ECA terá 94 vagas no SiSU

 A Direção da Escola de Comunicações e Artes da USP divulgou a distribuição de vagas no Sistema de Seleção Unificada (SiSU), que seleciona os candidatos pela nota no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A novidade é o Curso Superior do Audiovisual que participa pela primeira vez do SiSU, após decisão do Conselho do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) que suspendeu temporariamente a Prova de Habilidades Específicas (PHE).

A posição da Escola será encaminhada na próxima semana à Pró-Reitoria de Graduação e ainda deverá ser aprovada pelo Conselho Universitário, cuja sessão está agendada para 27 de junho. Além do Audiovisual, outros sete cursos participam do SiSU: Licenciatura em Educomunicação, Biblioteconomia, Jornalismo, Editoração, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Turismo:

CURSOS

Vagas SiSU - 2018

DIURNO

MATUTINO

NOTURNO

TOTAL

Licenciatura em Educomunicação

 

 

9 (4EP + 5PPI)

9

Audiovisual

11 (4EP + 7PPI)     11

Biblioteconomia

 

6 (3EP + 3PP1)

6 (3EP + 3PPI)

12

Jornalismo

 

9 (4EP + 5PPI)

9 (4EP + 5PPI)

18

Editoração

 

5 (2EP + 3PPI)

 

5

Publicidade e Propaganda

 

6 (2EP + 2PPI + 2AC)

9 (3EP + 3PPI + 3AC)

15

Relações Públicas

 

6 (2EP + 2PPI + 2AC)

9 (3EP + 3PPI + 3AC)

15

Turismo

 

 

9 (3EP + 3PPI + 3AC)

9

Se aprovado pelo Conselho Universitário, a ECA irá oferecer 94 vagas pelo SiSU. Cada curso reservou 30% de suas vagas – limite estabelecido pela Reitoria da USP – para o sistema unificado, distribuídas em ampla concorrência (AC), escola pública (EP) e autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI).  A distribuição das vagas sofreu algumas alterações em relação ao ano passado: os cursos de Jornalismo, Editoração e Biblioteconomia optaram pela distribuição de vagas apenas para escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas, ao contrário do ano passado, quando ofereceram vagas de ampla concorrência.

Audiovisual

Com a adesão do Curso Superior do Audiovisual no SiSU, fica suspensa, por no mínimo um ano, a prova específica de seus quadros de avaliação dos candidatos ao ingresso, aplicada em conjunto à primeira e segunda fases das provas da FUVEST. Rubens Rewald, coordenador do curso, explica que a adoção das medidas é importante para o departamento no sentido de “avançar em termos de sensibilidade à realidade cultural e socioeconômica do Brasil”, bem como de “democratizar os meios audiovisuais” e de “receber um perfil mais diversificado no próximo ano”. Ainda assim, segundo o professor, a implantação do SiSU e a suspensão da Prova de Habilidades Específicas não acabam com a necessidade de se discutir cotas dentro do departamento, já que as novas decisões ainda estão em caráter experimental e podem ser revogadas nos concursos vestibulares subsequentes.

Para o Centro Acadêmico Lupe Cotrim (CALC), esta medida é um primeiro passo para “a abertura de um dos cursos mais elitizados da ECA e da USP como um todo”. Segundo os estudantes, a adoção do SiSU ainda é pouco para uma democratização da Universidade, mas se estabelece como um caminho para a conquista “ideal de cotas étnico-raciais na FUVEST”. Ainda para o CALC, a luta dos estudantes e do movimento negro “se reflete, aos poucos, em grandes resultados”: “a nossa vontade é que essa suspensão sirva como uma forma de repensar o processo, seu modelo e torná-lo menos excludente aos setores da sociedade”.

Além do CTR, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP) já tinha aprovado, para o vestibular do ano passado, a suspensão da Prova de Habilidades Específicas e a adoção do SiSU, tendo, ainda, renovado as medidas para os próximos cinco concursos vestibulares. Não obstante, a UNICAMP decidiu, também no último dia 30, pela adoção do sistema de cotas raciais para todos os cursos da universidade a partir de 2019.

