Mercado publicitário brasileiro precisa ser antirracista; acesse livro que aborda o tema

Livro organizado por pesquisadores da ECA mostra que não basta fazer propaganda não racista, é preciso ir além

 

0,7%. Essa é a porcentagem de negros em cargos de liderança nas maiores agências de publicidade do Brasil. De mil funcionários nessas empresas, apenas 35 são negros. Esses dados do Instituto Etnus mostram que o mercado publicitário brasileiro ainda tem muito a evoluir. 

Não basta fazer propagandas não racistas. É preciso que elas sejam antirracistas. Esse é o princípio do novo livro Publicidade Antirracista: reflexões, caminhos e desafios, organizado pelo pesquisador Francisco Leite e pelo professor do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), Leandro Leonardo Batista. 

A obra é uma coletânea de 15 capítulos escritos por pesquisadores de diversas instituições de ensino brasileiras e por publicitários. Os tópicos abordados contemplam diversos aspectos da publicidade e abordam o racismo e os estereótipos não só nas propagandas, mas também no mercado de trabalho. “Nosso livro apresenta contribuições e discussões que sugerem, a partir dos espaços publicitários, modos, caminhos e desafios de agir em oposição ao racismo e suas manifestações”, comenta Francisco. 

A ideia é mostrar como a publicidade pode fazer uma oposição ativa a esse tipo de preconceito. Nas palavras do pesquisador, o antirracismo não é uma ideia estática e, portanto, exige movimento e ação que colaborem para a transformação social. No livro, são analisadas algumas peças publicitárias que obtiveram sucesso ou não em se mostrarem antirracistas. 

Um dos exemplos bem-sucedidos de publicidade antirracista foi a propaganda do Itaú dentro do projeto Leia para uma criança. Em um dos vídeos, amplamente divulgados nas plataformas digitais e também na televisão, uma menina negra quebra os estereótipos tornando-se uma cientista de sucesso. Segundo o pesquisador, “o contexto da narrativa desse filme publicitário inscreve outras informações associadas à imagem de crianças negras no Brasil, deslocando as tradicionais abordagens que vinculam essas crianças em cenários de assistencialismo e de carência.”

Esse tipo de abordagem se faz muito importante, uma vez que inúmeras pesquisas já apontaram que o racismo e a falta de representatividade na mídia produz efeitos prejudiciais na autoestima da população negra brasileira. População que representa mais da metade do país. 

Nesse contexto, em que a publicidade antirracista é cada vez mais necessária, o papel da formação profissional não pode ser ignorado. Para Francisco, “as instituições de ensino brasileiras precisam investir também em uma formação ‘antirracista’ que desenvolva olhares, consciências e práticas pautadas por uma ética do cuidado com o humano, para a mutualidade e alternância das vozes nas ações e discursos criativos da publicidade”. 

 

Livro está disponível online

O livro Publicidade Antirracista: reflexões, caminhos e desafios foi lançado no dia 27 de novembro, no Sesc Paulista. O evento teve mesas de debate com os autores para discutir as potencialidades do mercado publicitário brasileiro rumo ao antirracismo. 

O download da publicação pode ser feito gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.

Para saber mais, acompanhe o perfil do Instagram: @publicidadeantirracista