ECA-USP e suas contribuições públicas

A partir da década de 1960 começam os primeiros cursos de graduação da área de Comunicação no Brasil numa conjuntura de política nacional muito complexa e difícil, sob os ditames do estado autoritário provocados pela ditadura militar. Mas, apesar disso, a Escola de Comunicações e Artes foi palco de resistência e se institucionalizou por meio de um pensamento crítico e de vanguarda no mundo das Comunicações e das Artes.

Fundada em 16 de junho de 1966 pelo decreto nº 46.419 com o nome de Escola de Comunicações Culturais, veio a se consagrar como Escola de Comunicações e Artes em 1969. Desde sua criação vem cumprindo sua missão de formar profissionais e pesquisadores nas áreas das Comunicações e das Artes e de produzir conhecimento científico, por meio de um amplo e diversificado universo de atividades de ensino, pesquisa e de extensão de serviços à comunidade. Compõe-se de oito departamentos, o de Artes Cênicas (CAC), Artes Plásticas (CAP), Biblioteconomia e Documentação (CBD), Cinema, Rádio e Televisão (CTR), Comunicações e Artes (CCA), Jornalismo e Editoração (CJE), Música (CMU), Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) e da Escola de Arte Dramática (EAD). Oferece 19 habilitações no bacharelado, 12 delas voltadas às Artes, 4 às Comunicações. Completando esses bacharelados são oferecidos os cursos de Biblioteconomia, Turismo e Superior de Audiovisual, bem como 4 licenciaturas e um curso técnico de Formação de Atores. Seis programas de pós-graduação stricto sensu, em Artes Cênicas, Artes Visuais, Ciência da Informação, Ciências da Comunicação, Meios e Processos Audiovisuais e Música, integram seu conjunto de atividades. São oferecidos ainda 11 cursos na pós-graduação (especialização) lato sensu.

A ECA-USP é uma instituição pioneira na construção do pensamento comunicacional e artístico no país. Não se pode ignorar seu notório empreendedorismo na sistematização da pesquisa e na institucionalização do campo das Ciências da Comunicação, da Informação, das Artes e do Turismo no Brasil. Dados registram: matriculados na graduação: 2.086 alunos;  matriculados na pós-graduação (stricto sensu): 776 alunos;  matriculados nos cursos de especialização (lato sensu): 332 alunos; matriculados nos cursos de difusão: 229 alunos; Apresentações da Escola de Arte Dramática: 66; Acervo da Biblioteca ( livros, periódicos, partituras, peças de teatro, filmes, CDs, fotografias): 241.568.

Em sua trajetória de 48 anos, por esta Escola já passou um contingente muito expressivo de pessoas, representado por estudantes, docentes, pesquisadores, profissionais, artistas e professores visitantes. Muitos deles ilustres brasileiros e de diversas nacionalidades.  Ela detém a maior produção científica já gerada em suas áreas de conhecimento no país. Constitui-se em um fato histórico o papel paradigmático que suas áreas de conhecimento e das práticas profissionais congêneres tiveram e têm até hoje na construção e na consolidação das políticas públicas no Brasil.
 

AS ARTES NA ECA - USP

O surgimento dos cursos de artes da USP em 1966 na antiga Escola de Comunicações Culturais – renomeada Escola de Comunicações e Artes – respondia à importância crescente que as artes adquiriam no debate político e cultural brasileiro, então aguçado pelo golpe militar de 1964. É bem conhecida a contundência com que a produção artística confrontou o período; a vitalidade e o ânimo de renovação então demonstrados pelo cinema, o teatro, a música, as artes plásticas, a poesia e a literatura que se faziam no país. Em um momento grave da história brasileira, a universidade paulista finalmente reconhecia o protagonismo da questão artística e cultural nos rumos da vida brasileira. A Universidade de São Paulo defrontava-se, a partir desse momento, com o imenso desafio de guardar a dimensão experimental que sempre se espera das artes e de consolidá-las sob as condições novas que a vida acadêmica e institucional lhes exigiria, as quais, como contrapartida, ao mesmo tempo lhes abriam a possibilidade de uma reflexão aprofundada e sistemática da arte e da cultura que se produzia no Brasil.

Além disso, o rápido crescimento de uma cultura urbana moderna nas grandes cidades do país pressionava a universidade a um salto emancipador, que deveria colocar as artes pari passu com as correntes mais relevantes do debate internacional da arte e da cultura. A USP absorvia, dessa maneira, intelectuais fundamentais nessa empreitada emancipadora: Walter Zanini, Paulo Emílio Salles Gomes, Gilberto Mendes e Décio de Almeida Prado eram alguns de seus protagonistas mais ativos, dispostos a fundar na universidade um solo propício ao questionamento rigoroso e à renovação da produção artística brasileira. Dessa maneira, os críticos, artistas, músicos, cineastas, atores e dramaturgos que fundaram os cursos de artes da ECA estavam envolvidos nos acontecimentos culturais mais radicais que se produziam no país em suas décadas iniciais de consolidação: nos festivais de “música nova”, nas provocativas mostras, organizadas em um recém-criado Museu de Arte Contemporânea da universidade, da “Jovem Arte Contemporânea” (“JACs”), nas experiências de um cinema que não cessou de problematizar as produções locais e o legado do cinema novo, no histórico do Teatro de Arena, e de tantos outros coletivos de teatros, cuja formação remete à Escola de Arte Dramática, e, um pouco mais tarde, também ao Departamento de Artes Cênicas. São poucas as escolas universitárias de artes que podem, como ocorre com os cursos de artes da ECA, declarar uma origem experimental tão organicamente enraizada no processo cultural, ademais contando, em seu núcleo fundador, com um grupo de artistas e intelectuais cuja reputação precedia a chancela que o meio acadêmico poderia auspiciar. 