O caminho até a decisão

Estúdio do CTR. Foto: Mariana Chama

De acordo com o professor Rubens Rewald, o departamento está estudando as possibilidades de incluir cotas há algum tempo, principalmente após a criação do Grupo de Trabalho das Cotas (GTCotas), em 2016. O grupo contava com três professores, três alunos e um funcionário com poder de voto, apesar de ser aberto às contribuições e discussões de todos do departamento.

Este grupo pensou inicialmente em uma proposta que contemplasse a reserva de vagas pelo SiSU ao passo em que mantinha a prova de habilidades específicas, já que, de acordo com o professor Rewald, esta última “foi uma conquista do departamento, por diminuir a evasão escolar e permitir a entrada de alunos mais comprometidos”. Todavia, esta primeira ideia não foi aprovada pela Pró-Reitoria de Graduação, pois não havia meio de conciliar a prova específica e o calendário e métodos de avaliação contemplados pelo SiSU.

Assim, o GTCotas notou que deveria optar “por um ou por outro”, conforme conta Rewald e então, após uma série de discussões entre alunos e professores do departamento, muitos dos quais defendem a prova específica, o grupo de trabalho aprovou a segunda proposta, deliberada pelo conselho nesta semana. “Não há mais como ignorar a necessidade de inclusão”, pontua Rewald. “Estamos estudando as formas de manter a prova específica e promover cotas. Uma maneira seria com a adoção das cotas pela FUVEST, por exemplo”.

 Os cursos de artes

Além do Curso Superior do Audiovisual, os cursos dos departamentos de Música (CMU), de Artes Cênicas (CAC) e de Artes Plásticas (CAP) também adotam as Provas de Habilidades Específicas como método de ingresso. Para o processo seletivo deste ano, porém, diferentemente do CTR, os três departamentos optaram por dar continuidade às PHE, propondo nelas, contudo, algumas adaptações, a saber, o acréscimo de uma bonificação a ser incluída nas notas das PHE de acordo com os moldes aplicados pela FUVEST com o sistema INCLUSP.

Do modo como é organizado atualmente, o sistema de pontuação acrescida da USP fornece bônus de 15% aos candidatos que fizeram todo o ensino básico e médio em escolas públicas, de 12% àqueles que estudaram em escola pública apenas no ensino médio e de 20% aos que estão em seu segundo ano no PASUSP, programa da Universidade voltado a alunos do ensino médio, bem como um acréscimo de 5% sobre qualquer possibilidade anterior aos candidatos autodeclarados PPI.

No CAP, onde a Prova de Habilidades Específicas antecipa-se à primeira fase do vestibular, a proposta é de que o bônus seja acrescido à PHE, que manterá peso 2, bem como à nota final da FUVEST. Além disso, o departamento aprovará para a carreira os candidatos com maior nota, na proporção de cinco candidatos por vaga; sendo que, até o ano passado, eram aprovados quatro candidatos por vaga. A proposta do CAC é a mesma.

Já no CMU, a primeira proposta refere-se à aplicação do bônus para os candidatos que atingirem no mínimo 50% de aprovação na Prova de Habilidades Específicas, de modo que esta nota seja multiplicada pelo fator INCLUSP. À nota final, também será aplicada a bonificação do sistema da USP. Caso esta primeira proposta não seja aprovada, o CMU pretende seguir os mesmos moldes dos demais departamentos.

Apesar de proporem novidades em relação à inclusão em seus cursos, os três departamentos reiteram a importância da FUVEST incorporar aos seus quadros de ingresso o sistema de cotas sociais e raciais, de modo a “colaborar na reparação de dívidas históricas com as populações negra, pobre e indígena”.

Texto: Victória Martins
Foto de capa: Reprodução