Marques de Melo como professor, amigo e colega, por José Coelho Sobrinho

Em mensagem enviada ao Laboratório Agência de Comunicação (LAC), José Coelho Sobrinho, professor aposentado do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), falou sobre o colega, amigo e professor José Marques de Melo, falecido no último dia 20 de junho. Leia na íntegra:

Tive o privilégio de conviver com o Zé Marques como aluno, amigo e colega.

Como aluno foi ele o responsável pela mudança de minha vida profissional. Foi ele o responsável pelo sonho de militar em uma profissão que defendia a democracia e o futuro de uma sociedade onde todos fossem, realmente, iguais em direito e deveres. Foi por meio dele que abracei o Jornalismo como forma de participar intensamente dos destinos da nação e, por ter acreditado nisso, não guardo arrependimentos.

Como amigo, o Zé Marques exigia fidelidade porque também era fiel aos seus. Não raro cobrava algum comportamento de forma áspera. Quando inquirido a respeito de sua atitude não amistosa lembrava que os amigos existem para reclamar e ouvir, aplaudir e aconselhar. Ele disse-me em certa ocasião que só, em determinadas situações, dedicava o desprezo do silêncio aos seus inimigos.

A convivência como colega (e subordinado) nunca foi fácil. Zé Marques cobrava coerência. Não suportava argumentos frouxos para justificar mudanças. Mas nunca agiu de forma desrespeitosa com quem não concordasse com suas propostas.


José Coelho Sobrinho, professor aposentado do CJE. Foto: Mauro Bellessa

Sobrinho também enviou nota divulgada para colegas e familiares ao saber do falecimento do professor José Marques de Melo:

Não sei exatamente quando e onde Caio Fernando Loureiro de Abreu, escritor e jornalista falecido em 96, disse ou escreveu o que segue:

“E o que a gente vira quando vai embora de alguém?
E o Senhô respondeu:

Uns viram pó. Outros caem igual estrela do céu. Outros só viram a esquina. E tem aqueles que nunca vão embora.
Não? E eles ficam onde, Senhô?
Na lembrança.”

Pois é, amigos! O Zé Marques foi embora da gente. Foi antes do combinado. Não avisou e não permitiu a alguns de nós que participássemos de sua última palestra. Não se transformará em pó porque viverá nas páginas de sua extensa obra. Será mais uma estrela no firmamento, mas não cairá porque permanecerá vivo junto aos seus amigos e ex-alunos. Não virará a esquina porque jamais abandonou a consistência de suas ideias. Zé Marques não irá embora porque povoará a lembrança de todos nós. Obrigado, Mestre!

 

Texto: José Coelho Sobrinho