CTR recebe a visita do renomado diretor chinês Xie Fei

No último dia 30 de setembro, o Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR)  recebeu a visita do renomado diretor chinês Xie Fei, que esteve no Brasil à convite do Instituto Confúcio da UNESP para participar da 2ª Mostra de Cinema Chinês, em cartaz no Centro Cultural São Paulo até 12 de outubro, que exibe seis de seus nove filmes.

Xie Fei é também professor decano da Academia de Cinema de Pequim (Beijing Film Academy), a maior e mais prestigiosa escola de cinema da China, que no ano passado assinou um convênio de intercâmbio com a ECA. O diretor veio fazer um tour pela nossa Escola para conversar sobre sua obra, bem como para discutir possibilidades de renovação da cooperação.                            

Com mais de 40 anos de carreira, Xie Fei é um dos nomes mais importantes na história do cinema chinês e o maior expoente da chamada Quarta Geração de cineastas, que produzia filmes no início da abertura do país pós-Revolução Cultural. Suas obras mais importantes são Black Snow (1989), vencedor do Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim de 1990, e A Mulher do Lago das Almas Perfumadas (1992), vencedor do Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim de 1993.  

                                     
                                     O diretor Xie Fei, durante a visita ao CTR

Durante o encontro, Xie Fei dividiu muitas histórias de sua vida e respondeu a diversas perguntas dos presentes. Ele contou, por exemplo, sobre o tempo em que foi impedido de trabalhar com cinema e obrigado a se mudar para o campo, assim que terminou a universidade, bem no início da Revolução Cultural na China: "A ordem do presidente Mao Tsé-Tung era mandar todos os intelectuais para trabalhar nas zonas rurais. Só fui começar a me dedicar ao cinema e ao ensino, 10 anos depois de formado".

No entanto, segundo ele, mesmo com todos os prejuízos que a Revolução Cultural causou à sua geração de cineastas, também acabou dando a oportunidade de os jovens diretores chegarem até as camadas mais pobres da população e conhecerem seu dia a dia. "Eu sempre acreditei que nossas próprias experiências de vida são uma ótima fonte para a criação, e isso é uma riqueza que qualquer cineasta no mundo possui. Para a minha geração, até mesmo o período da Revolução Cultural acabou se transformando em uma fonte de inspiração", explica Xie Fei.

A professora Cecília Mello, do CTR, que acompanhava a visita do diretor, perguntou sobre a importância das paisagens nas obras dele, uma vez que elas recebem um grande destaque em seus filmes, e se o fato de ele ter morado no campo o influenciou nesse aspecto.

Xie Fei respondeu que a beleza da parte estética de um filme depende muito da sensibilidade e da disposição do diretor de aprender coisas novas. Exemplificando, citou os filmes sobre minorias étnicas da China que ele produz.

"Alguns desses povos se encontram em lugares muito remotos e, para conseguir desenvolver projetos nessas áreas, é necessário ler muito sobre a história e a cultura do lugar, fazer inúmeras viagens para tentar encontrar as melhores locações, de modo que se possa retratar a realidade do local da melhor maneira possível", afirma.

Questionado sobre o tipo de cinema que chega na China, o diretor falou, ainda, da censura sob a qual o país viveu e ainda vive, embora de maneira mais branda. "Para os países socialistas e comunistas, o cinema sempre foi uma ferramenta muito importante de propaganda, porque atinge muitas pessoas. Durante muito tempo, chegavam na China apenas filmes de países como Rússia, Albânia, ex-Iugoslávia, Romênia e Coreia do Norte". 

De acordo com Xie Fei, somente nos anos 90 começaram a entrar alguns blockbusters americanos, e mesmo hoje em dia, os jovens chineses não tem quase nenhum acesso, de maneira legal, a produções de outros países mais afastados.

"Agora temos dois festivais internacionais de cinema muito importantes na China, o de Pequim e o de Xangai, e estão tentando selecionar filmes mais variados, sobretudo de países aos quais temos menos acesso lá na China, como o Brasil. Lá na Academia, buscamos mostrar filmes brasileiros como Central do Brasil, Cidade de Deus, mas fora de lá, infelizmente eles não são exibidos".

Ainda assim, o diretor afirma que, aos poucos, a luta pelo fim da censura vai surtindo efeito: "As coisas têm melhorado muito em comparação com como costumavam ser antigamente".

Segundo a professora Cecília Mello, a ECA e a Academia de Cinema de Pequim estão finalizando o processo de renovação do convênio entre as duas instituições e o intercâmbio de alunos deve ser retomado em 2017.

 

ECA pelo mundo

O documentário Feriado em Iporanga, da diretora Lorena Duarte, ex-aluna do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), foi selecionado para participar do 15º Festival da Academia de Cinema de Pequim, na China, entre 16 a 23 de outubro.

O filme é um passeio pela vida na cidade de Iporanga (SP), na época do Réveillon, e mostra os habitantes celebrando a virada do ano com muita música e uma procissão religiosa em louvor à Nossa Senhora do Livramento, pelas águas do Rio Ribeira de Iguape. 

Foto: Eduardo Peñuela