Obitel lança novo estudo sobre a ficção televisiva em 12 países

O Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva (Obitel) acaba de lançar o Anuário Obitel 2017, amplo estudo realizado em 2016 sobre a ficção televisiva em 12 países ibero-americanos. Intitulada Uma década de ficção televisiva na Ibero-América. Análise de dez anos do Obitel (2007-2016), a obra foi lançada durante o VI Encontro Obitel Brasil, realizado entre os dias 5 e 6 de dezembro na ECA, no qual pesquisadores do grupo estiveram reunidos para discutir as práticas de fãs em ambiente da cultura participativa.

O anuário tem como coordenadores gerais a professora Maria Immacolata Vassallo de Lopes, professora do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) e coordenadora do Centro de Estudos de Telenovela (CETVN), e Guillermo Orozco Gómez, professor da Universidade de Guadalajara. A obra é organizada em duas partes: a primeira traz uma síntese da ficção no espaço ibero-americano, apresentando uma comparação da ficção televisiva entre os países integrantes do Obitel em 2016; e a segunda apresenta A ficção nos países Obitel propriamente dita, com o estudo aprofundado desta produção em 12 capítulos, cada um referente a uma nação – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.

A publicação apresenta o registro quantitativo da produção de programas de ficção nos países integrantes da rede, assim como uma análise de tendências de programação, de recepção da TV aberta e, desde 2010, a análise da recepção transmídia da ficção televisiva. Dessa forma, seu objetivo é traçar o diagnóstico e as perspectivas da ficção televisiva por meio do monitoramento anual e da análise comparada, quantitativa e qualitativa, dos vários formatos do gênero. O estudo se concentra em cinco dimensões de análise: produção, exibição, consumo, comercialização e propostas temáticas da ficção televisiva.

Criado em 2005, o Obitel é uma rede internacional formada por grupos de pesquisa de 12 países com o objetivo central de realizar o monitoramento e análises da produção, audiência e repercussão sociocultural da ficção televisiva na América Latina e na Península Ibérica, por meio de publicações e seminários. Desde 2008, publica o Anuário Obitel, em parceria com a Globo Comunicações.

A ficção televisiva no Brasil

Em capítulo dedicado ao Brasil, Maria Immacolata Vassallo de Lopes e Clarice Greco apresentam as principais características da ficção televisiva no Brasil em 2016 e apontam algumas tendências observadas em dez anos de análises sobre a temática. Elas contaram com o apoio de equipe formada por Daniela Ortega, Fernanda Castilho, Ligia Maria Prezia Lemos, Lucas Martins Néia, Mariana Lima, Tissiana Pereira, pesquisadores do CETVN.

O estudo aponta o aumento de 3,5% no tempo médio diário em que os telespectadores assistiram TV aberta, fenômeno causado, segundo o estudo, pela redução de gastos com lazer, em função da crise econômica iniciada em 2015 e agravada em 2016, e pela cobertura televisiva do impeachment da presidente Dilma Rousseff e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O conturbado cenário político brasileiro fez inclusive com que a audiência do telejornalismo chegasse a ultrapassar a das telenovelas no segundo semestre de 2016.

Segundo as pesquisadoras, a ficção nacional foi recorde tanto no que se refere à quantidade de capítulos/episódios quanto ao número de horas transmitidas em horário nobre, com um crescimento de 12% em comparação a 2015. O estudo mostra ainda que as telenovelas correspondem a praticamente metade dos títulos nacionais. Em um contexto marcado pela crise política-econômica, “a televisão aberta apresentou dinâmica positiva e inesperada em sua produção ficcional”, revela a pesquisa, explorando novos gêneros e formatos. Outra tendência na ficção televisiva brasileira são as coproduções entre canais de TV aberta e de TV por assinatura para exibição simultânea de conteúdo de produtoras independentes.

De acordo com estudo divulgado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso do telefone celular para acessar a internet ultrapassou o do computador pela primeira vez no Brasil, o que afetou também o consumo de produção da ficção televisiva no país, aponta o estudo do Obitel. O Brasil é hoje a ser o sexto mercado de vídeo on-line do mundo e o mais competitivo da América Latina. “Com relação aos vídeos on demand, os brasileiros continuam, a cada ano, mais adeptos dessa prática”, afirmam as pesquisadoras.

Verifica-se também o crescimento no uso dos aplicativos das plataformas que permitem mobilidade e flexibilidade de assistência como Globo Play (Globo), TV SBT (SBT), Now (Net), Vivo Play (Vivo) e Record TV no YouTube. Outra tendência que também se consolida é o hábito da segunda tela, que se refere ao uso, pelo usuário, de um dispositivo eletrônico adicional (smartphone, tablet, computador) para interagir com o conteúdo que está assistindo em um dispositivo eletrônico principal (televisão, rádio). “Apesar da crise, pode-se afirmar também que, fruto da conexão da televisão com a internet, o consumo de teleficções segue em alta”, conclui a pesquisa.

Anuário Obitel 2017 disponível para download no site do Observatório.

Foto: Divulgação/ Globo Universidade