Manifestação dos pró-reitores da USP em apoio ao CNPq e contra a sua extinção

Os pró-reitores da USP divulgaram nesta quinta-feira, 29 de agosto, um manifesto de apoio ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e contrário a sua possível “extinção”. O CNPq é a principal agência de fomento à ciência do governo federal. 

O documento foi enviado por e-mail a todos os diretores de unidades de ensino e presidentes de comissões de pesquisa da USP, assim como a deputados e senadores em Brasília. 

Leia abaixo a íntegra da carta:

 

Manifestação dos pró-reitores da USP em apoio ao CNPq e contra a sua extinção

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), agência vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), é, desde sua criação em 1951 até hoje, uma das maiores e mais sólidas estruturas públicas de apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil.

Vem contribuindo significativamente para o desenvolvimento de pesquisas em áreas estratégicas e para a formação de pesquisadores em Ciências Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Agrárias, Ciências Sociais Aplicadas Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes.

O CNPq, que oferta várias modalidades de bolsas para estudantes de ensino médio da rede pública (Pibic-EM), ensino técnico e de graduação (Pibiti), estudantes de graduação (Pibic), pós-graduação em nível de mestrado e doutorado, recém-doutores e pesquisadores já experientes (bolsas de produtividade em pesquisa), além de apoiar iniciativas como os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), centros de pesquisa multicêntricos brasileiros, em parceria com a Capes, Finep e as fundações estaduais de amparo à pesquisa, está na iminência de cortar o financiamento das bolsas de mais de 80 mil pesquisadores.

A agência necessita de uma suplementação de R$ 330 milhões em seu orçamento, para cumprir os compromissos assumidos em 2019. Lembramos o histórico do CNPq e seu papel no sistema de Ciência e Tecnologia do nosso país. Em maio de 1946, o almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, representante brasileiro do Conselho de Segurança da Organização da Nações Unidas (ONU), propôs ao governo, por intermédio da Academia Brasileira de Ciência (ABC), a criação de um conselho nacional de pesquisa.

Em 1951, o presidente da República, general Eurico Gaspar Dutra, criou o CNPq, por meio da lei nº 1.310. Ao longo da sua história, o CNPq vem desempenhando papel primordial na formulação e condução das políticas e de financiamento a ciência, tecnologia e inovação. Contribui, de forma significativa, para o desenvolvimento econômico e social do país e o reconhecimento das instituições de pesquisa e pesquisadores brasileiros pela comunidade científica nacional e internacional.

Estamos hoje diante da maior crise do sistema de C&T de nosso país. Os pró-reitores da USP se manifestam em favor da manutenção dos recursos para o CNPq e contra a sua extinção. O Brasil não pode perder este valioso patrimônio de conhecimentos que foi construído, pelo esforço conjunto de cientistas e da sociedade brasileira, desde a criação do CNPq, em 1951.

Edmund Chada Baracat
Pró-Reitor de Graduação da USP

Maria Vitória Lopes Badra Bentley
Pró-Reitora Adjunta de Graduação da USP

Carlos Gilberto Carlotti Júnior
Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP

Marcio de Castro Silva Filho
Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação da USP

Sylvio Roberto Accioly Canuto
Pró-Reitor de Pesquisa da USP

Emma Otta
Pró-Reitora Adjunta de Pesquisa da USP

Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado
Pró-Reitora de Cultura e Extensão Universitária

Margarida Maria Krohling Kunsch
Pró-Reitora Adjunta de Cultura e Extensão Universitária

 

Com informações do Jornal da USP