ECA realiza encontro com cientistas, pesquisadores e fabricantes de jogos

São Paulo foi sede de um dos eventos sobre games mais importantes do mundo, o Games for Change. O encontro reuniu além dos gamers de plantão, especialistas das mais variadas áreas do conhecimento para falar sobre a interdisciplinaridade que pode ser explorada através desse tipo de entretenimento. Assuntos como neurociência e semiótica foram abordados em diálogo direto com desenvolvedores e fabricantes de jogos do Brasil e também do exterior.

O Games for Change aconteceu entre os dias 8 e 11 de dezembro. O evento começou na ECA|USP, com palestras e fóruns acontecendo simultaneamente e sendo transmitidos via internet em tempo real e teve seu encerramento no Museu da Imagem e do Som (MIS).
 
Um dos palestrantes convidados, o neurocientista Guilherme Cianfarani, ressaltou que existe uma forte relação entre as pesquisas científicas e o desenvolvimento dos jogos, além de também ter comentado sobre alguns mitos em torno de questões comportamentais ligadas aos jogos: "Você não pode dizer que o jogo deixa o indivíduo violento. O que se pode dizer é que tem mudança sim. Agora, o quanto dessa mudança será palpável, vai mudar o comportamento do sujeito, de maneira que mude a vida dele, não é possível culpar os jogos".
 
O cientista considera ainda que o diálogo entre cientistas e educadores precisa melhorar, pois somente assim as pesquisas poderiam apresentar dados mais concretos: "O indivíduo que joga um jogo violento, mas tem um ambiente familiar estável e agradável, tem uma chance de se tornar um sociopata que tende a zero, o jogo não irá transformá-lo. Agora, um garoto que sofre abuso da família ou sofre algum tipo de trauma, e eventualmente joga Sonic ou qualquer outro jogo inofensivo, pode ter um desvio de comportamento absurdo. Tem essa relação dos outros fatores que nem sempre são considerados nas pesquisas, então você vê a dificuldade que é mensurar esses dados."
 
 
Gilson Schwarcz, um dos organizadores do evento e responsável pelo projeto de pesquisa Cidade do Conhecimento, espera que o evento continue crescendo e que envolva cada vez mais áreas de pesquisa e de conhecimento, abrangendo da comunicação à engenharia. Para ele: "o game é uma das coisas mais complexas na cultura que está surgindo após a internet, o game é interdisciplinar, tem que ter  roteirista a desenvolvedor, ter uma boa ideia, mas também uma resolução artística bem feita".
 
Entre outros aspectos gerais, o evento contou com palestras, debates, fóruns de discussão, interatividade online por meio de sms que poderiam ser enviados durante a palestra para aquisição de pontos que seriam trocados posteriormente por prêmios, além de atividades mais pragmáticas envolvendo os jogos e os consoles. No último dia de evento, o MIS comportava três andares com games de todos os tipos e para todos os gostos. Pais e filhos puderam interagir sem restrições ou limite de idade e as atividades atenderam à toda demanda do público que estava no local.
 
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 Texto e  foto  por Silvio Augusto Jr