“O ateliê é um lugar de intensa discussão e negociação”, afirma Ana Maria Tavares em sessão solene

Na última quarta-feira, 22 de agosto, a professora Ana Maria da Silva Araújo Tavares, do Departamento de Artes Plásticas (CAP), foi homenageada com Menção Honrosa na Congregação por ocasião de sua aposentadoria. Na ECA desde 1993, a artista ministrou aulas na graduação e na pós-graduação até o ano passado.

Na sessão, o professor emérito da ECA José Teixeira Coelho Netto discorreu sobre a importância de a Escola reconhecer a contribuição dos professores. “Percebo que a ECA não é mais indiferente àquilo que acontece com os seus professores, com o seu capital humano”, afirmou.

Sobre o trabalho de Ana Maria Tavares, Teixeira comentou que ela não segue as pautas da contemporaneidade “e faz uma arte muito distinta, muito diferente”. De acordo com o professor, ela oferece uma arte de expectativa: “ela não oferece uma obra feita, acabada, que o espectador olha e diz ‘tudo bem, percebi’”, e isso se deve a uma forte sensibilidade da artista.


Josè Teixeira Coelho Netto fez a homenagem à artista e professora Ana Maria Tavares

Após receber a menção honrosa, Ana Tavares lembrou de ponto levantado por Teixeira em sua fala. “Fui aluna do Zanini (Walter Zanini), da Regina Silveira e de tantos outros na FAAP que tinham os olhos e o coração ligados à ECA.” Ana Tavares graduou-se em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1982 e, no mesmo ano, foi convidada para substituir Regina Silveira, artista e também professora aposentada da ECA.

Ela contou que, logo que entrou na faculdade, Regina Silveira chamou-a e disse: “você é uma artista. Daqui pra frente você tem que levantar duas bandeiras todos os dias quando acordar: a primeira, você é mulher e, a segunda, você é artista.”

“Chego aqui nesse momento muito feliz por ter participado dessas trocas intensas e de ter sido, não só aprendiz, mas parceira dessas pessoas”, afirmou Ana Tavares.

E fez um agradecimento especial ao seu pai que, de acordo com ela, colocou-a em três lugares: “dentro das indústrias e me fez conhecer desde pequena o que é a produção industrial e toda essa relação com a economia. Depois ele me colocou na pampulha de Juscelino e Niemeyer. E depois ele me trouxe pra São Paulo e falou “se você quer ser artista, você tem que ser alguém dessas pessoas”, referindo-se aos artistas que atuam na capital paulista.

Ana Tavares ainda se posicionou sobre arte e pesquisa: “arte é pesquisa. Eu não precisei entrar na Universidade para fazer pesquisa. Eu fazia nas fábricas, quando ainda estava na FAAP”. Para a professora, foi este espírito curioso que a levou desenvolver o seu trabalho. “A pesquisa do artista é prática, o ateliê é um lugar de intensa discussão e negociação”, afirmou.

O diretor da ECA, Eduardo Monteiro, também presente na cerimônia, parabenizou a artista e colocou a Escola de portas abertas para colaborações, com participação em eventos ou com exposições nos espaços da ECA.


Ana Maria da Silva Araújo Tavares atuou de 1993 a 2017 no Departamento de Artes Plásticas (CAP)

Ana Maria Tavares é mestre e doutora em Artes Plásticas. Já participou da Bienal de São Paulo, de Havana, de Istambul e de Singapura, e expôs por todo o mundo. Atualmente, coordena o projeto de pesquisa Natura In-Vitro: Interrogando a Modernidade, que conta com a participação de Fabíola López-Durán, professora do Departamento de Teoria e História da Arte da Rice University, nos Estados Unidos.

Texto e fotos: Mirella Coelho