Ex-aluna do CJE ganha prêmios em Berlim com documentário sobre ocupações em escolas

O ano de 2015 foi marcado por uma série de protestos dos estudantes secundaristas. Com o lema Ocupar e resistir, diversas escolas públicas estaduais foram ocupadas por jovens estudantes, com o intuito de chamar a atenção para temas urgentes, tornando pública a discussão pela qualidade do ensino público na mídia e na opinião pública. As ocupações foram então uma proposição de luta em nossa sociedade, uma forma desses jovens exigirem melhores condições de aprendizagem.

Foi com o olhar sobre este tema que a documentarista e ex-aluna do curso de jornalismo do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), Eliza Capai, realizou o longa-metragem Espero tua (Re)volta.  Além de ser o único filme representante brasileiro na Mostra Geração do 69º Festival de Berlim, um dos maiores do mundo, sagrou-se ganhador, no último dia 16, do Prêmio da Anistia Internacional (AI) e também do Prêmio da Paz que é dado pela Fundação Heinrich Böll, como expoente do cinema comprometido com a coragem cívica, segundo o júri.

Eliza Capai atua hoje como documentarista com temáticas relacionadas a gênero e sociedade. Assina a direção e roteiro de quinze curtas-metragens e quatro séries para TV, três séries para web, além de três médias e três longas-metragens documentais. Seus trabalhos estão vinculados a temas sensíveis como a situação feminina no sertão, aos indígenas, e já ganharam vários prêmios tanto no Brasil como no exterior.


A documentarista e ex-aluna do CJE, Eliza Capai, no Festival Internacional de Cinema de Berlim

O longa Espero tua (re)volta surgiu a partir do contato de Elisa ao acompanhar os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, para apurar e investigar o fornecimento de merenda nas escolas estaduais paulistas, em 2016. A diretora notou que a mídia fazia uma cobertura mais distante do tema e chamou a atenção a maneira como os jovens atingiram tanta organização. No longa, Elisa tenta entender a geração destes secundaristas, que conseguiram se articular para impedir a reorganização das escolas públicas no estado de São Paulo, no ano de 2015. Os personagens centrais são três jovens que trazem ao espectador diferentes pontos de vista sobre a situação, relembrando inclusive os eventos que tiveram início em 2013, com as Jornadas de Junho, até outubro do ano passado, com a vitória do atual presidente Jair Bolsonaro.


Cena do documentário Espero Tua (Re)volta, premiado no Festival de Berlim

O professor do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), Renato Levi Pahim, também documentarista, conta que Eliza "sempre foi uma aluna muito dedicada aos estudos e possui um grande domínio da linguagem cinematográfica.” Para ele, o trabalho de Eliza é fundamental para pensar um outro lugar do jornalismo:  “ela é admirável por realizar um trabalho de maneira totalmente independente, sempre tratando de temas extremamente importantes como questões de gênero, política e antirracismo, levando o jornalismo para além de um lugar comum, que normalmente é ocupado pelas grandes mídias e suportes mais tradicionais”, avalia o docente.

O filme possui previsão de estreia nos cinemas brasileiros no segundo semestre e continuirá participando de vários festivais no país e no mundo.

 

Texto: Samantha Nascimento da Silva
Foto de capa: alliance/dpa/G.Fischer
Fotos: Divulgação