Esses cursos vivem hoje um momento decisivo, de enormes desafios: ao mesmo tempo em que prezam a memória inquieta da geração fundadora, mostram-se atentos às exigências do cenário contemporâneo da cultura, no qual paradigmas solidamente estabelecidos são continuamente revistos. O principal desafio consiste no necessário esforço de se conciliar a experiência histórica acumulada –  rara de se encontrar mesmo nas melhores escolas universitárias da atualidade – com a disposição de lançar-se de modo propositivo ao cenário contemporâneo, o qual reclama a ampliação dos meios e processos criativos, e uma sensibilidade aguçada para transitar com desenvoltura por diversas áreas do conhecimento. É claro que cada um dos cursos que se desenvolve nos departamentos que constituem as artes têm especificidades, dinâmicas próprias e frequentemente é estruturado em torno de habilitações ou ênfases. Não obstante, a atualidade da arte e da cultura reclama concepções abertas e irrestritas – um modo de produção de conhecimento que opere mediante procedimentos complexos como de síntese. Tal é o desafio central com o qual hoje se deparam os cursos de artes oferecidos pela Escola de Comunicações e Artes.
 

ESCOLA DE ARTE DRAMÁTICA – EAD

Criada em 1948 por Alfredo Mesquita, a EAD incorporou-se à USP em 1966.  No campus Butantã desde 1969, deu origem ao Curso de Teatro, permanecendo, entretanto, como escola técnica, vocacionada à formação de atores. Sem ter sido a primeira de formação de atores no Brasil, é a mais longeva, mantendo-se como escola técnica. Permanece modelo pedagógico de formação, tendo inspirado muitas instituições no país, inclusive universitárias. Esse é um dos mais importantes legados da EAD.

O projeto pedagógico da Escola pressupõe o contato estreito com o meio teatral, em especial pela presença de diretores profissionais que coordenam projetos de montagem junto a seus alunos. O intercâmbio com o ambiente profissional favorece a inserção dos estudantes na vida cultural; aos diretores convidados, a Escola oferece seus espaços de experimentação.

O resultado dos projetos de montagem é apresentado à comunidade uspiana e às comunidades do entorno da universidade. Em 45 anos de existência na USP, a EAD estreou cerca de trezentos espetáculos e exercícios cênicos abertos ao público. Muitos fizeram carreira em espaços e teatros da cidade. Desse repertório, constam autores e peças que foram vistos pela primeira vez no país, confirmando o lugar pioneiro da Escola em experimentação, como também seu vínculo com a contemporaneidade artística.

Os profissionais formados pela EAD fizeram a diferença nos espaços que ocuparam -  no teatro, na dança, no cinema e na televisão – e não somente como atores, mas dirigindo e realizando outras funções destacadas, de criação e renovação do pensamento cênico.  Alguns dos que passaram pela Escola assinalam atuação notável na vida cultural e artística do país: Ney Latorraca, Marisa Orth, Lília Cabral, Edwin Luisi, Selma Egrei, Jefferson Del Rios, Paulo Betti, Vera Holtz, Genésio de Barros, Mayara Magri, Nelson Baskerville, Eliana Fonseca, Paschoal da Conceição, Magali Biff, Deborah Evelyn, Cássio Scapin, Tuna Dwek, Miriam Rinaldi, Sérgio Siviero, Ester Lacava, Eucir de Souza, Graziella Moretto, Luis Miranda, Matheus Nachtergaele, Cláudia Missura, Georgette Fadel, Caco Ciocler, Luis Mármora, Emílio Orciollo, Marat Descartes, Marcello Airoldi, Gero Camilo, Isabel Teixeira, Danilo Grangeia, Luciana Schwinden, Maeve Jinkings.

Na produção paulista, em que predomina o teatro de grupo, os egressos da EAD integram importantes coletivos, parte da história do teatro brasileiro das últimas décadas, como o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, a Cia. São Jorge de Variedades, o Grupo XIX, As Olívias, As Graças, o Teatro de Narradores, o Teatro da Vertigem, o Grupo Clariô, Os Crespos, a Cia. do Feijão, a Cia. do Tijolo, Nova Dança 4, o Grupo 59, entre outros.

A EAD reconfigura sua inserção na Universidade, à busca de novas vias de integração com a ECA, mormente com seus Departamentos de Artes, em especial, o de Artes Cênicas. Em 2015, a Escola deixa de responder à Secretaria de Estado da Educação, a regulação de suas atividades de escola técnica vai passar para o Centro Paula Souza, o que deve lhe garantir maior autonomia na expansão de sua estrutura pedagógica e operacional.
 

DEPARTAMENTO DE ARTES CÊNICAS – CAC

O Departamento de Artes Cênicas, criado em 1986, emancipa o setor de teatro que desde 1970 integrava o então Departamento de Cinema, Teatro, Rádio e Televisão – hoje CTR. De fato, em 1967, a antiga Escola de Comunicações Culturais, primeira designação da ECA, contara com um Departamento de Arte Dramática, núcleo precursor do Departamento de Artes Cênicas. A constituição deste consolidava o projeto original do grupo de intelectuais e críticos ligado à formação do CTR, uma geração com posição de relevo na  reflexão sobre as práticas cênicas no país nos anos 1960, quando o teatro  paulistano teve papel decisivo na cena artística brasileira, como um dos polos da efervescência política daquela década. Em 1968, a repressão militar abateu-se de maneira drástica sobre o movimento teatral, e passou a perseguir os encenadores e grupos que o vinham liderando. É nesse contexto de perseguições e censura – e também de intensa resistência cultural - que o setor de teatro da ECA se estrutura, em um primeiro momento voltado a estudos históricos, teóricos e críticos, já que compartilharia seu espaço com a Escola de Arte Dramática, mais direcionada ao ensino prático e à formação de atores.

