Congregação da ECA questiona realização de feira náutica na USP em meio à pandemia

Em nota, Congregação da ECA manifestou "desconforto" com a realização da São Paulo Boat Show 2020 na Raia Olímpica da USP: "em que um feirão de embarcações a preços exorbitantes ajuda a nossa boa imagem?"

 

A Congregação da ECA aprovou no dia 9 de dezembro manifestação acerca da realização, nas dependências da Raia Olímpica da USP, do evento São Paulo Boat Show 2020, ocorrido de 19 a 24 de novembro. Em seis dias de evento, o Boat Show recebeu aproximadamente 18 mil pessoas (até 1.990 pessoas simultaneamente), movimentando 155 milhões de reais com a comercialização de embarcações e outros negócios gerados para os expositores, segundo dados divulgados pela organização.

Em nota à época do evento, o Jornal da USP explicou os termos do acordo para cessão do espaço, que incluiu o aluguel da raia (por 90 mil reais), a realização de melhorias na estrutura, a doação de um barco de 18 pés à Universidade, avaliado em 70 mil reais, e a destinação de 50% da renda de estacionamento ao Centro de Práticas Esportivas da USP (CEPEUSP), valores que, somados, chegariam a 400 mil reais.

Leia a nota da Congregação na íntegra:

A Congregação da ECA-USP vem, por meio desta moção, manifestar seu desconforto com a realização, nas dependências da nossa Raia Olímpica, de uma feira para a venda de embarcações de luxo, algumas delas de grande porte, colocadas por guindastes dentro das águas da raia para fins de exposição aos fregueses.

Milhares de pessoas acorreram ao campus, em aglomerações incompatíveis com o distanciamento social recomendado neste período de pandemia, muitas vezes sem o uso de máscaras, ou seja, não respeitando os protocolos básicos que epidemiologistas da própria USP ajudaram a defender e implementar.

Não compreendemos por que, estando a USP obrigada a interromper suas aulas normais justamente em função das restrições sanitárias, estimular tamanho acúmulo de gente, o que nos força a questionar quais critérios, acadêmicos e administrativos, levaram a essa decisão, neste momento.

Num período em que a universidade pública vem sendo bombardeada por inimigos oportunistas, que alegam não ver utilidade no ensino superior público e gratuito, em que um feirão de embarcações a preços exorbitantes ajuda a nossa boa imagem?

São essas as razões e as dúvidas que levam a Congregação da ECA-USP a expressar, respeitosamente, seu desconforto transoceânico e, em face de justificativas já apresentadas – a do retorno financeiro do empreendimento para a Universidade – , a indagar sobre o teor dos contratos firmados entre a USP e os responsáveis pelo evento, com o montante dos recursos gastos e recebidos, além do plano de alocação destes.

 

São Paulo, 9 de dezembro de 2020.

Congregação da Escola de Comunicações e Artes