3º TOI: Inteligência e cognição automática em debate

Fabio Gandour, cientista-chefe da IBM Research Division – BR Lab, participou nesta quinta-feira, dia 25 de maio, do I Simpósio Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva, evento que faz parte da programação do III TOI – Congresso Internacional em Tecnologia e Organização da Informação, que acontece entre os dias 22 e 26 de maio na Escola de Comunicações e Artes e na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. O cientista abordou novos formatos de produção de conhecimento, tomando como base o modelo de computação cognitiva que desenvolve junto à IBM.

O foco da palestra foram os processos conhecidos como machine learning (aprendizado de máquina), nos quais artefatos têm sua “inteligência” expandida por cognição automática. Resultado evolutivo de um movimento que teve início na década de 1980 com a chamada artificial intelligence (inteligência artificial), passando pelas neural networks (redes neurais) e fuzzy logic (lógica nebulosa), o aprendizado de máquina envolve programas que se “automodificam” na medida em que novos dados são coletados.

Para Gandour, “o conhecimento vira saber a medida que ele é usado, depurado, cristalizado. E isso leva tempo”.

O processo encontraria semelhanças com o caráter evolutivo do próprio homem que vem sendo modificado pelo social computing, termo pelo qual denomina as redes sociais digitais. Gandour explica que o indivíduo tem se tornado um “informívoro”, alimentando-se e dependendo cada vez mais de um “novo tipo de nutriente”: a informação, cujos efeitos ainda são desconhecidos.

Sobre o ser informívoro: A tecnologia afetou o metabolismo cerebral das pessoas a ponto de hoje elas “comerem” informação, principalmente os mais jovens.

Médico de formação, Gandour direciona parte de sua investigação em cognição automática à área de saúde, por ser um campo de estudo no qual o conhecimento é “muito bem estruturado e curado”, possibilitando maiores aprofundamentos no processo de automatização do aprendizado. O cientista acredita que as possibilidades geradas por essa nova inteligência (ou meta-inteligência), no entanto, devem produzir efeitos em todas as áreas de estudo e estratégias empresariais ou mesmo individuais.

Também na quinta-feira, foi realizado o III Simpósio Brasileiro de Ética da Informação, com representantes da USP, UNESP, UFRN e da Universidade do Porto. Acesse o link e confira a cobertura do LAC – Laboratório Agência de Comunicação para o evento.

Texto e fotos: Susana Sato