Livro sobre opinião pública, comunicação e organizações aborda o impacto da desinformação nesses setores

Lançado em maio de 2019, o livro apresenta artigos de diversos profissionais da comunicação 

 

Estamos na era da pós-verdade. Contra fatos, há fake news em todas as esferas, confundindo a opinião pública e trazendo repercussões negativas para a sociedade. Esse fenômeno se agrava com a atual pandemia, que tem sido mais um combustível para a propagação de notícias falsas. 

O livro Opinião pública, comunicação e organizações: convergências e perspectivas contemporâneas é fruto do XIII Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, que aconteceu em maio de 2019. O evento foi realizado pela Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas (Abrapcorp), em parceria com a Faculdade Cásper Líbero. 

A publicação destaca a necessidade de novas referências e reflexões para compreender o momento atual, quando a desinformação presente nas redes sociais provoca consequências negativas –  e até mesmo funestas – para diversas pessoas. Nesse contexto, as organizações também são colocadas em xeque e se veem desafiadas a repensar os modos de produzir e gerir sua comunicação. Com o bombardeio de informações falsas na era digital, o grande desafio para os profissionais de comunicação é defender a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, criar mecanismos para que seja possível estabelecer a diferença entre fontes de informação confiáveis e não confiáveis. 

Paulo Nassar, docente do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) e também presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), participa do livro com o artigo Opinião Pública: Revoluções Digitais na era da Pós-Verdade, ao lado dos professores Luiz Alberto de Farias, livre-docente em Opinião Pública na ECA, e de Ivelise de Almeida Cardoso, mestre em Ciências da Comunicação, também pela ECA. A publicação traz ainda prefácio escrito pela professora Margarida Maria Krohling Kunsch, do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP).

Em seu artigo, o professor Nassar esclarece o termo pós-verdade, tão utilizado ultimamente. A expressão “reflete uma espécie de modalidade pós-moderna, um estado distorcido de consciência, no qual os estereótipos perdem completamente a conexão com as imagens reais. As plataformas digitais não apenas introduziram novas práticas de leitura, como também mudaram os processos interpretativos que os indivíduos normalmente trazem ao ler notícias e artigos”.  Com a explosão do uso das mídias sociais e a ansiedade pela busca incessante de informações e atualização dos feeds, os indivíduos são convidados a curtir, comentar e compartilhar conteúdos de maneira pouco refletida, propagando as fake news e o excesso de informação. Alguns autores criaram até um termo novo para descrever esse fenômeno: infotoxicidade.

homem usando roupa e máscara de proteção lê jornal

Imagem: Cottonbro / Pexels

Esse cenário traz um grande desafio para os profissionais de Relações Públicas e outros gestores de comunicação, que é lidar cotidianamente com a intensa circulação de informações sobre as organizações. Nas redes sociais, diferentes públicos e consumidores fazem postagens sobre comportamentos institucionais, marcas, produtos e serviços, etc. Como monitorar e responder a todas essas demandas, que, quando negativas, podem causar danos à reputação institucional?

Outro desafio é ver a informação que costumava ser produzida pelas Relações Públicas e pela Publicidade ser substituída pelo uso indiscriminado do Marketing Digital. Blogueiros e youtubers de todo tipo cada vez mais falam em nome de empresas, de suas marcas e de seus produtos em troca de altos cachês. Muitas dessas práticas ainda não foram regulamentadas e envolvem princípios éticos que devem ser considerados pelos profissionais da área. 

Para ler esse artigo e a publicação completa, acesse o portal da Abrapcorp.