Série de podcasts analisa os impactos do coronavírus na saúde mental de jovens

Com destaque para a demanda por serviços de saúde mental na pandemia, podcast analisa o desenvolvimento da quarta onda de impacto do coronavírus

 

Ainda não se sabe com exatidão a totalidade de efeitos que a pandemia do novo coronavírus tem causado na saúde mental das pessoas. Uma pesquisa da instituição britânica Barnardo's revelou que, do total de 4 mil crianças e jovens de 8 a 25 anos que participaram do estudo sobre o impacto da covid-19, 41% estavam mais solitários do que antes do iníco do isolamento.

 

A estudante de jornalismo Leticia Fuentes desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso durante a quarentena e decidiu trazer esse contexto para o centro de sua produção. O trabalho, denominado O Novo Normal, foi apresentado em formato de podcast e aborda a saúde mental de jovens no momento atual.

 

Sob orientação do professor Renato Levi, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), Leticia realizou um estudo qualitativo, em que o fenômeno social é analisado por meio da perspectiva de pessoas nele envolvidas. O objetivo foi examinar o desenvolvimento, no Brasil, da quarta onda de impacto causada pelo vírus, a das doenças mentais. A conclusão do estudo mostra que as origens da quarta onda são variáveis. Após meses de isolamento, os jovens se adaptaram à nova rotina, ao mesmo tempo em que desejam voltar à normalidade, mas temem o futuro.

 

Cada episódio de O Novo Normal tem cerca de vinte minutos e aborda um aspecto da vida cotidiana que foi afetado pela pandemia. A série enfoca a construção da nova rotina em casa, a transição do trabalho e do estudo para o ambiente virtual, a mudança nos relacionamentos e, por último, discorre sobre as perspectivas para o futuro. Isso é feito por meio dos relatos de cinco jovens de 16 a 29 anos e de duas especialistas: a psicóloga Nanna Maluhy e a agente de saúde pública Claudinete.

 

Ilustração de capa do primeiro episódio de O Novo Nomal. Imagem: Reprodução/YouTube

 

Inicialmente, Leticia pretendia produzir um documentário. Com a impossibilidade de sair de casa para realizar as gravações, ela se viu diante da necessidade de mudar tanto o tema quanto o formato de seu TCC. Foi assim que acabou optando pelo podcast. Apesar do contexto e das mudanças inesperadas, a estudante afirma que o formato acabou facilitando a produção do trabalho, já que todas as atividades ficaram concentradas em sua casa.

 

Por outro lado, a falta de acesso a equipamentos levou a algumas dificuldades técnicas. Em relação às pessoas entrevistadas, “a escolha dos personagens foi pensada de modo a contemplar a maior diversidade possível de perfis socioeconômicos e histórias de vida”. O desafio foi encontrar perfis diversos por meio das redes sociais e ir além das bolhas sociais geradas na internet.

 

Leticia conta que buscou uma abordagem diferente de um olhar médico e especialista, indo ao encontro de “algo que fosse íntimo e real”. Mesmo assim, a abertura dos entrevistados para falar sobre seus problemas e experiências na quarentena foi algo que a surpreendeu. “Eu não sabia que as pessoas estariam tão abertas assim para falar sobre isso, então foi uma surpresa bastante positiva”. Ainda que inserida na mesma realidade, a estudante relata que percebeu a particularidade do momento emocional que cada pessoa vivia em relação à quarentena.

 

Outro ponto abordado no TCC diz respeito aos finais possíveis para uma pandemia. Enquanto o fim médico depende do desenvolvimento de uma vacina, o fim social acontece quando as pessoas perdem o medo de contrair o vírus e passam a ignorar medidas de proteção. De acordo com a análise do historiador Allan Brandt para o The New York Times, citada no trabalho, características do fim social podem ser observadas em relação à atual pandemia, na qual a flexibilização de medidas de isolamento se apoia em questões políticas e econômicas, em detrimento da saúde pública.

 

Os episódios de O Novo Normal estão disponíveis  no canal do YouTube do CJE.