O uso de tecnologias digitais em museus de arte: novas formas de mediar o conhecimento

Artigo de professora e de aluna da ECA analisa o uso de tecnologias digitais no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madrid, com o projeto Repensar Guernica

Com o avanço da tecnologia, novas formas de relação e mediação na educação se tornam cada vez mais frequentes. Essa inovação está presente não apenas na educação formal, mas também na educação informal e inclusiva, como é o caso de museus e instituições culturais em geral. Muitos utilizam recursos como audiodescrição, sites, catálogos online, entre outras ferramentas, para atingir o maior número de visitantes e, desta forma, democratizar o acesso à cultura e ao conhecimento.

É sobre o uso dessas tecnologias no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid,  que a professora Giovana Deliberali Maimone, do Departamento de Informação e Cultura (CBD), se debruça em seu artigo para a última edição da Revista Ibero-americana de Ciência da Informação (RICI), da Faculdade de Ciência da Informação (FCI) da Universidade de Brasília (UnB). O artigo foi escrito em parceria com Patricia Lira, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da ECA. Ao estudar o projeto Repensar Guernica – site que parte do acervo e dos processos educativos do museu para disponibilizar informações sobre a famosa obra de Picasso , o artigo demonstra o papel fundamental que recursos digitais como exposições virtuais, catálogos online e portais desempenham "para a ampliação e a democratização do acesso aos acervos de museus e arquivos".


O site Repensar Guernica, do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, objeto de pesquisa da professora Giovana Deliberali Maimone e da aluna Patricia Lira. Foto: Reprodução.

Repensar Guernica está dividido em vários eixos, que possibilitam a consulta a informações tanto pela divisão cronológica quanto pela aplicação dos filtros "relatos", "agentes" e "tipo de material”. O acesso aos documentos ocorre diretamente pelo site do projeto ou por meio de sites de instituições parceiras. "Nos dois casos os documentos digitalizados apresentam-se íntegros e perfeitamente legíveis, o que atesta a possibilidade de substituição da consulta ao documento original pela consulta ao documento digitalizado", tornando o conhecimento sobre a obra de arte mais acessível a qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. 

O emprego da tecnologia nos museus não é de hoje. Como em outros setores, a informatização das instituições culturais começou com a introdução de programas computacionais e dos próprios computadores em tarefas do dia-a-dia.  "Com o passar das últimas décadas, os museus apropriaram-se da tecnologia digital e passaram a empregá-la de maneira mais efetiva nas ações de preservação". Essas ações vão além da digitalização de acervos, abrangendo também ferramentas do trabalho de documentação e conservação, em um processo de informatização que segue em desenvolvimento. Hoje, a tecnologia está presente em diferentes atividades, da elaboração de listas de inventário às avançadas tecnologias utilizadas em visitas virtuais.

Recursos como os utilizados no projeto Repensar Guernica ganham ainda mais importância no atual momento, em que várias cidades, estados e até países inteiros encontram-se em quarentena para mitigar a pandemia de Covid-19. Diversas instituições de arte mundo afora – como o Rijksmuseum, de Amsterdam; a Galeria Uffizi, de Florença; e o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) – estão disponibilizando visitas virtuais gratuitas. Para conhecer todas as instituições participantes, clique aqui

 

Outros artigos

O 13º volume da revista conta com artigos de outros docentes do Departamento de Informação e Cultura (CBD): Transliteracias: A Terceira Onda Informacional nas Humanidades Digitais, de Brasilina Passarelli e Ana Claudia Fernandes Gomes; A informação e o entorno digital: competências e habilidades do profissional da informação, de Francisco Carlos Paletta e José Antonio Moreiro-González; e Vocabulário controlado e indexação social de imagens de arquitetura: um sistema de organização do conhecimento em ambiente colaborativo, de Cibele Araújo Camargo Marques dos SantosVânia Mara Alves Lima.

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