Hoje, a carreira de Artes Cênicas oferece um bacharelado com quatro habilitações – interpretação, direção, teoria e cenografia – e uma licenciatura que se tornou modelo para universidades no país. A busca da excelência no ensino, na extensão e na pesquisa nesses cursos reflete-se no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, referência nacional e um dos mais bem avaliados na área. O Departamento de Artes Cênicas destaca-se na formação de artistas e professores,  alguns deles liderando os processos criativos mais importantes do teatro brasileiro na atualidade. Formados na primeira fase do Departamento, pela geração pioneira,  os professores da Graduação e da Pós-Graduação têm, por sua vez, formado  safras de artistas e pesquisadores de ponta que já atuam como docentes em programas de universidades públicas brasileiras, muitos já assinalando reconhecimento internacional.

Voltado à formação de artistas, professores e pesquisadores, os cursos de Artes Cênicas privilegiam processos de ensino que garantam interação entre prática e teoria. Afirma-se o perfil de nosso aluno como artista / pedagogo / pesquisador, sem que nenhuma dessas facetas deva prevalecer sobre as outras; assegura-se, do mesmo modo, o equilíbrio entre a perspectiva da invenção, fundamental numa escola de arte, e a exigência profissional da atuação no ensino e em ações culturais. Compatibiliza-se, enfim, a pesquisa avançada com a preparação de quadros para a universidade e a escolas públicas. Lócus exemplar desses esforços, há o Teatro Laboratório, que vem, nos últimos vinte anos, sendo utilizado como espaço de aula e de ensaio e, ao mesmo tempo, como teatro público gratuito, que atende às comunidades vizinhas à Universidade e expõe os resultados dos processos criativos nele gestados.
 

DEPARTAMENTO DE ARTES PLÁSTICAS – CAP

Desde 1971, quando surgiu, o Departamento de Artes Plásticas da ECA busca consolidar e expandir um campo relativamente recente na Universidade de São Paulo – as artes – conforme os padrões de rigor e sistematicidade que norteiam a vida acadêmica. Ao mesmo tempo, orienta a tarefa da formação de artistas e profissionais da área de modo que tais padrões estejam associados à dimensão experimental que se espera da arte. Empenha-se em aliar a formação profissional ao diferencial que deve ter o ensino em uma instituição do porte da USP, de solidez e abrangência.

Seus ateliês de estampa tiveram papel pioneiro na renovação e no aprimoramento da linguagem gráfica, tanto nos formatos tradicionais como na exploração de novos formatos e técnicas; são também referência no país seus laboratórios de fotografia analógica e digital. Há mais de uma década, o Departamento oferece ateliês de cerâmica e aperfeiçoa a área de suportes tridimensionais. A experimentação com as possibilidades criadoras do universo digital, do mesmo modo, aí se expandiu e consolidou no período, ampliando o escopo de atuação profissional dos egressos.  As áreas de Pintura e Tridimensional assinalam, igualmente, presença marcante na busca da renovação da tradição artística, estimulando o diálogo com a imagem digital, com a poética da instalação, abrindo, ainda, tal tradição às poéticas do espaço urbano. Os artistas que atuam no Departamento são reconhecidos no meio nacional e internacional, e empenham-se em ampliar o trânsito de alunos e docentes em instituições culturais no país e no Exterior.

Os cursos de graduação, pós-graduação, cultura e extensão ministrados ou organizados por seus docentes, ou os diversos centros de pesquisa por eles coordenados, contribuem para a formação de artistas e arte-educadores, críticos, curadores e profissionais capacitados a atuar em instituições artísticas. Os estudos ligados a seus grupos de pesquisa ou ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, sobre arte brasileira do século XIX à atualidade, sobre o papel da fotografia na transformação contemporânea do estatuto da imagem e sobre arte moderna europeia – entre outros - aportaram contribuição bibliográfica relevante ao cenário universitário brasileiro.  O Departamento oferece uma Licenciatura e Bacharelados em Escultura, Gravura, Pintura, e Multimídia e Intermídia. Visa a formação de artistas nos bacharelados específicos, apoiada no conhecimento de um universo amplo de linguagens artísticas e a formação de professores de arte para o ensino médio e fundamental, Terceiro Setor, museus e instituições culturais. As quatro habilitações e a licenciatura oferecem formação teórica básica em história e teoria da arte. Buscam o equilíbrio entre conteúdos teóricos e práticos e estimulam os estudantes a consolidarem seus conhecimentos mediante a pesquisa continuada.
 

DEPARTAMENTO DE MÚSICA – CMU

Com suas atividades iniciadas em março de 1971, o projeto pedagógico do Departamento de Música, assim como suas atividades de pesquisa e extensão contemplam as diversas modalidades e linhas de formação da área: performances instrumentais e vocais, estudos de análise e musicologia, bem como a formação do regente, do compositor e do educador musical. Seu corpo docente é altamente qualificado e deve sua formação a algumas das melhores escolas do mundo, vocação esta que prossegue através de convênios de cooperação acadêmica formalizados com diversas instituições estrangeiras, visando ao intercâmbio de estudantes, docentes, pesquisadores e membros da equipe técnico-administrativa.

Além de se constituir em um dos principais centros de formação musical no Brasil, a produção artística de seus professores e alunos é relevante no cenário nacional e internacional e ocorre tanto na prática tradicional quanto no campo das novas tecnologias, em especial da sonologia. Os trabalhos de reflexão e pesquisa científica abordam a música e suas interfaces com as mais variadas áreas do conhecimento, desde as ciências exatas (matemática e física) até as humanas (filosofia e sociologia). Vários docentes e egressos do Departamento têm se destacado por meio da obtenção de prêmios em concursos nacionais e internacionais e obtido amplo reconhecimento da crítica especializada.

Entre os vários grupos musicais pertencentes aos laboratórios do Departamento de Música, destacam-se a Orquestra de Câmara da USP (OCAM), que ocupa os mais importantes teatros e espaços culturais da cidade com propostas musicais originais e inovadoras, os corais do Projeto Comunicantus, o Laboratório de Música de Câmara, com cerca de cem concertos anuais no campus e fora dele, o Conjunto de Música Antiga, pioneiro no âmbito universitário brasileiro, e o projeto Véspera Profana, mostra semestral de composição que divulga o trabalho da novíssima geração de compositores que vem sendo formada. Durante todo o ano são realizados masterclasses de interpretação musical, dos mais diversos instrumentos, que contam com a colaboração de artistas brasileiros e estrangeiros, abertos a toda a comunidade.

