áreas de concentração: Poéticas Visuais e Teoria, Ensino e Aprendizagem da Arte. Confira o resultado aqui.

O programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação foi o primeiro da área no Brasil, criado em 1972. No doutorado, se iniciou em 1980. Confira o resultado aqui.

Meios e Processos Audiovisuais têm três áreas de concentração: Cultura Audiovisual e Comunicação, História, Teoria e Crítica e Poéticas e Técnicas. Confira o resultado aqui.

As áreas de concentração do Programa de Pós-graduação em Música são Musicologia e Processos de Criação Musical. Confira o resultado aqui.

Para mais informações, acesse a página do Serviço de Pós-graduação da ECA.

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Angélica Liddell é uma artista espanhola conhecida por compartilhar, em suas performances, sofrimento e dor com a plateia, tanto que já chegou a se ferir em cena. Esse tipo de espetáculo pode ser caracterizado como representante dos chamados teatros do real, tema de pesquisa de Matheus Cosmo. Denominado A teatralização do real: uma defesa da política e da cultura em um tempo de caminhos bloqueados, o trabalho é uma dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da ECA.  

Os teatros do real podem ser definidos como “a realidade em cena”. Diferentemente do que acontece com a “representação” da realidade, aqui o real não quer ser representado porque ele é parte do espetáculo. “No momento em que aquilo acontece [em cena], há um dado de realidade que aparece ali mesmo, na sua frente, e que quebra com esse espaço ficcional que aparentemente seria o esperado do teatro; ele quebra com a própria noção de representação”, esclarece Cosmo. 

Embora esta ideia tenha sido anteriormente elaborada por outras pessoas e em contextos distintos, os teatros do real ganharam força em 1998, principalmente após o lançamento do livro Les théâtres du réel: pratiques de la représentation dans le théâtre contemporaine (tradução livre: Os teatros do real: práticas da representação no teatro contemporâneo), da filósofa francesa Maryvonne Saison. Trabalhos desse tipo tentam abranger fenômenos que aproximam o campo ficcional da realidade e, por conta da constante incorporação de ideias francesas nos estudos brasileiros, o termo chegou imediatamente ao Brasil.


Teatro do real surgiu na França e foi incorporado ao cenário brasileiro. Cenas de Yo no soy bonita, espetáculo de Angélica Liddell. Foto: Reprodução Youtube/Francesca Paraguai

O pesquisador ressalta o fato de o conceito ter sido criado em contexto francês, mantendo em vista que aquela sociedade diverge da brasileira. No entanto, ele reconhece que, se a ideia conseguiu ser aplicada ao teatro brasileiro, algo parece ligar essas duas realidades, que não são totalmente deslocadas, mas desdobramentos de um mesmo sistema.

Um bom exemplo de como conceitos podem ser aplicados em contextos diferentes é a inserção do romance como gênero literário no Brasil. O romance, como forma de escrita, tem origem europeia e possui pressupostos característicos do liberalismo, por influência da Revolução Francesa. Mesmo assim, ele pôde ser incorporado na sociedade brasileira em um tempo no qual ela ainda era escravocrata.

“Essa contradição fez com que o romance brasileiro ganhasse muito em termos de significação. Pensar nessa contradição, que não havia sido pensada, é o que talvez também dê alguma relevância a essa ideia de teatros do real. Mas, para isso, é necessária uma certa capacidade crítica que não tinha sido elaborada até esse momento, na medida que essa ideia tinha sido apenas incorporada acriticamente”, conta o pesquisador.

Para Matheus Cosmo, os teatros do real têm como limite estético a própria realidade, já que sua limitação vem da própria reprodução do que é existente. Além disso, por tentarem negar a mediação entre a realidade e a ficção, a potência política dos espetáculos tende a se perder. Cosmo acredita que não se trata de possuir ou não elementos da realidade em cena, mas, sim, de entender os conflitos da realidade e reelaborá-los na produção de um bom trabalho artístico. “O trabalho do artista é essa mediação e o engajamento da obra está na sua produção”, conclui.

A pesquisa teve como base o coletivo OPOVOEMPÉ que, desde sua criação em 2005, realiza espetáculos e intervenções, cujo foco tem sido o ato teatral nas fronteiras entre a vida e a arte. O objetivo do grupo é propiciar relações mais vivas entre as pessoas e a apropriação do espaço da cidade.

Em 2012, OPOVOEMPÉ teve seu auge com o projeto A Máquina do Tempo, que é composto por três experimentos: O Farol; O Espelho; A Festa. No ano seguinte, o grupo estreou A Batalha da Maria Antonia, que aborda o conflito histórico de 1968 entre os estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, representando politicamente a direita, e os da USP, a esquerda. Porém, após as Jornadas de Junho de 2013, criando fortes ligações de análise entre arte e realidade, as condições sociais propiciaram uma mudança no caminho do país e, por consequência, do coletivo, que a partir de então não produziu obras de grande expressão.

Texto originalmente publicado pela Agência Universitária de Notícias (AUN), de autoria do repórter Jonas Santana, estudante do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE).