Para docente, novos modelos de jornalismo podem surgir em meio à crise do coronavirus

Em entrevista à Radio USP, professor Carlos Eduardo Lins da Silva aponta para novas possibilidades no jornalismo diante da crise mundial

 

Nas últimas semanas, o país assistiu às mudanças bruscas na área da economia, saúde e serviços que assolam o planeta desde o surgimento do coronavirus. Diante desse cenário, o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, livre-docente pela ECA, deu uma entrevista à Rádio USP nesta semana. Na coluna Horizontes do Jornalismo, o professor comentou como os efeitos danosos do Covid-19 na economia mundial podem afetar o jornalismo. 

Para ele, além da questão do coronavírus, as disputas entre Rússia e Arábia Saudita pelo mercado de petróleo afetam toda a economia e a sociedade. No caso específico do jornalismo, “o cancelamento de eventos é um dos problemas mais sérios para empresas que fazem dessa atividade uma fonte de renda importante”, afirma. Silva conta que os veículos jornalísticos estão se transformando em uma espécie de clube, onde seus consumidores e audiência se reúnem para discutir diversos temas em seminários e outros eventos. Esse tipo de atividade tem sido uma fonte de renda para um número cada vez maior de mídias, especialmente após o advento da internet e a queda nas vendas de jornais impressos. 

A crise econômica mundial que virá com o Covid-19 deve ter efeitos importantes na área de comunicação. Foto: Reprodução / Gabriel Toueg.

A perda de receita publicitária será outro baque para o jornalismo. Setores como o de transporte aéreo, cruzeiros e hotéis estão à beira da falência por conta da pandemia e representam anunciantes importantes tanto na mídia eletrônica quanto impressa. Essa última ainda poderá sofrer com o comprometimento da entrega de jornais, com as medidas de restrição de circulação e a consequente crise dos transportes. Uma eventual recessão econômica global, que afete a maioria dos países, poderá trazer ainda efeitos indiretos ao jornalismo, mas não menos prejudiciais.

Apesar do horizonte difícil que se aproxima, Silva acredita que novas possibilidades podem surgir com esta crise: “os grandes jornais podem começar a fazer um trabalho de cobertura coletivo a respeito da pandemia, e desta forma traçar oportunidades de se fazer coisas novas, diferentes e úteis”. Ele sugere que os veículos jornalísticos se unam em uma espécie de “supereditoria de cobertura do coronavírus, que se coloquem desafios conjuntos e depois publiquem os resultados das apurações, cada um a seu modo, da maneira como preferirem”.

Para escutar a entrevista na íntegra, acesse o site do Jornal da USP