O Departamento passou recentemente por uma significativa melhoria de sua infraestrutura, com a aquisição de grande número de instrumentos musicais, incluindo pianos de cauda da marca Steinway & Sons, instrumentos de teclado antigos (fortepiano, cravo, órgão portativo), de madeiras (consort de flautas renascentistas “Bassano”, coro de flautas transversais,  requinta, clarone, corne inglês), metais (trompetes, sacabuxas, trompas lisas, trombone baixo), de cordas (violinos, violas e violoncelos modernos e barrocos, contrabaixos, arcos barrocos e clássicos), de percussão (marimbas, glockenspiel, vibrafones, tímpanos), além de uma harpa, o que certamente o qualifica, sob esse ponto de vista, como um dos departamentos de música mais bem equipados da América Latina.
 

DEPARTAMENTO DE CINEMA, RÁDIO E TV - CTR

O CTR surgiu em 1967 como Departamento de Cinema, Teatro, Rádio e Televisão; em 1982, o setor de teatro ganhava autonomia e a sigla CTR passou a nomear duas grandes áreas: Cinema e Rádio e Televisão. Já no momento de sua criação, o Departamento firmava o propósito de formar profissionais lastreado no histórico de experimentação e reflexão que o percurso notável do cinema brasileiro lhe trouxera – ademais em consonância com a inquietação que nos anos 1960 marcava o meio cinematográfico brasileiro e mundial, no qual emergia uma política de valorização autoral e em favor de cinematografias locais.

Desde 2000, o CTR busca  abordar as grandes áreas historicamente presentes em sua fundação à luz do campo ampliado e interligado de especializações do que se convencionou chamar Audiovisual. Esse espírito norteou a reformulação da proposta curricular e a criação do Curso Superior do Audiovisual, no qual as áreas se fundem, sem que sejam desconsideradas as especificidades de cada um desses meios. Tal processo de atualização seguiu uma tendência internacional, ao mesmo tempo em que preservou a trajetória política, social e cultural de formação do CTR, rica e complexa.

Nessa trajetória, ressalta o percurso acadêmico/profissional de um corpo docente engajado nos debates mais relevantes da cultura audiovisual, como também a presença marcante dos egressos do CTR no meio profissional e institucional brasileiro. Evidencia-se, dessa maneira, seu papel de núcleo formador de pensamento. De fato, docentes do CTR colaboraram na criação das Novas Diretrizes Curriculares para o Ensino de Cinema e Audiovisual aprovadas pelo MEC em 2006, um reconhecimento de seu lugar de destaque no cenário cultural brasileiro. Além disso, é significativa a presença, no campo do Audiovisual, de profissionais atuantes no CTR, ou dele egressos, em cargos de direção de entidades nacionais e internacionais de pesquisa, ensino e representação profissional. Ressalte-se, ainda, que um número expressivo de professores e ex-alunos exerceu ou exerce funções de proa em órgãos públicos brasileiros da área da cultura em geral ou especificamente da área de cinema e televisão.

A criação do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, em 2006, propiciou a oportunidade de resgatar o legado de pesquisa histórica e estética de professores e pesquisadores do CTR ligados aos estudos de cinema, rádio, televisão e, no início, também de teatro. O programa busca a transdisciplinaridade, em diálogo com as ciências sociais, a filosofia, história, teatro, artes plásticas, arquitetura, comunicação, partindo da tradição de uma matriz privilegiada, que é a análise fílmica.

A formação de profissionais nas áreas em que o CTR atua é complexa, envolvendo um espectro amplo de especialidades, de cunho teórico e prático. A meta do Departamento é manter o equilíbrio entre essas duas instâncias, prestigiando a formação profissional, mas também a indispensável exigência da sólida formação estética e intelectual.

 

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÕES E ARTES – CCA

Criado em 1967, e integrado originalmente por professores vinculados, em sua maioria, às áreas da Linguagem e das Ciências Humanas, o Departamento de Comunicações e Artes (CCA) abrigou duas missões distintas ao longo da história da ECA.

De sua constituição até o início dos anos de 1990, respondeu pela formação básica de todos os alunos da Escola, oferecendo as disciplinas curriculares de fundamentação teórica (ministrando, desta forma 50% do currículo dos cursos da ECA). Com a reforma curricular de 1993-1994, enquanto mantinha a oferta de disciplinas obrigatórias e-ou optativas para os diversos cursos da ECA e para a própria USP, o CCA passou a diversificar seu foco de trabalho, quer intensificando a pesquisa acadêmica em nível de pós-graduação, quer consolidando a oferta de ações formativas, no nível da especialização e da extensão - criou uma revista de circulação nacional, instalou um curso de especialização lato sensu em gestão comunicativa e atendeu, no período, a aproximadamente 30 mil pessoas em projetos presenciais e a distância vinculados especialmente à área da educação comunicativa, contribuindo para instituir políticas públicas de formação em nível federal, estadual e municipal.

Tais fatos, em seu conjunto, propiciaram a construção dos referenciais epistemológicos e metodológicos indispensáveis para a oferta de um novo curso de graduação para a ECA, a Licenciatura em Educomunicação, aprovada pela congregação da Escola, em 2006, e pelo Conselho Universitário em 2009. Dessa forma, em fevereiro de 2011, o CCA deu início ao curso de Licenciatura em Educomunicação, acolhendo a primeira turma de 30 alunos. Em 2013, inaugura o Laboratório de Inovação, Desenvolvimento e Experimentação em Educomunicação – Labidecom, destinado às atividades didático-pedagógicas da Licenciatura. A nova proposta abre um campo diferenciado de atuação para um novo profissional: o educomunicador.

