Mare Nostrum, filme de ex-alunos da ECA, estreia nos cinemas

No dia 4 de outubro, estreia o filme Mare Nostrum, do diretor Ricardo Elias, ex-aluno da ECA. O longa é o terceiro da carreira de Elias, que também produziu De Passagem (2003) e Os 12 Trabalhos (2006). “Da equipe, o diretor de fotografia, a diretora de arte, o roteirista, o operador de microfone, o pessoal da edição de som também eram da ECA”, afirma o diretor. Além do ator Ricardo Oshiro, do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da ECA.

No filme, dois rapazes que voltam para o Brasil estão com dificuldades econômicas e “eles se veem diante de um terreno, que talvez seja mágico, porque o pai de um deles estimulava muito isso”, conta. O nome da obra é a inscrição da bandeira de Praia Grande, onde o terreno está localizado.

A ideia para o enredo vem de uma experiência pessoal do diretor: “tinha um terreno da minha família que, quando eu tentei vender, estava no nome de uma outra pessoa”. Além disso, Elias queria falar sobre reencontro de pessoas. “É um roteiro que eu já tenho há um tempo e começamos a produzir no início de 2017, depois que ganhamos um concurso do Fundo Setorial do Audiovisual”, diz.


Ricardo Elias é ex-aluno do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR). Foto: Aline Lara

Ricardo Elias é conhecido pelos outros dois filmes. De Passagem (2003) foi premiado no 31º Festival de Gramado com Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro e Prêmio da Crítica, além de premiação em outros festivais. Os 12 Trabalhos (2006) tem o enredo semelhante ao do primeiro filme: “tinham uma temática social muito mais forte”, de acordo com Elias, “Mare Nostrum é um filme um pouco mais leve, mais singelo”.

Ele afirma que “não queria ficar estigmatizado como o cara que só trata de um tipo de assunto. Nesse, eu quis retratar uma família de classe média comum”. No entanto, o roteirista Claudio Yosida, com quem Ricardo Elias trabalhou em todos os longas, apontou algumas semelhanças entre os filmes: “é um drama familiar e tem um toque de road movie. Esse deslocamento é uma coisa que o Ricardo gosta, que eu acho que ele filma bem”, afirma. “Essas são coisas comuns dos três filmes. Em registros diferentes, em formatos diferentes, mas está presente nos três”.

O ator Ricardo Oshiro destacou o protagonismo não convencional presente nos trabalhos do diretor: “as personagens dos outros filmes são jovens, negros, de periferia” e, em Mare Nostrum, os protagonistas são um negro e um asiático brasileiro. “À medida que iniciaram as filmagens, fui percebendo a importância dessa personagem do Mitsuo”, interpretado por Oshiro, “que não é só um personagem acessório só para dar um colorido étnico e nem é só caricato, mas tem uma curva dramática”.


Silvio Guindane como Roberto e Ricardo Oshiro como Mitsuo. Foto: Aline Lara

Mitsuo é um brasileiro que morou muito tempo no Japão com sua esposa, mas perdeu tudo com o tsunami de 2011 e, por isso, voltou para o Brasil. “O filme aborda a história dele a partir do retorno e como ele vai lidar com o passado que ficou mal resolvido com a família”. A história de Mitsuo cruza com a história de Roberto, interpretado por Silvio Guindane. “Ele também está voltando para o Brasil, por questões profissionais, e acaba tendo que lidar com o passado”, conta Ricardo Oshiro.

As duas personagens, que mal se conhecem, de acordo com o ator, têm que resolver o problema do terreno que é algo mal resolvido entre o pai do Mitsuo e o pai da personagem do Guindane e, agora, existe a crença de que ele é mágico. “Então, cada personagem procura resolver os seus desejos. É uma saída do realismo fantástico.”

Mare Nostrum estreia em todos os cinemas do Brasil no dia 4 de outubro.