Idiotxs Magnificxs, último espetáculo da Turma 66 da EAD, está em cartaz

Está em cartaz a última montagem da Turma 66 da Escola de Arte Dramática (EAD), Idiotxs Magníficxs. Com direção de Cristiane Paoli Quito e preparação corporal de Tarina Quelho, o espetáculo é o estágio da turma, que participou de uma preparação de três meses de pesquisas sobre o universo do palhaço, a composição no espaço com a dança e a improvisação.

Paoli Quito é diretora teatral e professora na EAD. No primeiro ano da Turma 66, eles trabalharam improvisação juntos. Tarina Quelho também é professora na EAD e trabalhou dança com a turma no primeiro ano.


Primeira montagem da Turma 66, O Preceptor. Foto: Alécio Cezar

O estágio, realizado após a formação de quatro anos na Escola, é opcional. A turma pediu para ser conduzida por Quito, que aceitou o convite. “Ela trouxe a proposta de trabalhar com a linguagem do palhaço, de estudar esse processo", conta o ator Luiz Felipe Bianchini, integrante da turma, "e foi um resgate do trabalho de improvisação e composição cênica que a gente teve no primeiro ano”.

“Com isso, veio também a Tarina Quelho, que é preparadora corporal. Ela também auxiliou muito nesse vocabulário. É um trabalho de palhaço com o viés do corpo e essa comicidade da dança”, conta.

Como o espetáculo é improvisacional, Walmick Campos explica que nada está fixado. “A gente não improvisa só entre si, a gente improvisa com luz, com a ocupação no espaço, com a música”, e esclarece que o encontro em cena é a forma como o corpo está receptivo à troca com o outro, “sendo que essa conexão resulta em um riso e o riso, muitas vezes, se dá pela inadequação do encontro desses corpos ou da disposição desses corpos”.

A inadequação de que Walmick fala é social: “geralmente, a gente ri do outro quando o outro nos parece inadequado ou quando a gente se reconhece inadequado. A gente ri do nosso fracasso, por assim dizer ”.


Turma 66 em imersão de ensaios na cidade de Itu. Foto: acervo pessoal.

Os livros O Atormentador, do palhaço Philippe Gaulier, e O Corpo Poético, do ator Jacques Lecoq, foram algumas das referências utilizadas pela turma. Luiz Felipe também cita filmes de Jacques Tati, ator e cineasta francês, de Federico Fellini, cineasta italiano, e de Charles Chaplin. “Esses filmes trazem o universo do palhaço cômico, mas também observamos o trabalho corporal. No trabalho do Jacques Tati, por exemplo, fica muito evidente”, explica.

Foi de um texto de Philippe Gaulier, teórico do palhaço e mestre da formação de Quito, que o nome da peça foi criado. “Ele fala que nós não passamos de idiotas magníficos", comenta Walmick, "somos magníficos enquanto seres humanos, mas também estamos abertos ao nosso fracasso. O que nos torna idiotas é que a gente pode rir disso, em vez de ficar sofrendo”.

O espetáculo está em cartaz até o dia 2 de julho, na Sala Miroel Silveira, no Teatro Laboratório da ECA. De terça a sábado, o horário é às 21h15 e, aos domingos, às 20h15. No dia 2 de junho, segunda-feira, haverá uma sessão especial, às 21h15. A entrada é franca e os ingressos serão distribuídos com 1h de antecedência

 
Serviço:
Idiotxs Magnificxs
Data: até 2 de julho
Horário: terça a sábado, às 21h15; domingos, às 20h15
Local: Sala Miroel Silveira - Teatro Laboratório (Prédio 8)

 

Texto: Mirella Coelho