Hoje, o CCA reúne 18 docentes, cumprindo diferentes funções no espaço da ECA/USP: na Graduação, oferece disciplinas obrigatórias para os cursos de Biblioteconomia, Editoração, Publicidade, Relações Públicas e Turismo, além de disciplinas optativas para todos os cursos da ECA e da USP, atendendo uma média de 1.100 alunos a cada semestre. Na Pós-graduação integra três diferentes programas, nas áreas da comunicação e das artes; na Pesquisa, Cultura e Extensão mantém dez centros de pesquisa com produção constante e contundente. Dentre as ações do Departamento com forte repercussão em políticas públicas, destacam-se os cursos de Gestão da Comunicação e o Curso Educomunicação: Comunicação, Mídias e Educação, ambos em nível de especialização; o projeto Educom.rádio, em nível de extensão. Na modalidade a distância, colabora com o MEC na implementação do Programa Mídias na Educação, no Estado de São Paulo. Edita a revista Comunicação & Educação, a mais consultada na elaboração de pesquisas de mestrado e doutorado, em todo o país.

O DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E TURISMO - CRP

O CRP PARA ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA

O Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) da ECA-USP surgiu com o curso de Relações Públicas (1967), ao qual seguiram o de Publicidade e Propaganda (1970) e o de Turismo (1973). Desde então, foi notável seu avanço quanto a publicações, convênios nacionais e internacionais, projetos de pesquisa e extensão etc., bem como a representação de professores e egressos na política nacional e em entidades de classe. O aperfeiçoamento dos três cursos decorre, principalmente, do protagonismo dos docentes na definição das diretrizes curriculares nacionais, do incentivo a iniciativas que impactam no avanço da ciência e de ações que apoiam a implementação de políticas públicas.

Relações públicas

O curso de Relações Públicas foi pioneiro e serviu de paradigma no Brasil, contribuindo para a elaboração de diretrizes curriculares desde suas origens, bem como para a instalação de outros cursos no país. Em seus 48 anos, graduou grande número de profissionais e pesquisadores que têm se destacado nas organizações e no meio acadêmico. Coube, também, a ele instituir, por iniciativa do professor Cândido Teobaldo de Souza Andrade, a pós-graduação stricto sensu na área. As primeiras teses e dissertações foram defendias já a partir de 1970, o que expressa o vanguardismo da ECA-USP em perceber as novas demandas na formação de pesquisadores e gestores da comunicação.

Outra iniciativa relevante foi a criação, em 1999, do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu de Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Gestcorp). Mais uma vez se comprovava o papel paradigmático na formação de pesquisadores e gestores pensantes e críticos. Esse curso tem propiciado uma fecunda integração entre a USP, a sociedade e o mercado, bem como a adoção de novas práticas de comunicação pública.

Um dos frutos do Gestcorp foi o lançamento, em 2004, da Organicom - Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, que, avaliada com o índice Qualis B1 pela Capes, debate temas contemporâneos de abrangência nacional e internacional. A criação, em 2004, da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas (Abrapcorp) também resultou do esforço dos professores do curso.

Publicidade e propaganda

O curso de Publicidade e Propaganda foi pioneiro na criação de um projeto pedagógico a partir de diretrizes humanistas e interdisciplinares. Outras iniciativas já existiam em São Paulo, mas voltadas apenas à profissionalização. Assim, o curso representou o primeiro legado ao ensino da propaganda em nível superior. As reflexões desenvolvidas pelos docentes serviram de parâmetros para a maioria absoluta dos cursos de publicidade que proliferaram no país.

Embora o curso nunca se tenha atrelado apenas ao mercado, quando tomou vulto a perspectiva de normatização das atividades publicitárias, ele teve papel decisivo, tanto na redação do código, encabeçada pelo professor Luiz Celso de Piratininga Figueiredo, quanto na institucionalização do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

Seu papel de liderança manifesta-se também na consolidação da pesquisa acadêmica na área, tendo-se originado nele as primeiras teses e dissertações. Seu pioneirismo evidenciou-se na introdução de uma linha que coloca o consumo no centro da pós-graduação. Outros destaques foram a criação das revistas Signos do Consumo (2007), Metáforas e Estética, além da pós-graduação lato sensu de Pesquisa de Mercado em Comunicações, Estética e Gestão da Moda, Gestão da Comunicação e do Marketing.

Em 2009, foi criada, por iniciativa do curso, a Associação dos Pesquisadores em Publicidade e Propaganda (ABP2), com pesquisadores de todos os estados brasileiros. Também sob a liderança de seus professores, iniciaram-se as discussões sobre as novas diretrizes curriculares nacionais da área. Tais iniciativas revelam novamente a liderança do CRP na reflexão sobre as políticas nacionais em publicidade, reconhecida em todo o país.

Turismo

O curso de Turismo foi o primeiro oferecido por uma instituição pública, servindo de referência para a implantação dessa carreira em diversas partes do país. Os estudos sobre a atividade turística tiveram origem com a implantação de uma linha de pesquisa no programa de pós-graduação para impulsionar o desenvolvimento de teorias e métodos e formar uma massa crítica, hoje espalhada no território nacional, tanto na academia quanto na gestão pública. Egressos da pós-graduação já ocuparam cargos destacados, como os de ministro dos Esportes e do Turismo e de presidente da Embratur e da Anhembi Turismo e Eventos.

O diferencial do curso sempre foi seu foco no planejamento do turismo em nível público ou privado, com destaque para a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Turístico Municipal, já implantado, geralmente em parcerias, em muitos municípios. Dentre as ações de extensão sobressai o Projeto de Turismo Social Rosa dos Ventos, iniciativa dos alunos de graduação, coordenada por um professor, que promove a inclusão social de crianças em situação de vulnerabilidade, proporcionando a democratização do lazer e do conhecimento.

