Revista Organicom: “Liberdade de expressão precisa ser equilibrada”, diz Pablo Ortellado

Em entrevista à revista Organicom, pesquisador da EACH defende uma regulação do debate público que respeite a liberdade de expressão e também proteja outros direitos

 

Já está disponível on-line a nova edição da Organicom – revista científica sobre Relações Públicas e Comunicação Organizacional –, que traz o dossiê Comunicação e Opinião Pública. São cinco artigos sobre a temática, além de uma entrevista com Pablo Ortellado, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (GPOPAI).

Para o professor da EACH, na opinião pública  ou esfera pública, expressão que ele prefere adotar em seus estudos – a discussão política acabou perdendo espaço para intolerância e violência. Se antes a esfera pública era "um espaço de discussão de assuntos políticos fora do Estado", com o papel de exercer um contraponto ao poder instituído, o que acontece hoje é o contrário. “Temos uma esfera pública intensificada e que assumiu um caráter militante”, avalia. As forças que disputam o poder político do Estado se encontram agora refletidas na sociedade civil, tornando a esfera pública um espaço de militância política onde o debate prioriza o confronto com o adversário, segundo o docente.

O problema central desse fenômeno seria o processo crescente de polarização da sociedade: “é a polarização que deixa alguns de seus setores apaixonados demais e muito vulneráveis”, o que abre espaço, segundo ele, para o surgimento das notícias falsas. Já há estudos que mostram que quanto mais as pessoas acreditam em uma certa opinião, maior a tendência de aceitarem informações falsas que confirmem as suas próprias crenças. Isso porque “se contrariassem as suas convicções elas rejeitariam [estas informações] de imediato”, explica o pesquisador.

"Não faz sentido que uma empresa privada, orientada pelo lucro, crie e organize as regras de moderação do debate público”, diz Pablo Ortellado. Foto: Sandra Codo/IEA-USP

A mudança desse cenário é complexa e envolve a diminuição do apelo ao populismo e a redução da polarização política, além de mudanças na legislação e nas empresas proprietárias de plataformas e redes sociais digitais. “O que acontece hoje são empresas regulando o debate público e político, e isso parece uma situação insustentável".

A solução passa também pela retomada da confiança nas instituições, que também são atingidas pela polarização – não somente os órgãos públicos, mas a mídia e as Universidades. “No campo da cultura está havendo um ataque populista também, que diz que essas instituições são elitistas, auto-orientadas e tomadas por ideologias”, diz Ortellado. “O que se precisa é de reforma dessas instituições. A universidade precisa se reformar e se reconectar com as pessoas”.

Confira a entrevista na íntegra no volume 17, número 33 da Revista Organicom.