Curta-metragem produzido por aluna da ECA é qualificado para o Oscar 2021

CARNE concorre na categoria de curta-metragem documental e também está na shortlist dos Prêmios Goya na categoria de curta de animação

 

CARNE fala sobre a relação que cinco mulheres desenvolvem com seus próprios corpos desde a infância até a terceira idade. Durante a passagem de tempo da história, vemos o percurso do ponto da carne: crua, mal-passada, ao ponto, passada e bem passada. Com um metáfora que relaciona o estado de cozimento da carne com o corpo da mulher, CARNE expõe os inúmeros tipos de violências dos quais as mulheres são vitimadas. Ao mesmo tempo, enfatiza as formas de resistência que essas mulheres encontram para libertar seus corpos dos padrões e opressões impostos pelo sistema capitalista patriarcal.

Desde a estreia em agosto de 2019, no Festival Internacional de Locarno, na Suíça, onde recebeu Menção Especial pelo Júri JovemCARNE recebeu mais de 70 premiações. Mais recentemente, o curta dirigido por Camila Kater e produzido por Lívia Perez, estudante de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais (PPGMPA), foi qualificado para uma vaga no Oscar 2021, na categoria de curta-metragem documental, e também está na shortlist dos Prêmios Goya na categoria de curta de animação.

Experiências do corpo feminino

CARNE ressalta as diferenças corporais entre as mulheres levando em conta as experiências de vida e diferentes características das cinco personagens escolhidas. Rachel, Larissa, Raquel, Valquiria e Helena expõem vivências relacionadas com a faixa etária, orientação sexual, etnia e constituição corpórea.

Cada fase e personagem foi criada com uma técnica de animação específica e por uma animadora diferente. Na infância, fase ‘crua’ da carne, Camila Kater utiliza o stop-motion com objetos e pintura à óleo em cerâmica para expressar o relato de Rachel Patrício sobre gordofobia na infância. A adolescência, fase ‘mal-passada’, é representada pela animação em aquarela criada por Giovana Affonso para dar conta da percepção de Larissa Rahal sobre o tabu da menstruação. Na juventude, fase em que a sociedade entende o corpo feminino como ‘ao ponto’ para consumo, a animação digital 2D criada por Flávia Godoy dá forma às diferentes violências que a cantora Raquel Virgínia enfrenta com seu corpo de mulher transexual e negra no Brasil. A meia-idade, fase ‘passada’, traz visibilidade às transformações corporais, onde Valquiria Rosa em seu lugar de mulher lésbica é encenada por um stop-motion em argila criado por Cassandra Reis. Na terceira idade, fase ‘bem passada’, Leila Monsegur representa a consagração do corpo como lugar de libertação a partir da experiência da cineasta e atriz Helena Ignez, ícone da cinematografia brasileira.

Assista ao trailer de CARNE:

O documentário animado é uma coprodução entre Brasil (Doctela) e Espanha (Abano Producións) e pode ser assistido na plataforma gratuita Op-Docs do New York Times.