A disseminação do conhecimento produzido também é uma tarefa assumida, desde 1990, por meio da revista Turismo em Análise, avaliada com o índice Qualis B2 pela Capes, primeiro periódico científico brasileiro a publicar, ininterruptamente, artigos científicos sobre turismo, lazer e hospitalidade, constituindo-se em uma referência para estudiosos da área.

Como fica evidente, a atuação social do CRP está associada ao seu indiscutível pioneirismo nas três áreas. Sua pesquisa alcança a sociedade por meio de publicações paradigmáticas, da atuação docente em nível diretivo privado e governamental, da pós-graduação lato sensu (mais de 1.500 alunos formados), das agências juniores, de seus grupos de pesquisa e, principalmente, por meio de sua capacidade nucleadora de pesquisadores, professores e gestores no país. Para além dos muros da Escola, o CRP é um caminho que continua a elevar cada vez mais os patamares de excelência de sua pesquisa, seu ensino e sua extensão.
 

DEPARTAMENTO DE JORNALISMO E EDITORAÇÃO – CJE

A história do curso de jornalismo da USP mistura-se com a própria história política do país. Criado em plena vigência da ditadura militar, o curso iniciava-se no mesmo momento em que a Faculdade de Filosofia da USP vivia tempos de revolta estudantil. O ano de 1968 praticamente não existiu para os alunos da ECA. Na recém-criada Escola, o conflito rebatia-se internamente. Os alunos exortavam os professores a atuarem com eles nas “comissões paritárias”, criadas em 68 e sediadas no Pavilhão B9, por eles ocupado.

Fato é que foi na ECA que surgiu o primeiro movimento nacional contra o regime militar após a decretação do AI-5. Exigia-se a saída do diretor Manuel Nunes Dias, seriamente comprometido com os militares. A situação só iria se estabilizar com o final da década de 1970, já em clima de abertura política.

Nessa época, o Departamento de Jornalismo e Editoração volta a ser chefiado pelo professor José Marques de Melo, Diretor da ECA de 1989 a 1993, que com os professores Ciro Marcondes e Gaudêncio Torquato constituíram o primeiro grupo de docentes a conquistar a livre-docência e posteriormente o cargo de professores titulares em jornalismo, em 1987. No mesmo ano, o CJE criava o primeiro ombudsman da imprensa brasileira, alcançava visibilidade, amadurecia academicamente e, com isso, se preparava para seu maior salto qualitativo, tendo em vista que, do ponto de vista pedagógico, o CJE implantou, três anos após e de forma revolucionária, um currículo experimental, reestruturando totalmente a forma de ensino, incluindo, para isso, a visita de docentes a universidades estrangeiras para que, a partir de suas experiências e de sua vivência, se pensasse um modelo efetivamente novo de prática universitária. Nunca, nem antes, nem depois, sentiu-se nos corredores do CJE tanto entusiasmo e gosto pela inovação e pela, enfim, tão esperada maturação do curso de jornalismo da USP.

Efervenciam, ao mesmo tempo, os cursos de pós-graduação ministrados pelos docentes de jornalismo, que acabaram funcionando como celeiro para a constituição de parte majoritária dos quadros de mestres e doutores que posteriormente criaram, em seus estados de origem, cursos próprios de pós-graduação, implantando o que se tornou a pesquisa brasileira do jornalismo.

Nesses 47 anos de existência, tendo formado mais de 2000 profissionais, o CJE colaborou, de forma significativa, para a constituição do que se tornou a nata da imprensa brasileira das últimas décadas. Afora isso, acolheu nos bancos universitários uma massa de jovens ávidos pela reconstrução nacional e lhes deu um sentido político de existência; mais do que isso, criou as bases para a possibilidade de um estudo sério de jornalismo, aparelhando a graduação com solidez teórica e a pós-graduação com um volume expressivo de pesquisas.

Editoração
Criado em 1972, o curso superior de editoração da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo foi o segundo bacharelado do país destinado especificamente a formar editores. O primeiro surgiu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1971. Esses cursos vinham a atender a novas demandas do mercado de bens culturais, que caminhava para a especialização e a segmentação dos produtos, em função das classes emergentes de consumo que despontavam nesses tempos do chamado "milagre econômico". A primeira turma de formandos em Editoração da USP colou grau em 1975. Dessa data até 2014, a Escola formou cerca de 400 bacharéis, habilitados ao exercício  de variadas funções na complexa cadeia produtiva do livro, dentre outras: seleção de obras a publicar, edição de texto (estabelecimento, preparação e revisão), arte (design, edição de imagens, produção gráfica, etc.), rotinas de secretaria editorial e gráfica, planejamento de mercado para publicações (viabilidade econômica, tiragem, qualidade técnica), trabalhos administrativos de uma editora.

A alta qualidade do curso de editoração oferecido pela ECA-USP é reconhecida publicamente, como demonstra a empregabilidade plena de seus egressos e, entre outros exemplos, a nota máxima ( cinco estrelas) recebida no Guia dos Estudantes, em 2014, resultado que se repete há vários anos. O curso foi reformulado e atualizado em 2012, por meio de um Projeto Político-Pedagógivo construido democraticamente, com ampla participação dos corpos docente e discente. Desde as origens o curso de editoração confirma sua vocação multidisciplinar, pois incorpora na grade curricular disciplinas teóricas e práticas dedicadas à formação acadêmica humanística tanto quanto à formação profissional apta ao trabalho, que implica a familiaridade com as inovações tecnológicas. Para issso, o curso conta com a empresa júnior e a editora-laboratório Com-Arte, dedicadas a publicação de livros, revistas e outros produtos editoriais em suporte digital ou impresso. O catálogo da Com-Arte, atualmente, perfaz cerca de duzentos títulos, entre os quais se destacam os livros das coleções Memória Editorial, Editando o Editor, Primeira Impressão e Reserva Literária (projeto desenvolvido em parceria coma a editora da Universidade de São Paulo- Edusp). Embora o livro seja o principal objeto de estudo e prática, o curso também se dedica à produção de revistas, como Originais Reprovados, Artigo Definido e Quadreca, esta última voltada para o desenvolvimento de histórias em quadrinhos desde a década de 1970.

