História e Audiovisual: grupo de pesquisa do CTR estuda cinema, história e memória

Desde 2005, o grupo de pesquisa CNPq  História e Audiovisual realiza diversas pesquisas, atividades e disciplinas que relacionam cinema, audiovisual, televisão e documentários com a história e a memória. O grupo atua na ECA sob supervisão do docente Eduardo Morettin do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), e mantém parceria com a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), representada pelo professor Marcos Napolitano, do Departamento de História.

Enquanto na ECA, Morettin realizava pesquisas sobre a relação do cinema com a história, do outro lado, Napolitano estudava o mesmo assunto na FFLCH. Reunindo os mesmos interesses, o grupo História e Audiovisual nascia no propósito de fazer prosperar pesquisa, diálogo e registro na Universidade. Ao longo dos anos, foi conquistando destaque, principalmente no CTR, pela relevância no estudo dos temas, além dos projetos que o núcleo podia exercitar.

A abordagem do grupo se baseia em quatro linhas de pesquisa principais. Crítica e Memória Histórica, analisa a crítica na construção de uma memória histórica sobre as obras audiovisuais e os agentes históricos; Análise Fílmica e Representação Histórica desenvolve métodos para estudar a televisão e o cinema como documentos históricos. História do Cinema e do Audiovisual discute questões históricas sobre a produção do cinema e do audiovisual, dialogando com outras áreas da ciências humanas. A presença da política nos meios audiovisuais, as políticas culturais, os movimentos estético-ideológicos e as obras audiovisuais são alguns dos temas tratados na linha Políticas do Cinema e do Audiovisual.


I Colóquio Internacional e História, realizado em 2016. Foto: Divulgação/História e Audiovisual

Para Morettin, as realizações do grupo estão em duas grandes dimensões. Em primeiro lugar, a criação do Colóquio Internacional de Cinema e História que foi um marco ao expandir as fronteiras físicas e de alcance científico. Os dois primeiros aconteceram na ECA, e o terceiro, em 2018, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), recebendo convidados que estudam o assunto da América do Norte, Latina e da Europa. “Ver tanta gente interessada nas pesquisas e no evento, em um lugar que não era sede do grupo, foi muito gratificante e recompensador”, afirma o docente. Além disso, outra ação marcante foi a organização do site do grupo, que abriga eventos, pesquisas, acervo, bibliografias e filmografias externas sobre os temas, o que tornou uma possibilidade a consulta teórica mais democrática aos interessados nos assuntos.


Alunos e pesquisadores no III Colóquio Internacional de Cinema e História, sediado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Foto: Reprodução/Facebook UNILA

Os livros são outro resultado do trabalho desenvolvido pelo grupo História e Audiovisual, uma forma de registrar estudos que se tornaram referências ao campo. Dos títulos, O cinema e as ditaduras militares: contextos, memórias e representações audiovisuais (2018) é o mais recente e analisa as ditaduras no Brasil, Chile e Argentina. História e Documentário (2012) enfoca no documentário como fonte de registro histórico e os debates culturais que ele provoca. Cinema e história: circularidades, arquivos e experiência estética (2017) discorre com interdisciplinaridade, aponta vários tipos de audiovisuais, história de várias países, culturas e diretores diversos. História e Cinema: dimensões históricas do audiovisual (2011) foi o primeiro livro lançado, uma coleção de textos de autores sobre o tema principal dos pesquisadores. Ditaduras Revisitadas: Cartografias, Memórias e Representações Audiovisuais (2016) traz a parceria de universidades de Portugal e do Paraná, dissertando sobre representações, resistência, memória e audiovisual.

Na medida em que o presente no mundo contemporâneo passa cada vez mais rápido, confundindo-se com o futuro e suas inovações, registrar a história nos meios audiovisuais, junto às suas análises, é uma forma de compreender o passado e as respostas do presente. Segundo Morettin, as expectativas para o História e Audiovisual se baseiam nessa ideia para, cada vez mais, incentivar a pesquisa e expandir os temas abordados. “Os anos vão passar, eu sou só mais um pesquisador, quero que o grupo continue existindo no mesmo ritmo mesmo quando eu não puder mais colaborar (...) expandindo para a América Latina e países afora”, reforça.


Cinema e história: circularidades, arquivos e experiência estética é o quarto livro lançado pelo grupo História e Audiovisual. Foto:Divulgação/História e Audiovisual

 

Texto: Letícia Passarinho
Imagem de capa: Divulgação/História e Audiovisual