“Iniciação científica é forma de dar retorno do conhecimento que a gente tem na USP”, diz aluno da ECA

Na última semana aconteceu o 4º Congresso de Graduação, evento de iniciativa da Pró-Reitoria de Graduação, dedicado ao “compartilhamento e discussão das experiências e inovações no ensino de graduação”, no Centro de Difusão Internacional (CDI) da USP. Alunos de graduação, pós-graduação e professores de todas as unidades USP puderam apresentar pôsteres com trabalhos tendo como foco o tema Transdisciplinaridade.

Jean Pierre Chauvin, professor do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), apresentou o trabalho Entre a Literatura e a História. “A ideia era mostrar que o ensino de literatura pode ser de outra forma. A gente pode estudar cada época dentro do seu período temporal, sua mentalidade, estilo e outras coisas”, explica, “e não dessa forma positivista, de que cada movimento antecipa o outro e nega o anterior”. Ele acrescenta que, atualmente, o ensino da Literatura está baseado em periodização.

A relação feita com a História é que o ensino desta passou por uma grande mudança no século XX. “É como se a Literatura tivesse à reboque da história. Esta já avançou e a Literatura não”, afirma o professor.

Sobre a participação de alunos da ECA no Congresso, Jean Pierre conta que, embora houvesse bons trabalhos, eram poucos: “eu senti falta dos alunos da ECA por lá. Acho que é mais comum em outras áreas. Nas biológicas e exatas o pessoal participa bastante”.

Professor Jean Pierre Chauvin no 4º Congresso de Graduação, no CDI. Foto: acervo pessoal.

Mansur Atique, aluno do curso de Publicidade e Propaganda, vê em projetos como iniciação científica uma forma de “retribuir e dar um retorno do conhecimento que a gente tem dentro da USP para as pessoas”. Principalmente, por ser uma universidade custeada por impostos de toda a sociedade paulista. “Acho que foi isso que me motivou a fazer parte de uma iniciação científica”, conta o aluno que teve o trabalho Projeto Bússola – por uma melhor divulgação de nossos Projetos Políticos-Pedagógicos apresentado no 4º Congresso de Graduação.

O Projeto Bússola é iniciação científica de Mansur e de Marcos Furholz Rocha com o professor Arlindo Ornelas Figueira Neto, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), cujo objetivo é estudar a divulgação dos Projetos Políticos-Pedagógicos (PPPs) da USP. “Os PPPs são aqueles documentos que apresentam as diretrizes de cada curso. Ou seja, o que aquele curso propõe, o que se espera dele”, explica Mansur.

Eles acreditam que algumas das frustrações que os alunos passam na faculdade poderiam não acontecer se eles tivessem acesso aos PPPs antes de prestar o vestibular ou logo no começo da formação. “Quando eu entrei, achei que o curso era totalmente diferente. Uma das minhas principais reclamações é de que é um curso muito teórico”, relata o aluno, “mas, quando a gente vai ver o projeto político-pedagógico de Publicidade, a gente sabe que o objetivo dele é ser mais acadêmico mesmo”.

Sobre a participação de alunos no evento, Jean Pierre e Mansur concordam que é uma boa experiência. “Acho que é importante estimular”, afirma o professor, “alunos de outras unidades aparecem para conversar com a gente”. O aluno acredita que eventos como o Congresso são importantes para a troca de experiências, nessas ocasiões é possível “encontrar, em outros projetos, metodologias ou algumas visões que podem agregar o seu trabalho e toda sua produção acadêmica.”

O professor acredita que os docentes, ao participarem destes eventos, podem estimular os alunos: “eles podem ver um professor que admiram ou que, pelo menos, tem uma relação boa. Se o professor participa, pode motivar”. Outra sugestão dada por Jean Pierre é de que os estudantes podem se sentir mais estimulados se os professores abrirem espaço, em sala de aula, para discussão e acolhimento dos alunos que estão envolvidos em projetos. “Acho que tem que dar exemplo e abrir espaço para que os alunos falem, exponham, caso eles tenham interesse em seguir carreira acadêmica”, afirma Jean Pierre.