Docente do CRP publica manifesto sobre cidadania digital

Na última semana, Massimo di Felice, docente do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), apresentou um manifesto de cidadania digital em evento na Itália. O manifesto é resultado de uma pesquisa realizada pelo docente, em 2016, por meio do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e tem a participação de pesquisadores e centros de pesquisa de quatro países – Brasil, Portugal, Canadá e México.

Entre os objetivos do manifesto está a capacidade de demonstrar os novos tipos de interações sociais  e conectivas existentes naquele período, além de “identificar a ecologia das interações dos movimentos sociais nas redes no ano de 2016”, explica o docente.

Ainda segundo o professor, o manifesto será publicado no Brasil em um próximo evento que o docente participar, no entanto, ele já está disponível para leitura na internet. O manifesto é dividido em quatro documentos: Da sociedade para as redes conectivas; Dos parlamentos às plataformas digitais; Do sujeito político à pessoa digital e Educando para a cidadania digital.


Docente do CRP, Massimo di Felice publica manifesto de cidadania digital em parceria com pesquisadores e centros de pesquisas de quatro países. Foto: Mara Mércia/LabFoto

A primeira parte do documento afirma que o social não é somente constituído por humanos, mas também por algoritmos, data base, florestas, entre outros, que começam a participar e a influenciar as ações humanas. O texto pontua que, como seres, não vivemos apenas em nações, países ou cidades, mas por meio de diferentes modos de conexão, toda a biosfera.

A segunda parte cita que “dentro das ecologias transorgânicas, agir sozinho é impossível”, citando que todas as escolhas resultam de interações de maior complexidade, trocando informações e dados entre “entidades de natureza diferentes”. Exemplifica que a forma da democracia ocidental, organizada em parlamentos humanos, é rodeada por plataformas e redes que expandem de forma colaborativa e conectiva o potencial das ações dos indivíduos devido ao acesso de dados e participação colaborativa nas redes. Afirma também que a democracia política limita a participação dos cidadãos a somente escolher os seus representantes em determinados períodos de tempo, no entanto, a cidadania digital tem a capacidade de modificar a participação desses, através de um processo compartilhado, baseado na troca frequente de informações.

A terceira parte diz que a cidadania digital substitui o sujeito político aristotélico para o infoviduo, “rede inteligente complexa, nem sujeito nem objeto, mas forma conectiva, aberta e mutante”. Por fim, a quarta parte versa sobre o fato do conhecimento estar se tornando inseparável das redes, deixando claro a necessidade de conhecer os direitos, privilégios, regulamentos e obrigações existentes nas interações de redes. O texto afima ainda que é um dever da sociedade e de instituições educacionais públicas e privadas educar para a cidadania digital pois, segundo Felice, é de extrema importância “formar o cidadão e provocar a reflexão sobre a forma de democracia atual”, conclui.