Além disso, o curso participa de programas de intercâmbio internacional e estimula fortemente as atividades de pesquisa, como as que se desenvolvem no Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nele), responsável pela publicação da revista Livro, periódico de alcance internacioanl, ou as que se divulgam em livros de professores, alguns deles agraciados com prêmios de grande prestígio, como são os casos de Mecenato Pombalino e Poesia Neoclássica ( prêmios Jabuti e Lasa Book Prize, em 2000) e O Altar & o Trono: dinâmica do poder em o Alienista (prêmio José Ermírio de Moraes, da Acaddemia Brasileira de Letras, em 2011), ambos de Ivan Prado Teixeira, e o Império dos Livros, de Marisa Midori Deaecto, (em 2012, vencedor dos prêmios Jabuti e Sérgio Buarque de Holanda, este atribuído pela Fundação Biblioteca Nacional).

Ativiades de Cultura e Extensão são igualmente estimuladas, como pode ser atestada pelo Fórum de Editoração, evento realizado anualmente - pela 10ª vez em 2014-, reunindo profissionais e acadêmicos da área para a discussão de temas caros ao universo editorial do Brasil e do mundo. 

Em sua história, o curso de editoração da ECA mantém relações mutuamente proveitoasa com a Editora da Universidade de São Paulo. Reconhecida por sua excelência, a Edusp sempre contou com profissionais egressos do curso, selecionadas por concursos públicos. São eles corresponsáveis pelo sucesso da Edusp. Esta, por ausua vez, acolhe estagiários do curso, contribuindo significativamente para a formação de profissionais de nível superior, que enriquecem a indústria editorial; além disso, a Edusp é parceira da Com-Arte, contribuindo para a realização de projetos como as publicações da coleção Reserva Literária.

Para os desafios futuros, estão em pauta: a permanente avaliação do projeto político-pedagógico no intuito de realizar ajustes que o aperfeiçoem; a consolidação do corpo docente, por meio de concurso público que atenda a carência que ainda se verifica no quadro de professore efetivos; a maior adequação às exigências de pesquisa científica e de um programa de pós-graduação específico, profissionalizante e acadêmcico; a consideração de novas demandas da sociedade, em especial aquelas relacionadas às novas tecnologias, avaliadas com a mesma serenidade daqueles que jamais duvidaram da importância do impresso para o fomento da cultura nas sociedades contemporâneas, principalmente do editor de livros -mediador responsável pela oferta cultural e social do livro, principal suporte do conhecimento da cultura e da arte, estes valores essenciais da humanidade.
 

DEPARTAMENTO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO – CBD

O CBD atua em todas as frentes das atividades próprias da universidade, contribuindo para a formação de massa crítica para a área, criação de novos cursos de pós-graduação, ações diretas em dispositivos de cultura e informação, capacitação e desenvolvimento de competências informacionais de alunos e docentes do ensino básico, educação da população de diferentes segmentos para a apropriação de bens simbólicos. A produção científica dos docentes do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação, como também sua atuação fora do país, tem contribuído para a internacionalização da universidade.

O curso de Biblioteconomia e de Documentação da então Escola de Comunicações Culturais (ECC) foi implantado em 1967. Tem sido considerado um dos melhores do país, tendo recebido 5 estrelas, do Guia do Estudante, da Editora Abril, desde a década passada. A formação recebida pelos alunos é, em larga medida, responsável pelas posições de destaque que ocupam os egressos, tanto em órgãos públicos quanto na iniciativa privada. Vários deles ocupam ou ocuparam postos de trabalho em órgãos como a ONU e Banco Mundial. Muitos alunos de graduação têm realizado estágios no exterior com bolsas recebidas de instituições de fomento.

Os docentes do departamento desenvolvem importantes atividades relacionadas às políticas públicas, por meio de ações junto a instituições de memória, tais como Centros Culturais, Bibliotecas, Museus, Arquivos públicos. No âmbito da Educação Básica, podem ser citadas as ações de formação de competências informacionais para alunos e docentes do ensino público do Estado e intervenções para a inclusão de diferentes segmentos sociais e para a capacitação na área de produção e apropriação de bens simbólicos, bem como a capacitação de comunidades da periferia na implantação e gestão de acervos de bibliotecas locais.

O Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI) tem tido papel destacado de nucleação e de formação de quadros para os cursos de graduação e pós-graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação do país. Tem contribuído de forma efetiva para o fortalecimento do Sistema Nacional de Pós-graduação, tanto supervisionando docentes e pesquisadores nas atividades de Pós-doutoramento, quanto pela participação na Coordenação da área CSA1 da Capes. A integração dos alunos a Grupos de Pesquisa do PPGCI é também relevante, tendo como resultado o crescimento da quantidade e qualidade de trabalhos produzidos em coautoria entre docentes e alunos para apresentação em eventos científicos do país e do exterior, ou publicação em periódicos.

A presença de professores estrangeiros no Programa, em disciplinas e atividades de pesquisa, tem sido bastante expressiva. O esforço de internacionalização tem aberto, também, importantes oportunidades de realização de doutoramento-sanduíche de alunos do Programa em países como Espanha e Holanda e atuação de docentes como professores visitantes no exterior.

Bolsistas de iniciação científica orientados por docentes do CBD têm recebido prêmios nos eventos desta área da universidade. Muitos desses alunos têm se integrado posteriormente à pós-graduação.

 

A PÓS-GRADUAÇÃO

A institucionalização da pós-graduação na Escola de Comunicações e Artes foi fator decisivo para o desenvolvimento do campo das Comunicações, das Artes, da Informação e do Turismo no Brasil. Os primeiros doutores dessas áreas formados no país são oriundos desses programas. Atualmente a Pós-graduação da ECA constitui-se de seis programas, sendo dois de Comunicação: Ciências da Comunicação (PPGCOM) e Meios e Processos Audiovisuais (PPGMPA); três de Artes: Artes Visuais (PPGAV); Artes Cênicas (PPGAC); e Música (PPGMUS); e um de Ciência da Informação (PPGCI).

