Grupo de arte e fotografia da ECA completa 15 anos de existência

Nosso país atualmente passa por uma série de modificações relacionadas aos cortes de recursos destinados à cultura. Há também modificações relacionadas à arte e a maneira como a sociedade a tem consumido. Em meio a tantas dificuldades e mudanças, grupos de estudo e pesquisa vêm resistindo às mudanças. É o caso do grupo Arte & Fotografia, com orientação do professor Tadeu Chiarelli, que está completando 15 anos ininterruptos de existência.

O grupo de estudos, que é vinculado ao Departamento de Artes Plásticas (CAP), teve início em 2004 e desde então promove encontros semanais de três horas entre pesquisadores, quando são estudados textos de metodologia em história da arte, textos específicos sobre história da fotografia e fotografia contemporânea. Também são organizados seminários internos sobre os projetos de pesquisa dos membros do grupo, que é composto por estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Eventualmente, também são convidadas pessoas de fora do grupo para discutirem seus trabalhos. Além disso, o número de participantes varia de acordo com o semestre. Atualmente, o grupo é composto por sete membros, no entanto, já passaram por lá integrantes que hoje são professores universitários em outros estados (Maranhão e Ceará, por exemplo), também pesquisadores que trabalham no exterior, além de agentes culturais em instituições de São Paulo e do Rio de Janeiro.


Em quinze anos, o grupo de estudos Arte & Fotografia realizou colóquios, seminários e oito edições do Boletim Grupo de Arte & Fotografia. Foto: Reprodução/Geartfoto

Líder do grupo, Tadeu Chiarelli já foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre 2015 e 2017, e curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), entre 1996 e 2000. Já entre os anos de 2010 e 2014 foi diretor do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC).  Para o docente, nos últimos tempos tivemos muitas mudanças na arte, principalmente na fotografia: “penso que nos últimos quinze anos o universo da fotografia foi muito modificado pelo advento da fotografia digital e pelo uso do smartphones. Hoje existe uma outra fotografia que tomou conta absoluta de todas as relações. Por outro lado, é para sublinhar igualmente o interesse por parte de museus e colecionadores em relação à fotografia. Essas questões trazem novos problemas para aqueles que estudam as artes visuais. E esses problemas, por sua vez, estão sempre presentes nas discussões e leituras do grupo de estudos”, conta.

A arte também vem ao encontro da educação, pois por meio dela é possível ter acesso à cultura de um país e promover reflexões sobre muitos problemas sociais. Sobre isso, Tadeu afirma que hoje ela acaba por se tornar um dos raros espaços no país para um debate crítico: "para mim, o ensino, a produção e a divulgação da arte são alguns dos poucos caminhos para que a sociedade consiga transformar o real de maneira plena e com consequências positivas para essa mesma sociedade.”

Sobre o fato de um grupo de estudos conseguir existir por tantos anos, em meio à crises recorrentes na  área da cultura, Tadeu comenta: “uma das minhas maiores realizações como docente e pesquisador da USP é poder manter esse núcleo de estudo e debate sobre arte, contribuindo para a formação de jovens intelectuais e artistas, tornando-os profissionalmente mais capazes de desenvolverem suas habilidades de maneira crítica e consequente”, comenta.