Dorinho Bastos inaugura exposição de cartuns sobre tecnologia no saguão do prédio central

Nesta quinta, dia 16, foi lançada a exposição de cartuns do professor Heliodoro Teixeira Bastos Filho, conhecido por Dorinho, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP). A mostra está no saguão do Prédio Central da ECA, espaço que passou por uma reforma terminada no ano passado com o objetivo, dentre outros, de ampliação para acomodar exibições de arte.

Além de diversos professores da Escola, o vice-reitor da USP Antonio Carlos Hernandes e o professor Eduardo Monteiro, diretor da ECA, estiveram presentes na inauguração para parabenizar o cartunista. Em seu cumprimento, o diretor declarou o desejo de que o espaço “seja um ponto que possa ser visitado”.

Dorinho inaugurou a exposição de 31 obras de diversos momentos de sua carreira, todas com o tema tecnologia. “Tem brincadeira com tecnologia, computação, com o digital”, afirma o professor, “que não é o forte da ECA, inclusive. Então, eu tiro sarro”, brinca.


Dorinho Bastos é professor das disciplinas de Comunicação Visual e Arte Publicitária do curso de Publicidade e Propaganda

Trajetória artística

Na contramão de professores universitários, Dorinho não procurou a vida acadêmica. Ele brinca que foi "empurrado" para o mestrado e "empurrado" para o doutorado. No entanto, apaixonou-se pela Universidade e já completa 43 anos de ECA.

“Minha formação é em arquitetura. Sou arquiteto. Mas sempre fui muito ligado ao design gráfico”, conta o professor. Ele também tinha um escritório de arquitetura, mas lembra que, no último ano do curso, existiam duas escolas nascendo com cursos de Publicidade: a ECA e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

“Naquela época, era difícil você ter um diretor de arte que tivesse uma formação na graduação”, afirma. E, como ele tinha experiência didática com um curso de desenho, foi convidado para ministrar aulas na ESPM no segundo semestre de 1974.

Dorinho lembra que tanto a ECA, quanto a ESPM eram bastante teóricas. “E gostaram do que eu estava fazendo porque era prático”. Sendo assim, no ano seguinte, já formado, dois professores da ESPM que também eram da ECA, chamaram-no para dar aulas na Escola.

“Uns cinco anos depois, eu deixei a ESPM e fiquei só aqui, porque a ECA… A gente fica viciado nessa encrenca, até nos problemas da USP”, confessa. Mesmo assim, o professor nunca deixou o escritório que, depois de um tempo, passou a se dedicar ao design gráfico.

Hoje, ele trabalha com três atividades: estúdio de design gráfico, os cartuns e as aulas. E diz que tudo isso é graças ao desenho: “o desenho me levou para a arquitetura, me levou para o design gráfico, me levou para o cartum e me levou para a aula”.


Com funcionários e professores do CRP, durante a inauguração da exposição no saguão da ECA

Processo de criação

Em sala, ele usa pouco computador. “A gente pensa com papel e lápis. Computador é uma outra fase.” Dorinho afirma que isso é estímulo: “criação não se ensina. Você pode estimular; é o que eu faço em aula.” Da mesma maneira, acredita que a exposição é um incentivo para ele: “é um afago. É como um 'continua que está indo bem'”. 

Após o estímulo, conta o professor, cada pessoa desenvolve seu próprio processo de criação. Dorinho conta que faz muitas charges para as revistas Propaganda, ESPM e para o jornal Propmark. “O que eu faço? Faço muita analogia entre as áreas de negócios, propaganda e marketing, com a política”. E acrescenta: “uma das características de quem cria é ficar antenado. Ficar plugado no que está acontecendo no mundo.”

No caso da exposição, ele reconhece que é de cartuns e não de charges. E explica a diferença: “a charge é o desenho de humor, uma crítica, em relação a um acontecimento diário. Ela, normalmente, não tem mais sentido um ano depois”. Já o cartum é atemporal, de acordo com o professor. “Para você fazer uma exposição de charge, você teria que contextualizar. Porque ela é em cima de um acontecimento”. E cita o exemplo do livro Humor de Placa – 25 anos de humor na propaganda: “São charges no livro. O que a gente fez? O Zé Francisco Queiroz (José Francisco Queiroz), fez um texto pra cada charge, contextualizando, contando um pouco da história para as pessoas entenderem”.


Alguns cartuns foram feitos especialmente para a exposição, outros foram publicados nas veículos Revista Propaganda, na Revista ESPM e no Jornal Propmark

A mostra, idealizada pela professora Margarida Maria Krohling Kunsch, do CRP, na época em que dirigia a Escola, teve o apoio da Comissão de Cultura e Extensão Universitária da ECA, do Centro de Estudos de Avaliação e Mensuração em Comunicação e Marketing (CEACOM) e da Associação de Apoio à Arte e Comunicação (ARCO).

Serviço:
Exposição de cartuns de Dorinho Bastos

Data: a partir de 16 de agosto
Horário: segunda a sexta-feira, 7h às 23h30; sábados, das 7h30 às 18h30
Local: Saguão do Prédio Central (Prédio 1)

Texto e fotos: Mirella Coelho