Coronavírus: uma condição limite que pode gerar reflexões e mudanças?

Em artigo publicado pelo Jornal da USP, professora Clotilde Perez faz uma análise da pandemia e destaca a importância de uma transformação social

Desde seu início, o ano de 2020 tem sido marcado por um clima de tensão, tanto em esfera nacional quanto mundial. A começar pelo risco de uma possível guerra e passando por ameaças ambientais catastróficas, 2020 se mostrou como um ano de potenciais (e muitos) conflitos. Com a declaração da pandemia de Covid-19, o individualismo emocional e financeiro – já muito difundido na sociedade capitalista – toma proporções também físicas, vide as recomendações de distanciamento social para evitar a disseminação da doença.

Foi a partir dessa sensação de desamparo que a professora Clotilde Perez, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), escreveu o artigo Coronavírus: o egoísmo e a promoção da morte, publicado pelo Jornal da USP. O texto faz uma reflexão sobre o descaso à vida e ao outro presentes no governo e na sociedade brasileiros.  

O estado de calamidade no qual nos encontramos é produto de um ambiente social e ideológico que, segundo a docente, tem como consequência uma verdadeira política de promoção da morte. A maior expressão disso é o atual mandatário do país, “eleito por um misto de egoísmo e irresponsabilidade e por uma turba de semelhantes que promulgam o retrocesso e celebram a ignorância”. Com a crise econômica, cortes de investimento na saúde, educação e pesquisa se combinam a uma gestão que incentiva a posse de armas e agressões às minorias, viabilizando o apagamento da humanidade em suas instâncias moral e física.

Apesar de seu duro diagnóstico, Clotilde enfatiza que a crise sem precedentes que enfrentamos pode representar uma oportunidade e uma lição sobre a fragilidade de nossa condição e a importância da solidariedade. "Talvez precisássemos de uma condição limite para que fosse possível se sensibilizar, refletir e mudar. Queremos continuar assim irresponsáveis? Queremos continuar vivendo em uma sociedade onde poucos têm tudo (inclusive coronavírus) e muitos têm tão pouco (mas, também coronavírus)? Será que o elemento aglutinador que nos faltava para a mudança veio justamente da invisibilidade e da insignificante, mas potente, vida microscópica? Para mim, sim. A pandemia vai passar, vamos ter de lidar com as perdas, principalmente humanas, mas teremos a oportunidade única de responder à questão fundamental: o que queremos para a nossa vida?"

Para ler o artigo na íntegra, acesse o site do Jornal da USP.

Passageira usa máscara no metrô de São Paulo. Foto: Amanda Perobelli/Reuters

 

Outros professores da ECA comentam a crise 

Nesta semana, dois professores da ECA concederam entrevista à colunas da Rádio USP sobre as perspectivas de impacto da pandemia em diferentes áreas: 

O professor Gilson Schwartz, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) falou sobre as consequências econômicas do Covid-19 e os dilemas éticos envolvidos no uso de tecnologias para sua prevenção. Para ouvir na íntegra, clique aqui

Já o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, livre-docente pela ECA, refletiu sobre como a crise do coronavírus pode afetar o jornalismo, levando eventualmente a novas maneiras de produzir e veicular notícias. Ouça a entrevista completa no site do Jornal da USP