Nota de pesar pelo falecimento de Marcello Giovanni Tassara, professor aposentado do CTR; colegas lamentam perda

Professor foi fundamental na criação do curso de Cinema

 

É com pesar que a Diretoria da Escola de Comunicações e Artes da USP informa o falecimento na tarde de ontem, 18 de maio, do professor Marcello Giovanni Tassara. A cerimônia de cremação foi realizada na manhã de hoje, 19 de maio, restrita a familiares em razão da pandemia do novo coronavírus.

Um dos pioneiros nos estudos acadêmicos do Cinema de Animação, Marcello Tassara ingressou no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) da ECA em 1969, onde colaborou ativamente para a criação do curso de Cinema. Como cineasta, trabalhou em cerca de 70 filmes de curta, média e longa-metragem, entre eles o documentário O Brasil, os índios e, finalmente, a USP, sobre a história da Universidade de São Paulo.

Mesmo após a sua aposentadoria, em 2003, Tassara continuou exercendo atividades de pesquisa e orientação de projetos. Em 2006, integrou o Grupo Assessor Técnico para a Implantação do IPTV (Internet Protocol Television) – o streaming da USP – para a transmissão ao vivo de eventos da Universidade. A USP foi a primeira instituição da América Latina a contar com este serviço.

A Diretoria da ECA manifesta o mais profundo pesar e solidariedade a sua esposa, Eda Terezinha de Oliveira Tassara, professora emérita do Instituto de Psicologia da USP, seus filhos e familiares pela inestimável perda.

Diretoria da Escola de Comunicações e Artes da USP

 

Docentes e funcionários do CTR lamentam o falecimento de Tassara e destacam sua atuação como professor e cineasta: 

Ismail Xavier, docente aposentado:

"Marcelo foi um professor extraordinário na área de Cinema de Animação, desde a primeira turma da ECA, da qual eu participei. Nós, naqueles anos 1967-1970, encontramos nele um diálogo super amigo e uma competência rara. Foram aulas e também um momento em que ele desenvolveu trabalhos de criação muito importantes, como animação no filme de Roberto Santos, que também era nosso professor, intitulado A Guimarães Rosa. Mais tarde, já como professores, eu mais alguns colegas das primeiras turmas encontramos em Marcelo um excelente amigo e colega que continuou durante um bom tempo como professor e realizador, eu tendo, em 1973-74, participado de uma de suas realizações, o filme De revolutionibus, sobre Nicolau Copérnico, o físico e astrônomo que revolucionou a teoria do sistema solar, nascido em 1473 e tendo em 1973 a comemoração mundial do quinto centenário do seu nascimento. Lembro que Marcelo era formado em Física e realizou este filme com muito carinho... Lembro-me da extraordinária experiência no Planetário do Parque Ibirapuera ao acompanhar as filmagens quadro-a-quadro das posições dos planetas que, uma vez animadas, iam compor o filme em preparo. E, ao longo dos anos seguintes em que continuamos colegas, até a aposentadoria dele e depois a minha, o CTR contou com um professor que formou muitos alunos e tornou a área de cinema de animação um exemplo para todo o país. Saudades do amigo."
 

Joel Yamaji, funcionário:

"Marcello Giovanni Tassara se foi. Era um professor, um amigo, um mestre. Era avesso a falar de si mesmo, apesar da permanente disposição à alegria, ao convívio, à fraternidade. Perspicaz, discreto, tímido (pude perceber com o tempo), de fina inteligência e senso de humor, responsável pela cadeira de Cinema de Animação no CTR, onde o conheci como aluno, de 1974 a 1978. (...) Tinha um passado na TV Cultura e na Lynx Filmes, produtora paulista de publicidade e de longas-metragens, de referência na época, onde era conhecido e respeitado. Como professor, evitava os procedimentos burocráticos e também a excessiva retórica: às vezes, pouco falava, limitava-se a mostrar os filmes de referência e a explanar brevemente sobre procedimentos técnicos e fundamentos da linguagem na animação, as referências históricas e de estilo. Era vê-lo filmando, conduzindo o técnico de operação com quem estabelecia profunda cumplicidade, que se podia compreender e  interiorizar o processo de criação e de realização dos trabalhos projetados. (...) Com Marcello, tive minha primeira experiência como estagiário em um trabalho profissional, ele como diretor e produtor, eu como estagiário de assistente de montagem para Carlos Augusto Calil, hoje também professor, pesquisador, gestor e cineasta no CTR. Obviamente, mais aprendi do que pude ajudar. E compreendi, com ambos, que o conhecimento e a arte do cinema, o processo de realização de um filme, de qualquer gênero, formato ou meio de produção, o profissionalismo enfim, pode ser também exercido com  generosidade, tolerância e cumplicidade. Tal foi como ambos me ensinaram, o que não era muito usual na época. (...) Todos eram unânimes em expressar seu profissionalismo e, sobretudo, sua gentileza e seu senso de humor na condução de um set." 

Professor Marcello Giovanni Tassara, em evento no IEA/USPO professor aposentado Marcello Tassara tinha 86 anos. Foto: Divulgação/Instituto de Estudos Avançados

 

Matéria da Adusp traz depoimentos de familiares e outros colegas

A Associação dos Docentes da USP (Adusp) publicou uma matéria sobre o falecimento de Marcello Tassara, com trechos de depoimentos de familiares e colegas, como o professor João Zanetic, docente aposentado do Instituto de Física (IF). Para ler, clique aqui