Diário de viagem tem importância histórica; saiba como fazer o seu

Em artigo para revista colombiana, docentes de Turismo e Jornalismo ensinam como relatar experiências de viagem de forma interessante

Postar fotos no Instagram é uma forma de relatar uma viagem. Se pensarmos na história moderna, as pessoas sempre tiveram interesse em contar sobre suas aventuras em terras estrangeiras. A prática do diário de viagem é mais antiga do que imaginamos. Através dela, pesquisadores conseguem desvendar detalhes da cultura e do turismo em cada época. Por isso, hoje, apesar da preferência pelas redes sociais, o diário ainda se faz importante, por seu valor histórico e por seu detalhamento maior do que uma legenda com hashtags. 

No artigo Diário de viagens: compartilhando aventuras pelo registro da memória, publicado na Revista Equipaje, da Colômbia, as professoras Karina Toledo Solha e Clarissa Gagliardi, de Turismo, e o professor Luciano Victor Barros Maluly, de Jornalismo, explicam como fazer esse tipo de relato. 

Primeiramente, é preciso entender a importância documental do relato de viagem. Dando como exemplo a obra Viagem à Itália (1786-1788), de Goethe, é possível perceber que “esse tipo de obra ajuda, com o tempo, a qualificar pontos de referência como atrativos culturais, na medida em que, posteriormente, serão paradas obrigatórias em qualquer viagem cultural à Europa a partir das viagens da burguesia e até hoje”, explicam os autores. Afinal, tanto o escritor alemão em sua época quanto o turista brasileiro hoje em dia não deixam de visitar o Coliseu quando vão a Roma. 

Escrever um diário de viagem requer concentração e tempo, numa época em que o imediatismo impera. Hoje, vemos muitos sites especializados em dar dicas práticas para viajantes. O trabalho deve ser reconhecido, mas, como afirmam os autores, “nesse universo da rapidez e do consumo, a reflexão e o entendimento de toda essa diversidade de realidades do mundo parecem ter pouca importância.” 

Assim, o diário é um espaço mais intimista, que oferece, sim, dicas práticas, mas que vem acompanhadas de reflexões e percepções da pessoa que escreve. Para começar, os professores reforçam: “A memória é o principal componente da sua história. Recorde e recorte os detalhes que fizeram parte dessa trajetória.  Comece a contar as suas aventuras, seja de maneira oral ou escrita.”

A partir daí, cada detalhe é um fator interessante para a narrativa. Desde o momento de arrumar as malas e os documentos para embarcar até o momento do check-out na acomodação. Informações sobre os valores gastos também são importantes e um dos principais atrativos para os leitores. 

“Uma observação essencial durante a sua viagem e que será um diferencial no seu texto é a interação com a cultura, a economia, a política, a história, a geografia, o idioma, entre os principais aspectos da localidade a ser conhecida. Seja respeitoso com a tradição e mesmo com o cotidiano desses cidadãos. Muitas vezes, existem conflitos, discussões e acordos em trâmite”, indicam os docentes.

O diário dá uma oportunidade ao viajante de analisar cada aspecto da sua experiência, avaliando pontos positivos e pontos a serem melhorados. Além disso, é uma chance de compartilhar impressões com outras pessoas, que não terão chance de vivenciar os mesmos momentos mas que podem ter o relato como uma verdadeira experiência literária. 

Para ler o artigo completo, acesse a edição 22 da Revista Equipaje.

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