Crise no turismo causada pela Covid-19 não tem precedentes históricos

Fechamento de fronteiras e cancelamentos de voos têm impactos negativos para agências e companhias áreas

Com a pandemia do novo coronavírus, viajar se tornou uma opção altamente não aconselhável. Em alguns casos, até mesmo proibida, já que países têm fechado suas fronteiras para frear a contaminação. Benefícios para a saúde pública, crise para o turismo. 

Voos cancelados, fechamento de hoteis, museus e outras atrações culturais. E não são apenas esses medidas que afetam o mercado turístico. A paralisação da atividade das agências e a falta de trabalho para guias autônomos também compõem o quadro de crise, como explica a professora Debora Cordeiro Braga, professora do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP). "Toda a cadeia produtiva do turismo está afetada com o isolamento social", diz. 

Esse é um acontecimento sem precedentes históricos. Em outros momentos de tensão internacional, como a epidemia de gripe espanhola ou mesmo a Segunda Guerra Mundial, a circulação de pessoas era substancialmente menor. Hoje, em um mundo onde as distâncias entre países e continentes parecia ter sido definitivamente transposta, o isolamento social produz efeitos mais drásticos. 

No Brasil, o governo tem implantado medidas no sentido de minimizar os efeitos econômicos para os fornecedores de serviços turísticos. As companhias aéreas terão prazos maiores para realizar o reembolso de viagens canceladas e empreendimentos turísticos terão mais facilidade no acesso ao crédito, por exemplo. 

Por parte dos consumidores, a professora explica que o momento pede uma dose maior de compreensão, "para que estes não solicitem reembolso e sim, adiem suas viagens". Nesse período de incertezas e queda brusca de receitas, muitas empresas correm risco de fechar as portas. 

No entanto, essa crise pode resultar em um aprendizado positivo para todos os envolvidos. A docente do CRP cita a possibilidade de uma maior aproximação com os consumidores, mais respeito aos colaboradores, além do estreitamento de parcerias comerciais e a valorização do associativismo e do trabalho em conjunto. Afinal, esse é o momento de prestadores de serviços e empresas de turismo se verem como parceiros e não concorrentes. 

Foto:  Zanone Fraissat/Folhapress