Encontro de Educomunicação reúne pesquisadores e secretários de educação

Nos dias 2 e 3 de dezembro, a ECA sediou o III Encontro Brasileiro de Educomunicação, evento que recebeu 36 secretários de educação de municípios, professores da área e participações internacionais. O encontro tinha como objetivo apresentar o curso de especialização em Educomunicação da Escola – que terá início no primeiro semestre de 2012 – e comemorar os dez anos no Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) do Departamento de Comunicações e Artes (CCA).

Segundo o professor Ismar de Oliveira Soares, chefe do CCA, a demanda pelo curso de especialização em Educomunicação surgiu de profissionais que desejam se aprofundar no tema, mas sem ter de enfrentar um vestibular ou uma graduação de quatro anos. Além disso, o programa contribui para a meta de, no prazo de dez anos, ter pelo menos um educomunicador em cada município brasileiro.

A professora Maria Cristina Costa Castilho, coordenadora do curso, explica que a especialização trabalhará com três frentes: base teórica humanística, formação política voltada para a educação e produção de materiais pedagógicos e campanhas educativas. “É importante o educomunicador ter essa experiência mais prática, saber quais são os recursos disponíveis para atingir determinados fins”, afirma.

A ECA será a primeira instituição a oferecer um curso de especialização em Educomunicação, a partir da formação de duas turmas de 60 pessoas por semestre.

Projetos
Um dos projetos apresentados pelo Encontro foi o argentino Aprender com La Radio, da ONG Las Otras Voces. Liderada pela jornalista Silvia Bacher, a organização atua com conscientização da sociedade sobre a importância da comunicação e difusão de projetos desenvolvidos em cerca de 450 escolas de todo o país. O programa articula e divulga a produção radiofônica realizada nas escolas através do envio de boletins virtuais e material gráfico, além de promover trocas de experiência entre elas.

Para Silvia, a comunicação é um direito que abre portas e que está diretamente ligado ao direito à educação. “Os meios de comunicação são um meio possível para o exercício de direitos, para o fortalecimento da participação popular e para incentivar o protagonismo dos mais jovens”, diz. A partir do momento em que a população está conscientizada de seu papel, ela age, iniciando um processo de transformação social.

O maior impacto do programa, de acordo com Silvia, foi a percepção do poder da juventude na concepção de ideias e alternativas às problemáticas que os envolvem. Os adultos se surpreendem ao descobrir nesse grupo uma contribuição valiosa para a melhoria de condições de vida. Os jovens, por outro lado, finalmente encontraram uma forma de serem ouvidos e levados em conta na tomada de decisão.

O encontro também recebeu a jornalista Cristiane Parente, do Programa Jornal e Educação. Também voltado para a formação de educadores e alunos com mais consciência do poder da mídia, o projeto fomenta a leitura crítica de jornais nas escolas e a produção de jornais escolares. “Se boa parte do que a gente sabe sobre a realidade hoje é, de certa forma, apresentada a partir das mídias, por que não colocar isso na sala de aula e discutir com os alunos?”, questiona ela.

Para a jornalista, os jornais são um produto cultural que representam a realidade e formam opinião. Por isso, é muito importante que eles sejam tomados como objeto de análise e leitura crítica pelos estudantes, abordando o processo de produção de uma notícia, edição, escolha de títulos e omissões. Durante a criação de jornais escolares, esse trabalho fica ainda mais claro, pois os alunos entendem, na prática, como funciona essa dinâmica. “O jornal escolar é como qualquer outro, envolve as mesmas questões e enfrenta as mesmas dúvidas que um veículo comercial”, atesta Cristiane.

A dimensão ética é a mais valiosa para ser estudada em sala de aula: “É necessário compartilhar com os estudantes a responsabilidade de falar do outro, os perigos da criação de estereótipos, o poder da palavra, enfim”.

 

por Meire Kusumoto