Morre Jacó Guinsburg, editor e professor da ECA

Faleceu, no último domingo (21), Jacó Guinsburg, editor, crítico de arte e professor da ECA, aos 97 anos. Foi professor da Escola de Arte Dramática (EAD) e, mais tarde, do Departamento de Artes Cênicas (CAC), onde doutorou-se em Artes. É também um dos fundadores da Editora Perspectiva, famosa por editar livros de artes, literatura, filosofia, linguística, ciências humanas. 

Jacó Guinsburg nasceu na Bessarábia, atual Moldávia, país que faz fronteira com a Romênia e a Ucrânia. Ele veio para o Brasil com a família quando tinha três anos para escapar de conflitos políticos e perseguições.

Já adulto, realizou um estágio na França, onde estudou Filosofia e teve contato com o teatro francês. Quando retornou ao Brasil, foi convidado para ministrar aulas de Crítica Teatral na Escola de Arte Dramática (EAD). Nessa época, acontecia a transição da EAD para a recém-fundada Escola de Comunicações Culturais (ECC), atual ECA. Desde então, doutorou-se em Artes e passou a ministrar aulas no Departamento de Artes Cênicas (CAC).

Como professor

Parte da importância de Guinsburg para o teatro está em sua atuação como professor. Ele formou gerações de artistas, pesquisadores e professores, como Silvana Garcia, Sílvia Fernandes da Silva Telesi, Maria Thais Lima Santos e Antonio Carlos de Araújo Silva.

Abílio Tavares, diretor e ator teatral, afirma que as disciplinas ministradas por Guinsburg na graduação em Artes Cênicas, Teoria e Estética do Teatro, foram duas das melhores de todo o curso. “Foram experiências muito ricas e muito profundas, por isso eu quis continuar com ele na pós-graduação”, afirma. O ator foi orientado por Guinsburg no mestrado e no doutorado em Artes, com os trabalhos A USP e seu teatro: um olhar retrospectivo e prospectivo e A Universidade ou o Espírito Universitário em Cena: Trajetória e Análise de Grupos presentes nos Festivais de Teatro Universitário da USP e do Grupo TUSP, respectivamente.

“Ele era muito rigoroso. Principalmente se ele achava que o aluno tinha alguma qualidade, algum talento. Nesse caso, ele era mais exigente ainda”, conta Abílio Tavares. “De uma generosidade tanto intelectual, quanto pessoal enorme. Muito atento sempre, observador e, curiosamente, muito bem humorado”, o que era surpreendente, na opinião de Tavares, pois era comum que as pessoas tivessem uma impressão sisuda do professor.

Como editor

Guinsburg já havia criado algumas editoras quando, em 1965, junto com amigos, fundou a Editora Perspectiva – a segunda com este nome. Segundo Plínio Martins Filho, docente do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), ela tem “um dos catálogos mais importantes do mercado editorial brasileiro nas áreas de Comunicação, Estética, Teatro, Arquitetura, Teoria crítica”.

Martins Filho trabalhou com Guinsburg durante 18 anos na Perspectiva e comentou sobre o pioneirismo da editora em lançar autores importantes, como Umberto Eco, que, mais tarde, tornaram-se referências no mercado. “E não há uma pessoa que tenha passado pela ECA que não conheça os livros Perspectiva, porque ajudaram a formar pessoas e professores”, diz o professor, “qualquer professor da ECA, de Teatro, Estética e Comunicação em geral, de alguma forma, conhece livros da Coleção Debates, da Coleção Estudos, da Coleção Signos”.

Em entrevista para o Jornal da USP, Martins Filho também afirma que “o cuidado que ele tinha pelo livro, pela edição e pela cultura era muito grande” e que Guinsburg era um editor completo: “lia cada livro que publicava e acompanhava sua produção, opinava sobre a capa e os textos das orelhas dos volumes”.

 

Texto: Mirella Cordeiro
Foto de capa: Edilson Dantas / Agência O Globo