Grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento lança projeto internacional

O darVoz, criado pelo grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento da ECA, foi lançado neste ano. O projeto é, a princípio, uma plataforma de captura de áudios. A partir desse exercício, o objetivo é construir uma comunidade interessada em produzir e circular esses áudios. “Tendo em vista, futuramente, circular uma moeda digital entre produtores e ouvintes”, afirma o professor Gilson Schwartz, fundador do grupo de pesquisa e docente do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR).

O grupo Cidade do Conhecimento foi criado em 1999, quando o professor ainda fazia parte do Instituto de Estudos Avançados da USP. “Desde o começo, o grupo tem como objetivo estudar as formas de desenvolvimento da Internet, seus impactos sociais, econômicos e políticos”, conta Schwartz.

O darVoz tem como parceiros a Newspeack House, organização não-governamental situada em Londres, o Museu da Pessoa, situado em São Paulo, o Improfest, festival internacional de improvisação de arte sonora, e o Núcleo Diversitas, do programa de pós-graduação interdisciplinar da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

O projeto foi lançado na última edição do Improfest e aconteceu graças a colaboradores que enviaram áudios em comemoração ao Dia do Rádio para tocar no festival.


Gilson Schwartz coordena o projeto darVoz, desenvolvido pelo grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento

Cidade do Conhecimento

O pesquisador conta que, no início, o grupo de pesquisa se preocupava principalmente com a questão da inclusão digital. Mas, depois do celular, a maior pergunta é como as pessoas se relacionam através das redes sociais. “A questão hoje não é mais se vai ou não entrar na rede, mas como você socializa na rede. Se você usa para educação, para lazer ou para socialização”, explica o professor.

Apesar de ainda existir o problema da inclusão digital, ele afirma que o mundo já está evoluindo para uma terceira etapa: a das cidades inteligentes ou a internet das coisas. “As coisas estão ficando conectadas. A cidade, os produtos, o supermercado e até o próprio corpo”, diz.

Com isso, o grupo está se debruçando sobre o aprofundamento da inclusão digital. “Chega uma hora em que tudo o que eu faço o Google sabe: por onde eu andei e para onde eu fui”, expõe o pesquisador. Por isso, questões sobre segurança, privacidade, controle e censura estão voltando. “A nossa herança cultural e tecnológica é muito maior do que o que a Netflix, o Google e o Facebook escolhem para a gente ver. Mas, hoje, estamos aprisionados nessa lógica privatizante”, alerta.

O professor afirma que o papel do grupo de pesquisa no contexto universitário é, além de ter uma visão crítica, estudar, pesquisar, discutir e propor alternativas.

darVoz como alternativa

O principal projeto do Cidade do Conhecimento este ano é o darVoz. Schwartz revela que o programa explora arquivos de áudio como uma defesa ao fim da neutralidade da internet: “chamamos de podcastivismo, podcast com ativismo”.

De acordo com o professor, o fim da neutralidade da internet, aprovado nos Estados Unidos, vai fazer com que o acesso à rede acompanhe o quanto a pessoa paga. “Você só vai ter qualidade se você pagar mais”, explica, “mas a comunicação é uma concessão da sociedade para que as empresas explorem. Então, quem vai controlar as empresas?”. Para o professor, o darVoz como plataforma de áudios é uma solução para que as pessoas se comuniquem de uma maneira mais simples e sem o controle de uma companhia.

Futuramente, o grupo organizador pretende lançar uma moeda digital, a voz. “Se você publicar ou der like em um áudio, aquilo vai ser monetizado”, explica. O objetivo é que os participantes da comunidade darVoz possam trocar produtos e serviços utilizando a moeda digital voz.

Por isso, o trabalho está concentrado em fortalecer o projeto com artistas, comunidades e movimentos. “Recuperar a ideia do rádio é entender que é preciso pensar a comunicação de forma democrática, de muitos para muitos, e não de um pra muitos”, conclui.