Dirigido por professor da ECA, documentário celebra 30 anos do Núcleo de Estudos da Violência da USP

Filme mostra importância do NEV no contexto da redemocratização e reflete sobre a conjuntura política brasileira pelo olhar de pesquisadores dos direitos humanos

 

Para celebrar 30 anos de existência, e lembrar do seu surgimento no contexto da redemocratização e do pioneirismo em estudos de violência e direitos humanos, o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP fez nesta quinta, dia 8 de outubro, o lançamento do documentário Paradoxos – 30 anos de Democracia e Direitos Humanos no Brasil. O evento, que pode ser visto no canal do NEV no YouTube, contou com a participação dos fundadores do NEV Paulo Sérgio Pinheiro e Sergio Adorno, além dos professores Esther Hamburger e Eduardo Morettin, ambos do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR).

Paradoxos foi produzido ao longo de três anos, com direção de Vitor Blotta, vice-diretor do NEV e professor do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), em parceria com Fabrício Bonni, da Produtora Unnova. O filme destaca a história e contradições da democracia brasileira a partir dos olhares e pesquisas do núcleo.

“Acredito que as análises do filme conseguem explicar os caminhos que nossa democracia estava tomando e que levaram ao que temos”, destaca Blotta. Para ele, “as democracias sociais ou mesmo as liberais do mundo têm sido deterioradas por governos que foram eleitos, mas que operam minando as instituições e as bases do Estado de direito e da democracia”.

 

Colagem com cenas do documentário ParadoxosColagem com reprodução de cenas do documentário Paradoxos - 30 anos de Democracia e Direitos Humanos no Brasil. Imagem: NEV / USP. 

 

Para a produção do documentário, um dos maiores desafios, de acordo com o produtor, foi ilustrar todas as fases do período democrático. Por isso, a fase de pesquisa de imagens e decupagem foi extensa, com busca em acervos do NEV e materiais de emissoras de tevê e jornais. A qualidade de alguns arquivos e o tratamento adequado para que ao produto final desse certo foram outro desafio da produção. “Conseguimos trazer todo um paralelo histórico de imagens, colocando o NEV como espectador ativo desses 30 anos de democracia e expondo todos os enormes desafios desse período de transição democrática e que persistem até hoje”, explica o produtor Fabrício Bonni.

Sobre a ideia do nome e da arte do documentário, Blotta diz que elas sintetizam as pesquisas do NEV ao longo das últimas décadas: “Como muita coisa da história e das características da formação do Brasil são frutos de grandes paradoxos e contradições, como colônia e genocídio indígena, império e independência, república e escravização de povos negros, ditadura e modernização, a redemocratização brasileira tem sido marcada nas três últimas décadas por três grandes paradoxos ou tensões, profundamente estudadas pelo NEV, e que impedem a consolidação do estado de direito, dos direitos humanos e da democracia. Democracia e violência, direitos humanos e segurança pública, e confiança nas leis e desobediência”.

Confira a entrevista completa com os diretores neste link.

O documentário Paradoxos está disponível no canal do NEV no YouTube
 

Com informações do NEV e do Jornal da USP