Filme de ex-aluno da ECA é premiado em festival alemão

O cotidiano das caravanas de imigrantes latinos rumo aos Estados Unidos é o tema do documentário “La Espera”

 

O documentário La Espera (A Espera) recebeu o prêmio de Melhor Filme na 36ª edição do Festival de Curta-Metragem de Hamburgo, o Kurzfilm Festival Hamburg, na Alemanha, realizado virtualmente de 5 a 8 de novembro deste ano.

“Os prêmios não são o foco, mas fazem parte do processo de reconhecimento que buscamos”, diz Danilo do Carmo, ex-aluno do curso de Audiovisual do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) e codiretor, com Jakob Krese, do documentário recém-premiado no festival alemão. O filme foi selecionado também para outros festivais, como o International Film Festival Rotterdam, na Holanda, e o Guanajuato International Film Festival, no México. O curta-metragem retrata, em 14 minutos, o cotidiano incerto dos imigrantes latino-americanos na trajetória de busca por melhores condições de vida nos Estados Unidos.

A questão da entrada de refugiados latinos nos Estados Unidos ganhou repercussão na imprensa internacional recentemente, com a intensificação desse fluxo e a agressiva postura do presidente norte-americano Donald Trump contra a recepção desses grupos. O filme aproveita esse cenário para trazer o dia a dia das caravanas de refugiados, que se arriscam deixando seus países. Mais precisamente, traz o entardecer e amanhecer no deserto de Sonora, onde os imigrantes de Honduras, El Salvador, Nicarágua, Guatemala e México residem em barracas improvisadas na espera para embarcar no La Bestia, ou “trem da morte”, trem de mercadorias usado como transporte com destino à fronteira norte-americana. 

 

Cena do filme La EsperaCena do filme La Espera. Foto: Danilo do Carmo

 

O tema da imigração muitas vezes é relacionado à fuga da pobreza e da violência urbana, mas em La Espera há a situação das mulheres que fogem da violência doméstica, explica Carmo. Enquanto os homens são retratados como jovens aventureiros, mães solo fogem por motivos que são ainda menos reconhecidos pelo governo dos Estados Unidos. “Enquanto os jovens estão lá, se divertindo, contando histórias de terror de mortes no trem, enquanto eles falam das coisas com certa aventura, uma mãe tem uma decisão muito difícil, é um risco que ela está correndo e precisando decidir em relação aos próprios filhos”, descreve Carmo, referindo-se às cenas iniciais do filme. 

A produção foi feita entre dezembro de 2019 e março deste ano, acompanhando os imigrantes na travessia. “Nós fizemos uma caravana com os imigrantes, mas fizemos outra caravana que foi a caravana do documentário”, afirma Carmo. Ele destaca que o projeto não teve apoio financeiro. O dinheiro necessário veio de recursos próprios da equipe de produção e contou com trabalho não remunerado. “A realidade brasileira é de pequenas e médias produtoras fazendo projetos com recursos escassos e investimentos próprios, muito dependente de dinheiro público”, completa. 

Segundo Danilo, o Brasil “está de costas para a América Latina, como herança de uma dinâmica imperial e colonial”. Países como a Alemanha têm mais facilidade em recepcionar produções que tematizem a narrativa latina do que o próprio Brasil, acrescenta. Por esse motivo, o curta ainda não tem data de lançamento no Brasil. 

Leia neste link a matéria completa do Jornal da USP sobre a premiação do curta e confira o trailer do documentário. 

 

Com informações do Jornal da USP