Sua singularidade em unir num mesmo espaço as Comunicações e as Artes nos níveis de graduação e pós-graduação numa perspectiva de vanguarda foi e é uma das suas marcas registradas, cujo destaque é reconhecido nacional e internacionalmente.

A pós-graduação na ECA-USP constitui, desde sua criação nos anos de 1970, um centro nucleador. É fato histórico o papel pioneiro que a pós-graduação na ECA-USP teve na construção do campo acadêmico das Comunicações e das Artes no Brasil.

Os registros documentais do PPGCOM da ECA-USP destacam historicamente duas frentes de atuação. A primeira, institucional, que pode ser identificada pela batalha na autonomização da área dentro do campo do conhecimento e que se reflete na conquista de sua atual inserção na Tabela de Áreas do Conhecimento dentro da grande área de Ciências Sociais Aplicadas como Área de Comunicação e respectivas Especialidades. Foram justamente docentes deste programa, como Fredric Litto, Eduardo Peñuela Cañizal e José Marques de Melo, que ao participarem de comitês de assessoramento do CNPq-Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, vinculado ao Ministério de Ciências e Tecnologias, que muito contribuíram para o reconhecimento da comunicação como área autônoma no âmbito das Ciências Sociais Aplicadas. Destacamos também a fundamental e pioneira atuação do professor Walter Zanini no campo das Artes, que é o mais antigo do Brasil. O mestrado em Artes foi instituído em 1972 e oficialmente implementado em 1974. O segundo mestrado em Artes no Brasil só veio surgir 11 anos depois, em 1985. O Programa de doutorado em Artes, também pioneiro em 1980, foi durante 15 anos o único doutorado brasileiro.

A segunda frente é a acadêmico-científica, quer como centro formador de pesquisadores, professores e profissionais, quer pela primazia na sistematização da pesquisa e da geração de conhecimento em Comunicações e Artes no Brasil. Esses programas abrigam um universo diversificado e abrangente de ingressantes tanto em nível regional e nacional como de países da América Latina e da África.

O papel de incubadora de novos cursos de pós-graduação e da revitalização de antigos tem sido uma das marcas distintivas da história da pós-graduação na ECA. Tanto o Programa de Meios e Processos Audiovisuais, quanto o de Ciência da Informação surgiram em decorrência do avanço da pesquisa em Comunicações que possibilitaram melhor compreensão dos referenciais culturais próprios da sociedade contemporânea e identificar novos campos de pesquisa, constituídos e consolidados  a partir dessa base.

No que diz respeito a sua contribuição nacional e interncacional, continua atuante e sendo uma das maiores referências e um grande polo irradiador no campo das Comunicações e das Artes. Como centro nucleador de muitos outros programas de pós-graduação no Brasil tem se destacado como gerador de produção de novos conhecimentos das mais diversas áreas. Muitos professores que integram os programas desta Escola e ex-alunos são autores de obras de referência na formação de profissionais e pesquisadores existentes no país.

 

A PESQUISA

A Escola de Comunicações e Artes formou gerações de comunicadores, artistas e pensadores que atuaram e atuam, ainda hoje, ativamente, na sociedade. Professores da ECA estiveram e estão presentes em importantes instituições culturais e artísticas, como o Centro Cultural São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo e a Cinemateca Brasileira. Muitos colaboraram e colaboram com periódicos de grande circulação, participaram e participam da produção de filmes e grupos teatrais, foram e são cronistas e críticos de arte. Compuseram comissões julgadoras e ocuparam lugar de destaque nas Secretarias da Cultura, em nível, municipal, estadual e federal.

A ECA é responsável por trazer para a sociedade alguns dos primeiros programas de pós-graduação stricto sensu como núcleos de pesquisas e produção científica nas áreas de comunicação e artes. No campo da pesquisa, a ECA apresentou crescimento, nos últimos anos, seja nos grupos e núcleos de pesquisa, ou no número de bolsistas em diferentes níveis acadêmicos que vão da Pré-Iniciação Científica ao Pós-Doutoramento.  Para expor essa ampla e diversificada produção, a Comissão de Pesquisa da ECA elaborou dois catálogos (em 2011 e 2012) mapeando a contribuição de alunos e professores. Essas publicações atestam a crescente importância da pesquisa que se desenvolve de forma ampla e irrestrita, indo da investigação teórica, à pesquisa estética, da pesquisa tecnológica à investigação da linguagem. Essa diversidade demonstra a importância inconteste da área de pesquisa nas comunicações e nas artes.

 

A CULTURA E EXTENSÃO

A Escola de Comunicações e Artes tem uma vocação natural para a área de Cultura e Extensão, com diversidade e riqueza. São oferecidos cursos de extensão de difusão, de atualização e de especialização, este último com muitas edições, principalmente na área das comunicações.

A escola tem projetos de professores e de alunos com longevidade, voltados para crianças, jovens, adultos e de terceira idade, envolvendo diversas áreas, com caráter social evidente. A área de artes, pela ação de professores, alunos de pós-graduação e graduação, oferece à comunidade de forma gratuita espetáculos teatrais e de dança, apresentações musicais (orquestra de câmara, grupos de música erudita, popular e contemporânea), exposições de artes visuais e vídeos (audiovisual), atingindo milhares de pessoas, seja da comunidade da universidade, seja da comunidade externa.

A ECA tem na área de Cultura e Extensão um espaço de troca de conhecimento, levando os resultados do ensino e da pesquisa desenvolvida dentro da academia para fora dela e trazendo para dentro o conhecimento gerado na sociedade, que contribui na reflexão de seus pesquisadores, tanto professores quanto alunos.

 

 

texto: Margarida Maria Krohling Kunsch | publicado no livro USP 80 anos, Edusp, 2015