Olivier Toni: 90 anos de talento

Muitas palavras podem ser usadas para se referir a George Olivier Toni: músico, compositor, maestro e professor são apenas algumas delas. Falecido no último dia 25, aos 90 anos, ele construiu uma carreira sólida na música e foi uma forte presença no ensino dessa arte, contribuindo para a redefinição do cenário musical brasileiro.

Foi na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP) que iniciou sua trajetória na academia, na graduação em filosofia e onde, em certo nível, tomou influências acerca do tipo de músico que viria a ser. “Lá, uma vez, um professor me perguntou: o que é a música? Na Filosofia, aprendi coisas que fizeram da minha vida uma luta incansável contra o poder”, contou em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, em 2014. Neste período, ainda, criou a orquestra da Faculdade de Filosofia – a primeira de uma série de iniciativas de ensino de música às quais vinculou seu nome.

Participou ativamente da criação da Escola de Comunicações e Artes da USP, tornando-se o nome eleito para a estruturação, em 1970, do Departamento de Música, do qual foi também chefe. Foi, ainda, o responsável pela criação da Orquestra de Câmara da USP, da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal de São Paulo, da Orquestra de Câmara de São Paulo, da Escola Municipal de Música e do Festival de Prados.

Vários de seus alunos ocupam hoje lugar de destaque na música brasileira, tais como Régis Duprat, Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira, Mário Ficarelli, Rodolfo Coelho de Souza, Fabio Mechetti, Eduardo G. Álvarez, André Mehmari, Florivaldo Menezes, Fábio Zanon, Paulo César Chagas, Silvio Ferraz, Rubens Ricciardi, Maurício Dottori, e Cláudio Cruz.

Apaixonado pela música, Toni repensou a composição, inclusive lançando uma coletânea pelo Selo SESC em 2014 e, junto à orquestras importantes, demonstrou ser um músico de excelência. Como professor, ajudou a formar expoentes no cenário musical, prezando sempre por um estilo de ensino que pudesse dialogar a reflexão e a prática. Nos dois cenários, lutou pela afirmação do lugar das artes e foi personagem essencial e decisivo para a história da música no Brasil – seu vasto legado, deixado com o falecimento, comprova.

 

          

 

Texto: Victória Martins

Foto: Projeto Memórias da ECA-USP