"Nomes da Pesquisa em Comunicação" é acervo de pesquisadores fora da hegemonia

“Dado um diagnóstico de que a maioria das teorias da comunicação dadas na graduação são obras feitas por homens brancos europeus ou americanos ou anglos saxões, como é que a gente pode ajudar a tensionar essa hegemonia?”. Essa pergunta levou os professores Rafael Grohmann, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), e Luís Mauro Sá Martino, de Faculdade Cásper Líbero, em trabalho com alunos de ambas as escolas, a criar um acervo de verbetes sobre pesquisadores da comunicação que não são os “clássicos”.

Na última semana foi lançado o esboço do projeto Nomes da Pesquisa em Comunicação, cujo objetivo, a princípio, era criar verbetes para a plataforma Wikipedia. “Eu cheguei a me reunir com representante da Wikipedia aqui no Brasil. Mas nem todos os pesquisadores da comunicação, principalmente no Brasil, tem todos os critérios de relevância que ele exigem para que os verbetes se mantenham no ar”, explica Grohmann.

A partir disso, surgiu a ideia de criar um site. “Dessa vez a gente acabou privilegiando, em sua maioria, mulheres pesquisadoras da comunicação do Brasil”, ressalta o professor. Essa foi uma forma escolhida para conhecer pessoas fora dos cânones das teorias da comunicação. “A gente conhece pouco sobre os pesquisadores asiáticos e africanos. Então, já temos um projeto para o semestre que vem de focar em pesquisadores asiáticos, focar em pesquisadores africanos”, explica.

Grohmann afirma que o projeto deve servir para consulta de estudantes de todo o Brasil. Em alguns casos, por exemplo, o da professora Margarida Maria Krohling Kunsch, docente do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), os alunos entrevistaram pessoalmente a pesquisadora. "Então tem alguns dados de primeira mão”, acrescenta.

O site também conta com uma sessão Multimídia, no qual estão trabalhos desenvolvidos por ex-alunos das disciplinas de Rafael Grohmann e Luis Mauro Sá Martino, como dublagens e entrevistas com pesquisadores da comunicação.

Trabalho das alunas Giulia Arruda, Maria Silveira, Melina Parada, Melissa Tsuzuki e Thaisa Gonzalez, da ECA.

Grohmann deixa claro que o lançamento do Nomes da Pesquisa em Comunicação neste estágio é para convidar professores que desejam participar do projeto. Já está combinado, por exemplo, com professores da Universidade Federal do Espírito Santo e da Universidade Estadual de Minas Gerais realizar esse trabalho no próximo semestre com os alunos deles.