Congresso da SBPJor discute direitos humanos e jornalismo na ECA

Entre os dias 6 e 10 de novembro, a ECA sediou a 15º edição do congresso anual da Associação Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo (SBPJor), bem como o VII Encontro de Jovens Pesquisadores em Jornalismo (JPJor) e o I Colóquio Brasil-Índia. O evento, já consolidado como “o maior encontro de pesquisa específica em jornalismo”, conforme afirma Cláudia Lago, docente do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) e presidente da gestão 2017 da SBPJor, se voltou, este ano, para a presença dos direitos humanos na pesquisa em jornalismo e o papel da profissão em tempos de valorização às diversidades.

De acordo com Cláudia, a ideia para essa temática partiu da necessidade, “cada vez mais essencial”, de se falar sobre direitos humanos, especialmente em um momento “onde se tem tantos golpes contra questões há muito estabelecidas sobre o assunto". Dennis de Oliveira, chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), comenta que a ideia para a temática foi uma sugestão do departamento, que considera que, “em tempos de crescimento da intolerância e fundamentalismo, o jornalismo, enquanto instituição da democracia e promoção dos direitos civis, precisa se posicionar”.

A programação teve início com o Colóquio Brasil-Índia, atividade pré-congresso que reuniu pesquisadores indianos e brasileiros em uma mesa temática e apresentações de trabalhos, com o intuito de promover debates sobre o jornalismo a partir de uma perspectiva global, voltada para o Sul, aproximar estudiosos dos dois países e comentar de que modo a pesquisa em jornalismo tem sido realizada na Índia.  


Pesquisadores e jornalistas indianos se encontraram no dia 7 para debater as semelhanças e diferenças entre o jornalismo no Brasil e na Índia. Foto: Bruna Arimathea
 
No dia 8, aconteceu o encontro do JPJor, momento em que alunos de graduação, geralmente em iniciações científicas, apresentam os trabalhos que vêm desenvolvendo. “Há temas que apenas os jovens estão pesquisando, como a questão do gênero na mídia,” afirma Cláudia Lago. Além das mesas de apresentações de pesquisas, o JPJor também promoveu uma oficina voltada para o incentivo à pesquisa em jornalismo, com a presença da vencedora do prêmio Adelmo Genro Filho de 2017, na categoria mestrado, Liliane Feitosa, e uma palestra sobre direitos humanos e jornalismo, com Vitor Blotta, professor do CJE.

Do dia 8 ao dia 10, por fim, ocorreu o congresso da SBPJor em si, que trouxe uma conferência sobre diversidade e direitos humanos no jornalismo, ministrada por Jyotika Ramaprasad, da University of Miami, e a entrega do prêmio Adelmo Genro Filho de 2017, que se dedica a reconhecer a qualidade dos trabalhos acadêmicos nas categorias iniciação científica, mestrado, doutorado e sênior, esta última vencida pela professora Cremilda Medina. Também foi realizada uma mesa temática acerca da diversidade e direitos humanos no jornalismo na práxis e a série de apresentações de trabalhos sobre a temática do congresso. Cláudia Lago destaca a conferência de Jyotika e a mesa temática como dois momentos chave do evento, por “detalharem a temática a partir de perspectivas inovadoras e inusitadas”.


Liliane Feitosa, vencedora do prêmio Adelmo Genro Filho 2017, categoria mestrado, ministrou uma oficina voltada ao incentivo à pesquisa em jornalismo, no dia 8. Foto: Sabrina Cáceres

Segundo Cláudia, “o evento foi muito positivo”, inclusive no que diz respeito à própria realização do encontro na ECA. Para ela, a Escola, estando na USP, chama “muitas pessoas qualificadas”, além de representar um espaço que dá abertura para se pensar os direitos humanos. De acordo com Dennis de Oliveira, a realização do congresso na unidade também representa a possibilidade de internacionalização, o contato dos alunos do departamento com diferentes pesquisadores e a divulgação das pesquisas produzidas aqui. Ainda assim, o docente afirma que o envolvimento da comunidade local com o evento não foi suficiente, ficando restrito a alguns professores e alunos que ajudaram na organização e à Jornalismo Júnior, empresa júnior do departamento, que colaborou na cobertura do evento.

Confira a cobertura completa aqui.

Lançamento de livros

No dia 9, ocorreu o lançamento de 22 títulos relacionados ao jornalismo, aos direitos humanos e à comunicação em geral, entre eles, livros de docentes da ECA.

Um deles é o livro Jornalismo e emancipação: uma prática jornalística baseada em Paulo Freire, de Dennis de Oliveira. Neste volume, o docente propõe uma prática jornalística que trabalhe na lógica da emancipação, ou seja, que leve à tomada de consciência e a transformação da sociedade.

Também foi lançado o livro Jornalismo: silêncios, censuras e potências, organizado por Cláudia Lago e Monica Martinez, presidente da SBPJor na gestão 2018. A proposta do livro é concentrar relatórios de atividades e textos surgidos a partir das discussões do congresso da SBPJor de 2016 e que não se encontram nos anais do congresso. Desta maneira, a publicação reúne artigos de vencedores do prêmio Adelmo Genro Filho do ano anterior e pesquisadores que estiveram presentes nas discussões, entre outros. “Decidimos lançar este volume porque achamos que os trabalhos eram muito ricos e precisavam ser registrados, também em razão da memória institucional da entidade,” afirma Cláudia. Segundo a docente, o livro deve ser o primeiro de uma série de volumes com textos apresentados ou referentes aos congressos e que não constam nos anais, a ser lançada sempre que possível. O e-book está disponível aqui.

Por fim, foi lançado o livro Trabalho do Pesquisador: desafios da empiria em estudos de comunicação, organizado pelo grupo de trabalho Recepção: Processos de Interpretação, Uso e Consumo Midiático, da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós), cuja coordenadora é Roseli Fígaro, docente do CCA. De acordo com Rafael Grohmann, também docente do CCA e participante da realização do livro, o título se propõe a trazer relatos sobre os bastidores da pesquisa em recepção, que envolve diversas questões como a dificuldade de escrita e o relato de pesquisas que deram errado, por exemplo.

Assim, o volume traz um artigo de cada pesquisador que participou do XXV encontro da Compós, em 2016 e trata de estudos de recepção sobre rádios zapatistas, mulheres encarceradas em Itajaí (SC), jornalismo voltado para crianças no Brasil e em Portugal e diversos outros. “O livro envolve entender que o pesquisador também é um trabalhador e que essa atividade tem dilemas,” comenta Grohmann. “Às vezes, nós achamos que fazer pesquisa é seguir uma receita de bolo e que tudo tem que dar certo, mas a vida não é assim. Então o livro vai tratar dessas dificuldades”.

Texto e foto de capa: Victória Martins