Escola do Futuro inaugura nova sede

O NACE Escola do Futuro – USP inaugurou na manhã desta sexta-feira, dia 26 de maio, sua nova sede, no 2º andar do prédio do Centro de Difusão Internacional (CDI). O espaço irá se dedicar à formação de capital humano, pesquisa, experimentação e inovação. Nos últimos cinco anos, o núcleo esteve localizado na Prefeitura do Campus USP da Capital.

A Escola do Futuro tem sua origem no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), onde foi criado, em 1989, o Laboratório de Tecnologias de Comunicação, sob a coordenação de Frederic Michael Litto. Hoje professor emérito da ECA, Litto explicou que, na época de criação do núcleo, a pesquisa em comunicação, tecnologia e educação ainda era “um território virgem”, pouco explorado por outros pesquisadores. “A gente tentou ser o mais profissional possível e esse foi o nosso diferencial.”

A Escola do Futuro desenvolve projetos transdisciplinares baseados no hibridismo da Informação, Comunicação, Educação e Cultura e, para isso, adota como estratégia de atuação a pesquisa-ação, método que se constitui como um modo de conceber e organizar pesquisas sociais com finalidade prática, de intervenção em uma realidade. Lito conta que à época da criação do núcleo, sofreu muita resistência na própria USP. “Nas universidades públicas, especialmente nas humanidades, é difícil sobreviver por tanto tempo”.

Frederic Litto: “Há muita resistência à inovação, inclusive nas Universidades. Isso precisa ser superado”,
disse um dos fundadores da Escola do Futuro

“A gente é diferente desde que nasceu. E continuamos diferentes e fazendo a diferença”, acredita a professora Brasiliana Passarelli, atual coordenadora da Escola do Futuro. Em 28 anos de existência, o núcleo já desenvolveu mais de 150 projetos com diferentes instituições. “Desde o início, nós buscamos parcerias de governos e da iniciativa privada e é isso que nos mantém até hoje”.

É o caso do programa Acessa São Paulo, desenvolvido há 16 anos junto ao Governo do Estado de São Paulo. O programa oferece à população do estado o acesso às novas tecnologias da informação e comunicação (TICs), mantendo espaços públicos com computadores para acesso gratuito à internet. "É o maior programa de inclusão digital da América Latina”, conta Brasilina, com mais de 3 milhões de usuários cadastrados.

Após 18 anos dedicados à pesquisa-ação, a Escola do Futuro criou, em 2007, o Observatório da Cultura Digital, espaço dedicado à pesquisa empírica e formado essencialmente por estudantes de pós-graduação da ECA. Naquele momento, Brasilina, que tinha acabado de assumir a direção do núcleo, explica que a Escola do Futuro já dispunha de “maturidade suficiente para fazer pesquisa empírica e usar novas métricas”. O núcleo conta hoje com a participação de 20 doutorandos, mestrandos e pesquisadores parceiros ativos, além de uma ampla rede com quase 80 colaboradores.

O crescimento da Escola do Futuro é observado nas alterações de sua estrutura ao longo do tempo: de laboratório do CTR, passou, em 1993, à Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) e, finalmente, em 2013, à Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão (NACE), vinculado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária.

Novos projetos

A nova sede da Escola do Futuro irá abrigar dois espaços principais para o desenvolvimento de novos projetos de pesquisas. Um deles é o Inventando Futuros Room, cuja ideia é abrigar rodas de parceiros, workshops, cursos livres e encontros acadêmicos. O outro é o Inventando Futuros Lab, um laboratório compartilhado para experimentações e desenvolvimento de startups.

Inaguração da nova sede da Escola do Futuro, agora localizada no Centro de Difusão Internacional da USP

Para Manuel Marcos Maciel Formiga que, ao lado de Litto foi um dos fundadores da Escola do Futuro, os projetos do núcleo não devem se restringir à USP e ao estado de São Paulo. “Nós temos que procurar as secretarias da educação para levar os projetos da Escola do Futuro aos municípios de todo o país, principalmente aqueles mais carentes, com maiores índices de analfabetismo.“

O diretor da ECA, professor Eduardo Monteiro, acredita que a Escola pode se beneficiar pela maior aproximação com a Escola do Futuro. “Eu percebo que ainda conhecemos muito pouco da Escola do Futuro, apesar de ser um núcleo da ECA. Precisamos ter estratégias para atrair nossos professores e alunos para este espaço”. A Escola já conta com uma ampla produção de pesquisa sobre o tema: são mais de cem dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas até hoje em programas de pós-graduação sobre comunicação e educação.

Para a coordenadora da Escola do Futuro, o vínculo histórico entre a ECA e núcleo é forte e permanece até hoje: “A ECA está no DNA da Escola do Futuro. Eu sou da ECA, a maior parte do Conselho Deliberativo é da ECA, os fundadores são da ECA. Eu entendo que a proximidade com a Escola em todas as instâncias é muito bem-vinda. E espero que isso possa acontecer em breve”.

A nova sede do NACE Escola do Futuro está localizada no Centro de Difusão Internacional da USP, na Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 222, bloco B, 2º andar.

 

Texto: Verônica Cristo
Fotos: Rodrigo Siqueira